Caso Miguel: menino era obrigado a escrever ofensas para si mesmo em caderno

A criança de 7 anos foi medicada pela mãe e teve corpo jogado no rio. Ele sofria torturas físicas e psicológicas dentro de casa

Resumo da Notícia

  • Miguel foi medicado pela mãe e teve o corpo jogado em um rio, no Rio Grande do Sul
  • A mãe e a companheira torturavam o menino fisicamente e psicologicamente
  • Ele era obrigado a escrever frases ofensivas em um caderno
  • Os bombeiros estão no sétimo dia de buscas pelo corpo da criança

Na última quinta-feira, 29 de julho, o menino Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos, foi medicado pela mãe Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues e teve o corpo jogado no rio Tramandaí, em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A polícia encontrou um caderno com frases ofensivas que, de acordo com investigações, foram escritas pela criança que obedecia a ordem da mãe.

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Miguel foi morto pela mãe e teve corpo jogado no rio (Foto: Reprodução/ G1/ RBS TV)

Segundo o portal G1, o delegado Antonio Carlos Ractz,  responsável pelo caso, contou que Miguel era obrigado a copiar frases como “eu sou um idiota”, “não mereço a mamãe que eu tenho”, “eu sou ruim”, “eu não presto” e “eu sou um filho horrível”. Um caderno foi encontrado em um dos apartamentos onde o menino morou com a mãe, no Balneário de Santa Terezinha, e outro no centro de Imbé. A polícia também encontrou uma corrente, que seria utilizada para manter a criança presa dentro do armário e impedir qualquer tentativa de fuga.

O menino era obrigado a escrever frases ofensivas para si mesmo no caderno (Foto: Reprodução/ G1/ Polícia Civil)

Entenda o caso

Na madrugada da última quarta-feira, 28 de julho, Yasmin, de 26 anos de idade, deu vários remédios ao filho Miguel e o colocou dentro de uma mala. Em um depoimento, a mãe informou à polícia que, naquele momento, não sabia se o menino estava vivo ou morto.

Antonio Carlos Ractz, o delegado que está investigando o caso, explicou: “Para fugir, com medo da polícia, saiu de casa, pegando ruas de dentro, não as avenidas principais, levou a criança dentro de uma mala na beira do rio, e jogou o corpo. Repito, ela não tem convicção de que o filho estava morto”.

Na noite de quinta-feira, 29 de julho, ela foi até a delegacia registrar o desaparecimento do filho. O delegado disse: “Ao anoitecer de ontem [quinta], a mãe dessa criança, com a sua companheira, procurou a DPPA [Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento] de Tramandaí, a fim de registrar uma ocorrência policial de desaparecimento de seu filho. Alegou que o filho havia desaparecido há dois dias e que ainda não havia procurado a polícia porque pesquisou no Google e viu que teria que aguardar 48h. E começou a apresentar uma série de contradições, o que levou desconfiança da BM e PC”.

As investigações policiais levaram a conclusão de que o menino sofria maus-tratos e violência psicológica tanto da mãe quanto da companheira Bruna Nathieli Porto da Rosa. Ao ser procurada e questionada pelo delegado responsável, Yasmin teria admitido o crime. Antonio Carlos contou que a suspeita não demonstrava nenhum sentimento pelo filho, e sua maior preocupação parecia ser com a companheira, e não com a criança. Ele afirmou: “Ela tem um perfil de psicopata. Durante toda a minha carreira, eu não havia me deparado com alguém tão frio”.

Sétimo dia de buscas

Os bombeiros seguem na busca pelo corpo de Miguel. A procura começou no Rio Tramandaí a partir da denúncia do desaparecimento da criança. Foram usadas motos-aquáticas, botes, lanchas e um drone para identificar os locais de mais difícil acesso. A equipe acredita que o menino tenha sido levado para o mar, onde o rio desemboca, devido à vazante.

As buscas chegam ao sétimo dia nesta quarta-feira, 4 de agosto, e são realizadas entre a praia de Tramandaí e a cidade de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. O comandante do CBM de Tramandaí, Elísio Lucrécio, disse: “Hoje [quarta-feira, 4 de agosto] as nossas buscas se manterão na orla, deslocamento pela areia e visualização do mar com o drone. Água do mar com boa visualização, nível do rio e lagoa muito baixos”.

O tenente também informou que estão sendo feitas buscas em locais próximos à casa onde a família morava. Ele contou: “A gente não descarta a possibilidade dela ter largado essa criança em outro lugar. E também não descartamos a ideia de que, aquela criança talvez não coubesse dentro da mala. Então tem outras linhas de atuação sendo vistas. Mas são locais de difícil acesso, com mato fechado, lodo”.

A Marinha, da Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar e da Polícia Civil, também apoia os bombeiros. A equipe pede a ajuda de pescadores da região, que eventualmente podem avistar o corpo do menino no mar.

Chinelos infantis foram encontrados por um pescador (Foto: Reprodução/ G1/ RBS TV)

Nesta segunda-feira, 02 de agosto, um pescador encontrou na rede um par de chinelos infantis. No entanto, a mãe da criança, que está presa em uma penitenciária do Litoral Norte, disse à polícia que não se lembrava qual calçado o filho usava no momento do crime.