Ansiedade social: como ajudar seu filho a lidar com esse sentimento

A ansiedade social é mais do que apenas timidez. As crianças com o transtorno se sentem extremamente desconfortáveis ​​em ambientes sociais e, em alguns casos, pode prejudicar sua capacidade de realizar tarefas diárias. Aqui está tudo o que você precisa saber – incluindo como a pandemia pode desencadear os sintomas

Resumo da Notícia

  • Ansiedade social é mais do que uma timidez ou vergonha de falar em público
  • Em alguns casos, a ansiedade social dificulta a realização de tarefas cotidianas, como ir à escola, conversar com colegas, fazer pedidos em restaurantes e usar banheiros públicos
  • É sempre bom ficar de olho nos sintomas que seu filho pode apresentar e saber como agir nessas situações

Seu filho se sente extremamente desconfortável em ambientes sociais? Você pode supor que ele é simplesmente mais reservado do que as outras crianças. Mas, embora seja completamente normal sentir-se constrangido às vezes, como ao falar na frente da classe, por exemplo, a timidez excessiva pode, na verdade, indicar transtorno de ansiedade social.

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De acordo com Keita Franklin, Ph.D., Diretora Clínica da Loyal Source, uma agência de recrutamento de serviços governamentais nos Estados Unidos, a ansiedade social é “uma condição de saúde mental na qual as interações sociais podem causar um aumento na ansiedade“. Algumas crianças com o transtorno se preocupam muito em encontrar ou conversar com outras pessoas, e constantemente temem ser envergonhadas, julgadas negativamente ou rejeitadas. Outros se sentem assim por falar ou se apresentar em público.

Em alguns casos, a ansiedade social dificulta a realização de tarefas cotidianas, como ir à escola, conversar com colegas, fazer pedidos em restaurantes e usar banheiros públicos. É por isso que os pais devem aprender os sintomas que fazem parte da ansiedade social e buscar tratamento apropriado quando necessário – geralmente na forma de terapia cognitivo-comportamental.

Ansiedade social é mais do que uma timidez ou vergonha de falar em público (Foto: Getty Images)

Veja a seguir as causas e sintomas, bem como como ajudar com a ansiedade social em crianças. A reportagem, produzida pela americana Parents, também explorou se a pandemia da Covid-19 poderia ser um gatilho para ansiedade social, que às vezes é conhecida como fobia social.

Sintomas de ansiedade social em crianças

A Dra. Franklin explica que os sintomas de ansiedade social se enquadram em três categorias: física, emocional e comportamental. Os pais conhecem melhor os filhos, acrescenta ela, por isso preste atenção a qualquer coisa fora do comum. Aqui estão alguns dos sinais mais comuns de ansiedade social em crianças.

  • Medo de se encontrar ou falar com as pessoas. A angústia pode começar dias ou semanas antes de um evento.
  • Preocupação constante com constrangimento ou julgamento por parte dos outros. “Pessoas com transtorno de ansiedade social podem se preocupar em agir ou parecer visivelmente ansiosas (por exemplo, ficar com as bochechas rosadas, gaguejar as palavras) ou serem vistas como estúpidas, desajeitadas ou chatas”, diz a Anxiety & Depression Association of America – em português, Associação Americana de Ansiedade e Depressão.
  • Extrema autoconsciência em ambientes sociais ou que precisa demonstrar bom desempenho.
  • Evitar situações desencadeadoras, como ir a banheiros públicos, conversar com professores ou comparecer a festas de aniversário.
  • Ter acessos de raiva ou fazer manha antes / durante eventos sociais.
  • Sintomas físicos como suar em excesso, ter náusea, tremores, ficar avermelhado, tontura ou aumento da frequência cardíaca. Muitas vezes ocorrem em situações sociais que as crianças consideram assustadoras e podem levar a ataques de pânico em casos extremos.
  • Sentir-se desamparado, triste ou com raiva em ambientes sociais.
  • Fazer perguntas regularmente para tranquilizá-lo (“E se eu disser a coisa errada na aula?”; “E se eu fizer algo vergonhoso?”).
  • Dificuldade em fazer amigos ou conversar com colegas.
  • Recusa de falar em certas situações.
  • Falar suavemente e evitando contato visual.
  • Se recusar a ir para a escola, em casos extremos.

É importante observar que o distúrbio se apresenta de maneira diferente em cada criança. Alguns apresentam sintomas em todas as situações sociais, enquanto outros têm gatilhos em situações específicas, como comer em público ou falar em sala de aula.

O que causa ansiedade social em crianças?

De acordo com o Dra. Franklin, a idade mais comum de início da ansiedade social é aos 13 anos. Faz sentido quando você considera os principais eventos da vida que estão acontecendo neste momento – Ensino Médio chegando, passando pela puberdade, experimentando a pressão dos colegas, etc. Dito isso, crianças menores de 8 ou 9 anos também podem sofrer de sintomas de ansiedade social, segundo a Associação Americana de Ansiedade & Depressão.

