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Criança

Aos 7 anos, menina com condição rara escreve livro para ensinar sobre respeito

Beta Menda sofre de brida amniótica, que causou malformação em seus dedos das mãos

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

Beta busca ajudar crianças e adultos a lidar com as diferenças (Foto: Arquivo pessoal)

Beta busca ajudar crianças e adultos a lidar com as diferenças (Foto: Arquivo pessoal)

“A escrita de um livro é como se fosse uma terapia”. É dessa forma que Simone Menda define a superação da filha Roberta, conhecida como Beta. Com apenas 7 anos, a menina se tornou autora do livro O diário das minhas mãozinhas, no qual compartilha sua história de vida, desde o nascimento.

Durante a gravidez, Simone sofreu de brida amniótica, uma rara condição em que pedaços de tecido fibroso se formam na barriga da mãe, causando malformações no bebê ainda no útero. Beta então nasceu com os dez dedos das mãos, mas seis deles são diferentes e menores. Com o tempo, ela passou por seis cirurgias para correção e melhor coordenação das mãos. “A Beta tem a parte motora normal, mas a estética é diferente”, explica Simone.

(Foto: Arquivo pessoal)

Renata e Thiago com os filhos Roberta e Renato (Foto: Arquivo pessoal)

A construção do livro

A pequena escritora foi crescendo e percebendo algumas situações em que sofria preconceito e recebia tratamentos diferentes. Durante uma conversa, Simone e o marido, Thiago, ajudaram a filha a encontrar novas formas de enfrentar e enxergar o problema. 

Foi a partir desse momento que surgiu a ideia de escrever o livro. “Vou fazer para as crianças que têm uma parte do corpo diferente, mas também para pessoas normais que não sabem lidar com quem é assim”, pensou Beta, na época. O diário das minhas mãozinhas narra a história da menina, relatando a preocupação de seus pais quando souberam da brida amniótica até os dias de hoje, além das participações de seus familiares e amigos que fazem parte de sua jornada. “O livro foi escrito à mão e depois passado para o computador. Conversei com uma editora e eles decidiram publicar”, lembra a mãe.

Ao longo da construção do livro, Beta, que hoje está com 8 anos, começou a fazer muitas perguntas sobre seu nascimento à mãe. “Ela me pedia para contar o que eu senti quando descobri sobre suas mãos. Para a gente, foi muito interessante poder mostrar que o amor por ela sempre foi e será o mesmo”, diz Simone.

(Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

Através de um relato lúdico, leve e cheio de afeto, Beta busca tanto ajudar crianças e adultos a lidar com as diferenças, quanto mostrar às crianças diferentes que elas não estão sozinhas. O livro foi lançado no mês de agosto, na Livraria Cultura de Porto Alegre, cidade em que a família mora. “Antes do lançamento, ela estava muito nervosa, mas depois foi inacreditável. A Beta amadureceu, conseguiu colocar tudo para fora através das palavras e percebeu que é muito mais do que somente sua mão”, conta Simone.

O livro também traz depoimentos e exercícios que buscam trabalhar a empatia e a aceitação em seus leitores. “Dessa forma, a Beta transformou sua própria história em uma forma de ajudar as pessoas e transformar o mundo em um lugar mais feliz”, explica Simone.

E apenas com três meses de vida, O diário das minhas mãozinhas já está mostrando belos resultados, tanto para Beta quanto para os leitores. “Muitas famílias me ligaram e recebemos mensagens de pais contando sobre o quanto as crianças estão conseguindo lidar melhor com seus problemas. E depois do livro, diminuíram muito os comentários negativos e situações que aconteciam com ela”, comemora Simone.

Serviço:

O diário das minhas mãozinhas, Sinopsys Editora, 38 reais. 

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