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Criança

5 dicas de ouro para ajudar seu filho a se livrar do medo de ir ao médico

Chega de sofrer! A onda da vez são hospitais com áreas exclusivamente pensadas para as crianças

Marina Paschoal

Marina Paschoal ,Filha de Selma e Antônio Jorge

Seu filho tem medo de ir ao médico? (Foto: Getty Images)

Já pensou qual seria a reação do seu filho ao chegar em um hospital com paredes coloridas, brinquedos e equipamentos adaptados com desenhos? Com certeza facilitaria na hora da consulta médica. E muito além de toda a pegada lúdica, as áreas infantis em grandes redes de hospitais têm fatores que fazem toda a diferença, mas que são invisíveis.

“O conceito de humanização está absolutamente interligado ao cenário da assistência hospitalar, tornando o ambiente menos agressivo e estressante para o pequeno paciente”, explica Valdir Pereira Ventura, filho de Maria e Américo, e Presidente CEO do Grupo São Cristóvão Saúde. E é justamente com esse pensamento de sinergia entre decoração e atendimento que a maioria dos hospitais que têm o espaço pediátrico oferecem treinamento ou exigem certificações específicas.

“Temos em mente que criança não é adulto pequeno. Ou seja, é preciso ter recursos físicos e humanos dedicados a elas, porque o mundo sob a perspectiva delas é muito diferente. Então, é imprescindível ter pessoas treinadas para lidar e reconhecer as necessidades das crianças – que às vezes vêm por meio de expressões, comportamentos, algo que foge da fala, como é com adultos”, exemplifica Wagner Marujo, pai de Lucas, Gustavo, João e Michel, e diretor superintendente do Hospital Infantil Sabará. E na prática, faz mesmo toda a diferença saber tirar sangue de um bebê de dois meses ou três anos, por exemplo.

O lúdico faz toda a diferença
É comum que seu filho não goste muito de ir ao médico, primeiro porque o espaço não é lá aquelas coisas e, segundo, porque geralmente ele não sabe o que vai acontecer por lá.

Por isso, a grande sacada da decoração lúdica é conquistar as crianças logo de cara, no primeiro momento. “O ambiente faz toda a diferença. Para uma criança, chegar num lugar mais colorido e acolhedor ajuda, acalma a ansiedade e torna o período de estadia menos assustador”, comenta Romy Schmidt Brock Zacharias, mãe de Bianca, Vinicius e Luisa, e coordenadora médica materno infantil da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

No Hospital Infantil Sabará, por exemplo, a criança se prepara para uma verdadeira missão espacial ao realizar um exame de ressonância. E isso porque a sala tem parede e equipamento personalizados com a temática de cápsula espacial. “Costumo dizer que o hospital é navio de guerra, temos que ter pessoas treinadas para lidar com todas as situações. E para conseguir deixar uma criança quieta durante a ressonância é preciso treinamento e personalidade para lidar emocionalmente também”, Wagner explica.

Já os leitos do Hospital São Cristóvão contam com temática do fundo do mar, que estampam cavalos marinhos, polvos e estrelas marinhas pelas paredes e cabeceiras. As portas coloridas e o piso com adesivos do Centro Médico de Pediatria do Hospital da Criança Rede D’Or dão a sensação de que o ambiente foi invadido por pintores-mirins.

“Mas apesar disso, a gente não pode esquecer que estamos dentro do hospital. É muito legal que seja lúdico, que elas se sintam à vontade e acolhidas, mas a prioridade é sempre o atendimento médico”, deixa claro Ricardo Fonseca, pai de Maria Luiza e Gustavo, e coordenador do pronto atendimento pediátrico do Hospital Sírio-Libanês.

Passatempos
E se já é difícil manter a criançada ocupada em casa, imagina em um ambiente desses? Pois é, ainda bem que até para distrair e divertir eles estão preparados. Com brinquedotecas, brinquedões, contações de histórias, teatros e até cãoterapia (sim, isso mesmo!) eles garantem que a passagem pelo hospital seja inesquecível – mas no bom sentido, claro!

“Queremos proporcionar às crianças a diminuição do estresse causado por um ambiente diferente daquele ao qual elas estão habituadas”, explica Maria Inês Pinto Nantes, filha de Jaira e Guido, chefe do pronto-socorro do Hospital da Criança da Rede D’Or São Luiz.

Papo reto
Para amenizar o nervosismo e insegurança que as idas ao médico podem causar, a dica é sempre ter um papo franco com seu filho, antes mesmo de sair de casa – claro, se ele tiver idade para entender. Saber os próximos passos e acontecimentos traz sentimento de segurança e tranquiliza.

“Muitas vezes, para contar com a colaboração, a equipe simula a situação com uma boneca e permite que a criança expresse seus medos através de um objeto de escape. Depois que ela entende o procedimento, a colaboração é maior e a ansiedade diminui consideravelmente, o que facilita o nosso trabalho”, conta Romy.

Para incentivá-las ainda mais, no Hospital da Criança da Rede D’Or, elas ganham reconhecimento formal e tudo. “Entregamos um diploma de coragem como forma de reconhecimento às crianças que são submetidas a procedimentos que podem trazer desconforto”, conta Maria Inês.

“A família colaborativa e profissionais extremamente treinados para a ocasião dão segurança e conforto para o paciente e assim, o tratamento flui de modo eficiente”, conclui Francisco Lembo Neto, pai de Gabriel, Bruno, Victor e Danilo, coordenador do núcleo de pediatria do Hospital Samaritano Higienópolis.

Família também é paciente
Apesar de ser a criança quem está internada, os pais são parte integrante do cuidado com ela. Por isso, a rede de apoio também faz toda a diferença quando o assunto é criar um ambiente confortável para a família.

“Quando falamos em humanização, estamos nos referindo ao atendimento carinhoso e atencioso, não somente com o paciente, mas também com a sua família, que é totalmente inserida no processo”, explica Valdir. Ainda segundo o presidente do Grupo São Cristóvão Saúde, esse apoio é uma das formas de reduzir e até mesmo anular lembranças de uma vivência ruim ou traumática.

É tendência
Os hospitais pediátricos vêm conquistando espaço no mundo e o Brasil não fica de fora. “Essa é a segunda maior especialidade médica. No entanto, o que tem mudado é o atendimento em si, na sua forma mais integrada e humanizada”, observa Romy.

Ou seja, hoje em dia o médico não se preocupa só em dar o diagnóstico, faz parte do trabalho a abordagem lúdica, a aproximação e o apoio aos pais, sempre com o paciente como centro e objetivo principal. “Ter hospitais pensados exclusivamente para crianças prova que estamos de olho no futuro e cuidando dele”, finaliza Wagner.

XÔ, MEDO!
Dicas para o seu filho ir ao médico de boa
➜ Você precisa estar segura e calma, assim ele também ficará;
➜ Conte uma história da sua infância com médicos para encorajá-lo. Não se esqueça do final feliz!
➜ Peça para que a simulação seja feita em você e sirva de exemplo para o procedimento médico;
➜ Explique o que vai acontecer antes de irem para lá;
➜ Leve o brinquedo preferido junto para a consulta. Essa é uma ótima tática caso a criança tenha que ficar sozinha, como em um exame de raio-x, por exemplo.

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