Alerta! Brasil não atinge meta das principais vacinas infantis pela primeira vez em 20 anos

Meta é de 90% a 95% de vacinação. Quando o índice desse fica abaixo desse número, há um grande risco do retorno de doenças já eliminadas ou aumento na transmissão daquelas que estão controladas

Resumo da Notícia

  • Meta é de 90% a 95% de vacinação
  • Os dados são do Programa Nacional de Imunizações de 2019
  • Grupo alvo são crianças de até 1 ano Números vem caindo desde 2015
  • Quando o índice desse fica abaixo desse número, há um grande risco do retorno de doenças já eliminadas ou aumento na transmissão daquelas que estão controladas

O Brasil não atingiu a meta para nenhuma das principais vacina das indicadas para crianças de até 1 ano pela primeira vez em quase 20 anos. Os dados são do Programa Nacional de Imunizações de 2019, analisados pelo jornal Folha de S.Paulo.

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Os dados de 2019 mostram, na prática, que 8 das 9 vacinas indicadas para o grupo de até 1 ano tiveram queda de vacinação (Foto: Getty Images)

A meta de vacinação de bebês e crianças, geralmente costuma variar entre 90% para vacinas de tuberculose e rotavírus e 95% para as demais. Quando o índice desse fica abaixo desse número, há um grande risco do retorno de doenças já eliminadas ou aumento na transmissão daquelas que estão controladas.

No ano de 2019, nenhuma vacina atingiu a meta no grupo de bebês e crianças de até 1 ano. Em 2018, mesmo em queda, 3 das 9 principais vacinas para esse grupo atingiram o a meta. Em outros momentos, o Brasil também chegou a ter até sete vacinas com cobertura dentro do ideal, com as demais próximas das metas.

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Os dados de 2019 mostram, na prática, que 8 das 9 vacinas indicadas para o grupo de até 1 ano tiveram queda de vacinação. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, teve o maior índice de cobertura de vacinação de rotina (91,6%). Já a pentavalente, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, entre outras doenças, teve o menor registro (69%).

Os primeiros sinais de queda na vacinação começaram em 2015, sendo agravado em 2017, quando apenas uma vacina atingiu a meta indicada e as outras caíram. No ano seguinte, apesar da situação continuar grave, algumas vacinas tiveram leve recuperação, o que levou o Ministério da saúde a considerar uma possível reversão na tendência. No entanto, em 2019, a queda se manteve.

A situação pode se agravar ainda mais esse ano por causa da pandemia de covid-19, que pode ter levado famílias a evitar os postos de saúde.

Por que o índice caiu?

Apesar dos primeiros alertas terem ocorrido há vários anos, ainda não há uma explicação exata sobre o que leva à queda nas coberturas. Pesquisas que estavam sendo aplicadas desde o último ano tiveram que ser adiadas devido a pandemia.

Questionado sobre a queda, o Ministério da Saúde afirmou a Folha, que tem ampliado campanhas de conscientização e que a queda de 2019 pode estar ligada a ‘falsa sensação de segurança causada pela diminuição ou ausência de doenças que já foram controladas; o desconhecimento da importância da vacinação por parte da população mais jovem e as falsas notícias veiculadas especialmente nas redes sociais sobre o malefício que as vacinas podem provocar à saúde’.

A pasta ressalta ainda que, mesmo com a pandemia, a vacinação segue normalmente, “respeitando as diretrizes e orientações de segurança para evitar o risco de transmissão da Covid-19”.

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