Criança

Como ensinar seu filho que ir ao cinema não é barato

É bom que as crianças façam escolhas, não ofereça tudo de mão beijada

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

EDUCAR NA PRATICA

(Foto: iStock)

Nossa colunista e embaixadora Patrícia Broggi, mãe de Luca e Tiago, escreve sobre como você pode economizar de maneira prática na coluna “Falando de grana”. Para a edição de julho ela falou sobre deixar a criança escolher:

“O melhor jeito de educar os filhos é na prática. O bom é que, como vivem conosco e compartilhamos vários momentos juntos, fica fácil usar exemplos do dia a dia para ensinar. Quer um bem básico? Uma ida ao cinema. Pode ser uma verdadeira aula de economia.

Tudo começa com o tipo de cinema. Eu sei que nossos filhos estão acostumados com tecnologia, realidade virtual e outras coisas mais. Portanto, você pode pensar em ir à sala vip, com oitocentos D, experiência sensorial, lanche servido por garçom… Mas será que precisa? Será que uma simples sala de cinema já não cumpriria com a função?

Acho que a opção alfa-mega-plus vale se for para combinar uma celebração, tipo uma exceção. Sei que da época em que eu assistia seriados em branco e preto na primeira tevê de casa até hoje a tecnologia sofreu uma transformação e tanto. Mas era emocionante daquele jeito. O cinema básico também vai ser, se a história contada nele falar ao coração ou à emoção dos seus pequenos (e você economiza um bocado).

Aliás, o ato de comprar em si também é um ensinamento. Por exemplo, dá para ir até o cinema e não pagar a taxa de entrega dos sites de compras. Caso seja um daqueles filmes que você compra o ingresso e pode pagar um pouco a mais para levar um brinde de promoção, mostre a opção ao seu filho e decidam juntos se vale a pena aquele gasto a mais, afinal será que ele vai usar o objeto? Não seria melhor guardar para usar em outro ingresso?

Chegou no cinema, encarar a pipoca é outra lição. Na minha casa a gente fazia uns combinados. Algumas vezes eu dizia: ‘Vai ser só filme, a mamãe não tem dinheiro para o filme e lanche’, só para eles entenderem que aquilo tinha um custo, que não era assim, comprar e pronto. Para aprenderem a dar valor. Aí, quando eu falava, ‘Hoje podemos comer alguma coisa’, meus filhos comemoravam e já negociavam o lanche. Porque comprávamos um e dividíamos entre todos.

Muitas vezes os cinemas oferecem combo de pipoca e refrigerante, aí fazíamos a conta do que valia mais a pena. Geralmente pedir um tamanho grande é mais barato do que cada um pedir o seu. Outras vezes um escolhia um salgado e o outro um doce e dividiam irmãmente. Na maioria das ocasiões em que liberei o lanche eu fazia com que eles escolhessem: pipoca ou bala? Sempre que possível é bom que os filhos façam escolha, não oferecer tudo de mão beijada, como se fosse normal. Mesmo que para você aquele valor não faça diferença.

Muitas vezes o Luca e o Tiago foram ao cinema com amigos cujos pais liberavam tudo, eles voltavam para casa maravilhados (‘Pude pedir um combo e mais balas!’), eu ficava feliz por eles, porque deram valor àquela ocasião especial. Mas ficava ainda mais feliz quando alguns amiguinhos deles iam comigo ao cinema e já iam pedindo lanche como se fosse minha obrigação comprar, e meus filhos mesmos respondiam ‘pera aí, se minha mãe for comprar o lanche desta vez, precisamos decidir juntos o que comprar, para dividirmos’.

Minha ideia, sempre, é fazer os filhos terem noção de que shopping + cinema + lanchinho faz parte de um programa muito gostoso, mas que tem um custo. É preciso saber fazer as escolhas certas e dar valor à ocasião.”

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