Criança

As crianças estão cada vez mais alérgicas e o motivo tem tudo a ver com o século XXI

Os estudos mostram que os hábitos têm grande influência no resultado

Yulia Serra

Yulia Serra ,filha de Suzimar e Leopoldo

O maior aumento foi das alergias alimentares (Foto: Getty Images)

As reações alérgicas têm apresentado dados cada vez mais altos ao redor do mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial sofre com alguma alergia e prevê que esse número alcançará 50% até o fim deste século. 

Estudos provaram que as crianças são as principais afetadas pela doença, representando 20% deste número, já que estão com o sistema imunológico em fase de desenvolvimento. Por isso, é importante ficar alerta. 

Os primeiros meses do bebê desempenham papel fundamental, uma vez que é quando acontece o primeiro contato do bebê com os micro-organismos, que podem desencadear ou provocar as reações, variando entre os graus leve e grave. 

O tipo que tem chamado mais atenção dos especialistas, é alergia alimentar, por ser a que mais cresceu nos últimos anos, atingindo 6% das crianças de até 3 anos, segundo a Associação Brasileiro de Alergia e Imunologia (Asbai).

Embora essa seja a que mostre um número mais expressivo, não foi a única que aumentou. As alergias dermatológicas e respiratórias também apresentaram um crescimento. Isso é alarmante, porque afeta a qualidade de vida dos pacientes. 

 

Colocando os pingos nos Is

Mas afinal, o que causa essas doenças e o que pode explicar esses dados? Para responder essa pergunta, primeiro, é preciso entender o que são as alergias, uma condição em que o organismo não reage de maneira normal em contato com uma substância estranha. 

O que causa a reação alérgica, contudo, não é a presença desse micro-organismo em si, mas da reação do corpo em relação a ele, quando libera uma quantidade de anticorpos maior do que necessária para se defender de uma substância inofensiva. 

As alergias têm causas genéticas e ambientais. Aquelas representam apenas 10 a 40% do grupo. Assim sendo, os pesquisadores entendem que o aumento de casos está relacionado a algumas mudanças de hábito:

  • Aumento dos cuidados com a higiene: cada vez mais os pais limitam o contato da criança, garantindo um lugar superlimpo, reduzir o tempo brincando com animais. A falta desse contato interfere na resposta imunológica mais tarde. 
  • Uso exagerado de antibióticos: essa quantidade desnecessária causa um desequilíbrio da flora intestinal e, consequentemente, afeta todo o corpo. 
  • Crescimento de partos cesárea: ao nascer de parto normal, o bebê já tem contato com algumas bactérias da mãe e cria resistência a elas.
  • Exposição ao cigarro/poluição: já que essas substâncias presentes neles irritam o nariz, conseguindo penetrar com maior facilidade e em maior quantidade no corpo.
  • Maior consumo de alimentos industrializados: que contém essas substâncias estranhas que desencadeiam as reações. 

 

As mudanças do mundo moderno tiveram um efeito enorme na população e principalmente na nova geração, tornando as alergias uma epidemia, que se não bem cuidada, pode levar à morte nos casos mais graves. Isso se reflete nos dados da ONG Food Allergy Research & Education, em que 1 pessoa procura a emergência de um hospital a cada 3 minutos, por conta das reações. 

 

Só um médico pode confirmar

É importante destacar que procurar um médico especialista é sempre a melhor opção na dúvida. Desde o diagnóstico até os cuidados ao longo do tempo, tanto preventivos quanto em relação ao tratamento.

O achismo não é suficiente nesses casos e é fundamental investigar para poder seguir com o melhor acompanhamento possível. Se o seu filho apresenta sintomas que se encaixam no perfil das alergias, vá ao hospital. 

Com essa confirmação, é possível fazer a prevenção correta. Elas variam de acordo com o tipo de alergia. Resumindo, a melhor forma de fazer esse cuidado é antecipando o contato com substâncias que podem levar a reações alérgicas.

Quanto antes isso for feito, melhor, já que quanto mais nova a criança for, melhor dá para preparar o sistema imunológico. Desde o contato com animais para doenças respiratórias quanto um cuidado com aleitamento materno e introdução alimentar nos casos de alergias alimentares.  

Se o seu filho estiver no meio de uma crise alérgica, vale ressaltar que a primeira medida a ser deve ser afastá-lo do que está causando aquele problema. Depois de sair do foco, procure o especialista. 

Esse sempre deve ser sempre o caminho. Se você percebe os sintomas, busque informação e nada melhor do que um profissional para te indicar a melhor opção para garantir a segurança e saúde do seu filho. 

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