Então, afinal, o que causa o transtorno de ansiedade social em crianças? Algumas delas simplesmente são predispostas à ansiedade desde o nascimento. Basicamente seus cérebros são mais sensíveis ao perigo percebido, o que desencadeia respostas dramáticas de luta ou fuga, diz o psicólogo Steven Kurtz, Ph.D., presidente da Kurtz Psychology Consulting (uma consultoria de psicologia) na cidade de Nova York, especializado em ansiedade infantil.

A genética também pode ter um papel importante, porque estudos mostram que crianças com pais ansiosos têm maior probabilidade de sofrer de ansiedade. Também pode haver um componente ambiental para essa tendência; mães ou pais que apresentam tendências socialmente ansiosas podem modelar esse comportamento para seus filhos.

Em alguns casos, a ansiedade social dificulta a realização de tarefas cotidianas, como ir à escola, conversar com colegas, fazer pedidos em restaurantes e usar banheiros públicos (Foto: Shutterstock)

Em alguns casos, a ansiedade social leve pode piorar se as crianças forem “desencadeadas” por situações difíceis, como bullying, mudança de casa, mudança de escola ou até mesmo a pandemia da Covid-19 . “Eu definitivamente acho que a Covid-19 pode ser a causa de todas as coisas relacionadas à ansiedade social [desde 2019]”, diz Dra. Franklin. “As crianças não estão mais acostumadas a estar em ambientes sociais, então não são socializadas, e não sabem mais como se envolver e interagir”. Ela acrescenta que eles não estão recebendo o “ciclo de feedback” de outras crianças, o que permite que eles saibam se estão se comportando de maneira adequada.

Como superar a ansiedade social

Crianças com ansiedade social geralmente agem normalmente em casa, então os pais podem não perceber que algo está errado. Os professores também podem descrever a ansiedade social como timidez normal. É por isso que algumas crianças sofrem por anos antes de receberem a ajuda de que precisam. Se seu filho está exibindo sinais de ansiedade social, veja essas opções de tratamento em casa e saiba quando consultar um profissional para terapia ou medicação.

  • Tratamento para ansiedade social em casa

Para sintomas de ansiedade social que parecem leves – ou que parecem ter uma causa direta, como o isolamento social da pandemia da Covid-19 – a Dra. Franklin recomenda comunicação e preparação. Por exemplo, se seu filho está nervoso com o acampamento depois de um ano de aulas virtuais, você pode ajudar dando descrições detalhadas, como: “Vou levá-lo até lá às 8h e buscá-lo às 13h. Haverá sete meninos e cinco meninas. Nossa vizinha Valentina estará lá”. Saber o que esperar pode fazer uma grande diferença, diz a especialista.

Você também pode tentar abordar os medos de seu filho diretamente. Pergunte exatamente o que está deixando dele nervoso e, em seguida, faça um brainstorming das soluções adequadas. Por exemplo, se ele está preocupado em falar com outros campistas na hora do almoço, proponha alguns tópicos de conversação com antecedência. Também ensine a seu filho maneiras de se acalmar caso a ansiedade surja (como respiração profunda, visualização, etc.).

Embora você queira proteger seu filho, não deixe que ele evite seus gatilhos completamente. Pedir a refeição em um restaurante pode não parecer grande coisa a curto prazo, mas na verdade reforça seus temores. Para superar essa preocupação, seu filho pode tentar dar pequenos passos: ele pode começar dizendo “obrigado” quando a garçonete deixar a refeição. Então, depois de algumas semanas, ele pode pedir a própria bebida. Em algum momento, ele pode se sentir confortável ​​pedindo todo o jantar.

  • Terapia e medicação

Crianças com ansiedade social que não passa ou que afeta a vida diária podem precisar de ajuda profissional. Peça ao seu pediatra ou orientador escolar um encaminhamento para um psicólogo licenciado ou psiquiatra infantil e adolescente. O profissional decidirá se seu filho precisa de tratamento, que geralmente é na forma de terapia cognitivo-comportamental.

A chamada CBT (vinda de cognitive-behavioural therapy, em português, terapia cognitivo-comportamental) é um tipo de terapia pela fala que “ajuda as crianças a entender como seus pensamentos influenciam suas emoções“, diz Dra. Franklin. Ela permite às crianças “reformular seus pensamentos de forma que suas emoções sejam menos severas no espaço de ansiedade”. As crianças também aprenderão a respiração profunda, atenção plena (mindfulness), meditação e outros exercícios de relaxamento para lidar com os sintomas.

Se a criança não tiver resultados apenas com a terapia, seu médico pode recomendar medicamentos como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Os medicamentos são frequentemente usados ​​a curto prazo para tornar a psicoterapia mais eficaz. No final das contas, “as crianças são muito resilientes e a ansiedade social não é algo que não deva ser superado”, diz Dra. Franklin.