Caso Miguel: Sexto dia de buscas pelo corpo do menino de 7 anos que foi jogado no rio pela mãe

A criança sofria torturas físicas e psicológicas dentro de casa. Os bombeiros, a Marinha e a Polícia Civil se uniram para procurar o garoto no Rio Grande do Sul

Resumo da Notícia

  • Miguel foi medicado pela mãe e teve o corpo jogado em um rio, no Rio Grande do Sul
  • A mãe e a companheira torturavam o menino fisicamente e psicologicamente
  • Os bombeiros ainda não encontraram o corpo do Miguel
  • As buscas já estão no sexto dia consecutivo

Nesta terça-feira, 3 de agosto, completou-se o sexto dia consecutivo das buscas pelo corpo de Miguel dos Santos Rodrigues, de 7 anos. O menino foi medicado pela mãe Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues e teve o corpo jogado no rio Tramandaí, em Imbé, no Rio Grande do Sul.

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Miguel foi morto pela mãe e teve corpo atirado no Rio (Foto: Reprodução/ G1/ RBS TV)

As buscas começaram na quinta-feira, 29 de julho, após Yasmin ter confessado o crime. Ela e a companheira, Bruna Nathieli Porto da Rosa, que está sendo investigada por suspeita de participação de tortura contra o menino, foram presas temporariamente nesse domingo, 1º de agosto.

Devido ao curso do rio desaguar no oceano, agora os agentes do Corpo de Bombeiros de Capão da Canoa e de Torres procuram o corpo de Miguel nas praias ao longo do Litoral Norte do RS. Ao portal G1, O comandante dos bombeiros de Tramandaí, Elísio Lucrécio informou: “Nenhuma informação de pescadores e nem de populares. Continuamos pela orla com as equipes, também operando com o drone”.

Os bombeiros acreditam que o corpo possa estar no mar, já que a vazante e o volume da água no rio foram muito fortes. Elísio Lucrécio, explicou: “A correnteza do rio está forte, continua mandando água para fora, em direção ao mar. Já será o terceiro dia de vazante. Então isso também diminui as nossas chances de o menino ainda estar na lagoa, estar no rio”.

Bombeiros chegam ao sexto dia consecutivo das buscas pelo corpo de Miguel (Foto: Reprodução/ G1/ Corpo de Bombeiros)

Eles trabalham com o apoio de aeronaves, drones e embarcações, além do auxílio da Marinha, da Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar e da Polícia Civil. A equipe também pede a ajuda de pescadores da região, que eventualmente podem avistar o corpo do menino no mar. O comandante da CBM  de Tramandaí disse: “A gente pede para os pescadores e também à população se, deparando-se com algum objeto ou alguma coisa flutuante que possa ser comparado ao corpo de uma criança, que nos ligue. A gente, de imediato, vai fazer a vistoria in loco”.

Alertas para embarcações foram disparadas, para que todos fiquem atentos a algum sinal do corpo do garoto no mar. Cerca de 16 homens, entre mergulhadores e bombeiros atuam na operação em busca de Miguel.

Entenda o caso

Na madrugada da última quarta-feira, 28 de julho, Yasmin, de 26 anos de idade, deu vários remédios ao filho Miguel e o colocou dentro de uma mala. Em um depoimento, a mãe informou à polícia que, naquele momento, não sabia se o menino estava vivo ou morto.

Antonio Carlos Ractz, o delegado que está investigando o caso, explicou: “Para fugir, com medo da polícia, saiu de casa, pegando ruas de dentro, não as avenidas principais, levou a criança dentro de uma mala na beira do rio, e jogou o corpo. Repito, ela não tem convicção de que o filho estava morto”.

Na noite de quinta-feira, 29 de julho, ela foi até a delegacia registrar o desaparecimento do filho. O delegado disse: “Ao anoitecer de ontem [quinta], a mãe dessa criança, com a sua companheira, procurou a DPPA [Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento] de Tramandaí, a fim de registrar uma ocorrência policial de desaparecimento de seu filho. Alegou que o filho havia desaparecido há dois dias e que ainda não havia procurado a polícia porque pesquisou no Google e viu que teria que aguardar 48h. E começou a apresentar uma série de contradições, o que levou desconfiança da BM e PC”.

Ao ser procurada e questionada pelo delegado responsável, Yasmin teria admitido o crime. Antonio Carlos contou que a suspeita não demonstrava nenhum sentimento pelo filho, e sua maior preocupação parecia ser com a companheira, e não com a criança. Ele afirmou: “Ela tem um perfil de psicopata. Durante toda a minha carreira, eu não havia me deparado com alguém tão frio”.

Em depoimento, a mãe teria alegado que o filho era fruto de um estupro, mas a polícia desconfia da alegação, já que ela morava com o namorado na casa dos próprios pais.