Criança

Aprenda como ensinar que as coisas custam caro para o seu filho

Nossa colunista, Patrícia Broggi, te ajuda nessa missão

Nathália Martins

Nathália Martins ,Filha de Sueli e Josias

(Foto: iStock)

(Foto: iStock)

Patricia Broggi, mãe de Luca e Tiago, colunista da nossa revista, fala sempre de economia com a gente e dessa vez mostra como a conscientização começa nas pequenas coisas e dentro de casa.

“Algumas situações práticas são perfeitas para passar a bola ao seu filho e fazer com que ele aprenda um pouco sobre valorizar seu dinheiro. No livro “Educando seu Bolso”, da Editora Gutenberg, um dos autores, Ewerton Veloso, conta um episódio com sua filha que achei um ótimo exemplo disso. Parênteses aqui, o livro todo é bacana e tem muitas informações. Eu recomendo!

Voltando ao Ewerton, ele foi com a filha de 10 anos em um daqueles espetáculos de patinação e no intervalo a menina pediu uma pipoca. Quando foram comprar, tiveram uma surpresa: os pacotes custavam de R$ 30 a R$ 40 reais (!!!). Tanto ele, quanto ela ficaram chocados. Na sequência, ele conta sobre a dúvida quanto a comprar ou não.

O Ewerton é muito preocupado em ensinar o valor do dinheiro para a filha e essa poderia ser uma boa oportunidade. No final das contas, ele acabou comprando porque tinha fila e teve de tomar uma decisão rápida – ele não é bom com isso. Mas eles ficaram tão espantados com o preço, que até a menina fez graça dizendo que aquele temperinho em cima da pipoca devia ser ouro para ter custado tanto.

A história não estaria aqui se não fossem as considerações – muito interessantes – que ele levantou depois. A que eu achei mais importante, foi que ele se arrependeu em não ter passado a bola para a garota decidir e ter perguntado: “Filha, essa pipoca é muito cara! Pense um pouco o que você prefere fazer: 1. Guardar o dinheiro e fazer uma pipoca em casa, mais tarde; 2. Guardar o dinheiro e usar para comer um sanduíche, depois do espetáculo; 3. Comprar a pipoca e pronto”. A ideia seria a criança fazer a escolha, para ver se ela já tem noção de como usar seu dinheiro da melhor maneira.

Pensei, então, quantas vezes não passamos por situações parecidas e nem consideramos dar a responsabilidade para nossos filhos? Tenho certeza que seriam ótimas chances de ensinar o mais proveitoso. Pensei em alguns exemplos:

Material escolar: ele pode escolher reutilizar os cadernos do ano anterior e dividir o que seria gasto com os pais, ou pode comprar materiais novos;

Lancheira: ele pode levar o lanche feito em casa, geralmente mais barato, e ficar com o dinheiro para ele. Ou gastar na escola e pronto. Outra opção é fazer um misto, alguns dias levar de casa e outros comprar. Sempre ficando com a diferença.

Na praia: você pode oferecer um sorvete lá mesmo, que é mais caro; um picolé mais barato na padaria e ele ficar com a diferença; ou ele pode não comprar e guardar o dinheiro. Dá pra fazer isso em quase todo tipo de compra e vocês podem avaliar juntos. No final, pode acontecer dele escolher o mais caro mesmo. Mas o mais importante é ensinar que existem alternativas e que sempre dá para pensar na melhor opção – mesmo que seja a compra de um saco de pipoca!”

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