5 maneiras fáceis de ensinar seu filho a tomar decisões por conta própria

Todo pai ou mãe sonha em criar um filho que saiba tomar as próprias decisões, mas pode ser mais fácil falar (e desejar) do que realmente fazer. Veja como especialistas dizem que você pode ajudar o seu filho a ser ele mesmo

Resumo da Notícia

  • Todo pai ou mãe sonha em criar um filho que não sabe tomar as próprias decisões, mas pode ser mais fácil falar (e desejar) do que realmente fazer
  • Ensinar as crianças a serem independentes começa na primeira infância e vai ser diferente em cada estágio da vida 
  • Lembre-se de que deixar seu filho tentar (e às vezes quebrar a cara) não significa que você não está lá por ele e para ajudá-lo, significa apenas que você está permitindo que ele tenha espaço para crescer e pensar por conta própria

Ninguém quer criar filhos que não conseguem tomar as próprias decisões. Na verdade, quando Claire Lerner, especialista em desenvolvimento infantil e parentalidade, pergunta aos pais se eles querem criar filhos que saibam o que querem e possam resolver os problemas por conta própria, cada um deles diz que sim. Mas, ensinar às crianças a pensar por si mesmas pode ser mais fácil de falar (e de desejar) do que realmente fazer.

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E não se engane ao pensar que essa é uma habilidade para ser trabalhada na idade do Ensino Fundamental ou Médio. “Ensinar as crianças a ter a própria opinião começa mais cedo do que os pais imaginam”, diz Lerner. Aqui estão cinco maneiras fáceis de ajudar seu filho a pensar por si mesmo, começando ainda quando é apenas um bebê.

Dê um passo atrás

Se seu filho de 6 meses está tendo problemas para encaixar a peça no buraco certo do brinquedo, você pega uma delas – o círculo, por exemplo – e encaixa no buraco certo para ele – talvez não seja a melhor ideia. “Ensinar as crianças a serem independentes começa na primeira infância e vai ser diferente conforme os estágios da vida”, explica Stephanie Irby Coard, Ph. D., e professora-associada de desenvolvimento humano e estudos da família na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Assim como Lerner, ela diz que o ensino do pensamento independente começa cedo. Se os pais puderem praticar esse exercício de dar um passo para trás e deixar que os filhos resolvam problemas sozinhos, mesmo quando ainda são bebês, fará grande diferença para o futuro deles e descoberta da vida por conta própria. Voltando ao exemplo das peças em forma geométrica, em vez de encaixar para ele, você pode, por exemplo, tentar guiá-lo verbalmente para a resposta certa, permitindo que ele descubra sozinho.

Ensinar as crianças a serem independentes começa na primeira infância e vai ser diferente em cada estágio da vida  (Foto: iStock)

É claro que se seu bebê de 6 meses estiver com dificuldades, você pode eventualmente apontar para o encaixe certo em vez de deixá-lo completamente sozinho, o que pode acabar deixando-o frustrado. O segredo é dar um passo atrás e dar a ele a chance de pensar sobre os problemas em questão. Mais tarde, isso pode traduzir em deixá-lo descobrir como descer de um escorregador sozinho (com orientação verbal e gentil) ou dar a ele a chance de resolver uma situação chata entre amigos mais tarde.

Seja um exemplo

“Seja o modelo de decisões responsáveis e seja transparente com o seu próprio raciocínio e processo de pensamento ao tomar decisões”, sugere Dra. Coard. Você pode conversar e explicar o seu processo de tomada de decisão, mesmo quando seus filhos ainda forem pequenos, para ajudá-los a entender por que você está fazendo as coisas de determinada maneira.

À medida que seu filho fica mais velho, essa transparência pode se transformar num papo honesto sobre situações sociais, decisões financeiras ou valores e responsabilidades familiares. Se ele observar e entender como e por que você está tomando certas decisões, não significa que você está forçando seu filho a pensar da mesma maneira que você. Significa apenas que você está permitindo que ele veja e entenda o seu caminho para tomar uma decisão independente. Se seu filho te questionar ou surge com uma ideia alternativa, é importante validar o pensamento e sentimentos dele, mesmo que a imaginação dele tenha pensado numa solução bizarra. “É assim que nascem os pensadores criativos”, diz Lerner.

Ouça antes de falar

Assim como dar um passo atrás e deixar que seu filho descubra as coisas por conta própria, ouvir o que ele tem a dizer antes de falar algo é tão importante quanto – especialmente quando ele estiver mais velho. “Ensinar as crianças a pensar por si mesmas significa que os pais devem afrouxar as rédeas gradualmente para que elas possam ganhar uma autoconfiança valiosa e experiência em tomar decisões sozinhas”, diz Dr. Coard. “Apoie a necessidade do seu filho de construir algum senso de autonomia, dando conselhos apenas depois de ouvir o que ele tem a dizer e qual é o senso de direção dele”.

De novo, isso pode ser difícil para alguns pais, já que o instinto natural pode ser tomar a frente e salvar o dia com um conselho ‘simples’, mas dessa maneira você não estará fazendo nenhum favor para o seu filho – e sim estará interrompendo o próprio processo dele. E é assim que ele vai crescer e aprender. “Seu trabalho não é resolver todos os problemas do seu filho”, diz Lerner. “É para dar a eles confiança e as habilidades para que ele possa resolver os próprios problemas”. Ouvir antes de falar é fundamental quando se trata de aumentar a confiança dele e permitir que ele cresça como um pensador independente.

Desafie seu filho

Você pode querer dar um impulso ao seu bebê toda vez que ele tentar se sentar em uma cadeira, mas desafiá-lo a se erguer sozinho pode ser uma lição valiosa que ele vai levar consigo até a idade adulta. Para crianças mais velhas, Dra. Coard sugere incentivá-las a usar a conversa interna ou usar um diário para tentar orientar as próprias decisões. Em vez de dizer a ele como reagir em uma situação social, talvez diga: ‘bom, foi isso que o Murilo fez, mas o que você faria nessa situação?’. Dê a ele hipóteses e deixe-o navegar por potenciais cenários e possibilidades como prática, desafiando-o sobre por que faria a coisa de certa maneira, assim você pode ajudá-lo a entender o processo.

Todo pai ou mãe sonha em criar um filho que não seja ‘maria vai com as outras’, mas pode ser mais fácil falar (e desejar) do que realmente fazer (Foto: iStock)

Não precisa ser um exercício mental agressivo ou cansativo, mas perguntar ao seu filho por que ele está tomando certa decisão durante as conversas diárias pode ajudar a facilitar a capacidade dele (e desejo) de pensar por si próprio. Também não faz mal nenhum encorajar que seu filho participe de atividades extracurriculares que envolvam falar em público ou debater conforme ele for ficando mais velho, aconselha Dra. Coard. Isso pode ajudar a aumentar a confiança dele, e deixá-lo confortável em fazer sua voz ser ouvida.

Lembre-o de que errar faz parte

Pensar por si mesmo não significa que toda as decisões tomadas serão certas, obviamente. É preciso coragem para falar e fazer escolhas ousadas, por isso é importante ajudar seu filho a sentir que, mesmo que seu processo de pensamento não leve a decisões ou ações que funcionem todas as vezes, tudo se resume a aprender a tomar decisões melhores e mais embasadas na próxima vez. “Discuta e normalize o fato de que as pessoas cometem erros e que aprender com eles é o mais importante”, diz Dra. Coard.

Em vez de ter uma reação automática e tentar corrigi-los, Lerner aconselha os pais a ajudar as crianças e adolescentes a compreender e sentar com suas decisões e conversar com eles sobre o que pode ter dado ‘errado’, em vez de simplesmente tentar consertar as coisas. “Ouvir a perspectiva deles é muito poderoso”, diz Lerner. “Se você não se apressar para ajudar, está na verdade dizendo ao seu filho que tem total confiança de que ele pode resolver um problema por conta própria e que está aqui caso ele precise”.

Lembre-se de que deixar seu filho tentar (e às vezes quebrar a cara) não significa que você não está lá por ele e para ajudá-lo, significa apenas que você está permitindo que ele tenha espaço para crescer e pensar por conta própria (Foto: iStock)

Em última análise, as crianças não devem ter medo de pensar por si mesmas porque podem tomar uma decisão errada, mas elas devem entender que defender sua opinião é um processo, e que os erros apenas permitirão que elas tomem decisões melhores à medida que avançam pela vida.

O ponto de partida

Dar um passo atrás e permitir que seu filho pense por si mesmo pode ser difícil para alguns pais, mas dar a ele espaço para cometer erros e ganhar confiança nas próprias habilidades de tomada de decisão deve começar desde cedo. Pode ser difícil pra você deixar (e ver) o seu filho desconfortável enquanto navega pelo mundo por conta própria. Mas lembre-se de que esse desconforto não significa que você não está lá por ele e para ajudá-lo, significa apenas que você está permitindo que ele tenha espaço para crescer e pensar por conta própria.