Como fazer seu filho pedir desculpas (e realmente ser sincero!)

Não é apenas sobre falar “me desculpe”, mas sim sobre o real significado e sentido dessa atitude. Então, não apenas force seu filho a se desculpar, ensine-o a ser honesto sobre como ele se sente

Resumo da Notícia

  • Não é apenas sobre falar as palavras "me desculpe" sempre que fizer algo errado ou magoar alguém
  • O que realmente importa é entender o motivo de ter sido algo ruim a ser feito ou digo e sentir que deve desculpas à pessoa
  • Para ensinar esse comportamento de empatia e resiliência ao seu filho, separamos algumas dicas - e já adiantamos: o exemplo é tudo!

Atire a primeira pedra quem nunca se viu dizendo para o próprio filho pedir desculpas imediatamente por algo que ele falou ou fez – mesmo que ele não quisesse realmente se desculpar por aquela situação. Nesse caso, o que acontece é que a criança pode até falar para se resolver com os pais, mas muitas vezes nem sabe qual o motivo de precisar dizer que sente muito.

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Os especialistas explicam que o que é importante não é simplesmente dizer as palavras, mas aprender a assumir a responsabilidade por um erro. “As crianças podem resistir a pedir desculpas porque acreditam que o erro não foi culpa delas”, diz Ericka Anderson, uma conselheira profissional licenciada no The Healing Grove, um centro médico em Glenwood Springs, no Colorado. Por isso é tão importante ensinar seu filho a assumir as responsabilidades e consequências dos próprios atos.

“As crianças precisam ter certeza de que, embora tenham se comportado mal, não são ‘maus’ e ainda são amadas”. Ao dividir o processo de desculpas em algumas etapas, você pode ajudar seu filho a entender como suas ações afetam os outros e a saber quando fazer as pazes.

Não é apenas sobre falar as palavras “me desculpe” sempre que fizer algo errado ou magoar alguém. O que realmente importa é entender o motivo de ter sido algo ruim a ser feito ou digo e sentir que deve desculpas à pessoa (Foto: iStock)

Dê um passo para trás

Seu filho está tendo um desentendimento com um amigo e o empurra no calor do momento. Em vez de entrar correndo e exigir um pedido de desculpas, ajude seu filho a se acalmar primeiro. “Se você insistir que ele peça desculpas quando ainda está chateado, ele não vai entender como seu comportamento afeta os outros”, diz Jennifer Kirk, Doutora em Psicologia, psicóloga da Kirk Neurobehavioral Health, uma clínica em Louisville, no Colorado.

À medida que a criança aprender a ter empatia, começará a sentir e a apreciar a dor que suas ações podem causar aos outros. Isso pode provocar remorso, o que ajudará ela a lidar melhor com conflitos no futuro. Se a raiva do seu filho é dirigida a você – ele grita quando você pede que ele arrume a mesa, por exemplo – se você responder apenas com um: ‘não é assim que se fala, peça desculpas agora’, só vai piorar a situação e fazê-lo se sentir mal por ter sido repreendido, em vez de se sentir mal por ser rude com você. “Diga algo como: ‘Isso me magoa. Eu te amo, mas vamos nos separar alguns minutos e voltar mais tarde’”, Dr. Kirk aconselha.

Reveja o que aconteceu

Depois que seu filho se acalmar, você pode falar sobre como o comportamento dele afeta os outros. “Faça perguntas que ajudem ele a ver como a outra pessoa se sentiu, como: ‘Como você se sentiria se isso acontecesse com você?'”, Dr. Kirk sugere. Você também pode ajudá-lo a se lembrar de alguma ocasião em que ele passou por uma situação semelhante. “Lembra como você ficou triste quando João gritou com você? Isso pode ser como Maria se sente agora”.

Então, vocês podem trabalhar juntos para pensar em maneiras melhores de resolver o conflito. “Pergunte ao seu filho: ‘O que você poderia ter feito diferente?’; ou ‘O que funcionaria melhor da próxima vez?’, assim você consegue ajudá-lo a pensar sobre o que aconteceu”, Dr. Kirk recomenda. Se seu filho ficou chateado com o irmão por não compartilhar um brinquedo e o jogou pela sala, lembre-o de que da próxima vez ele poderia sair da sala ou dizer: “Por favor, não faça isso”.

Para ensinar ao seu filho o senso de empatia e resiliência antes de sair falando desculpas sem realmente sentir isso, separamos algumas dicas – e já adiantamos: o exemplo é tudo! (Foto: Getty Images)

Dê o exemplo

Uma das ferramentas de ensino mais poderosas que você tem é o seu próprio comportamento. “Seu filho está observando tudo o que você faz”, diz o Dr. Kirk. Se você gritou com seu filho quando ele interrompeu uma conversa, pode dizer: “Desculpe por não responder de uma maneira melhor. Na próxima vez, vou respirar fundo para me acalmar quando estiver me sentindo frustrada”. Este pedido de desculpas modela os passos que você está tentando ensinar a ele: assumir a responsabilidade e desenvolver um plano para a próxima vez. Ao ver esse processo em ação repetidamente, ele vai internalizar as suas palavras e o significado por trás delas.

Trabalhe com correções

Ações concretas dão mais significado às desculpas para crianças dessa idade. Se seu filho chamar a amiga de um nome maldoso, você pode perguntar: “O que você pode fazer para que ela se sinta melhor?”. Ele pode sugerir fazer um desenho, dar um abraço ou se oferecer para compartilhar um brinquedo especial. Assim como pedir desculpas, esses gestos ajudam a criança a aprender a ser responsável por corrigir seus próprios erros.

Claro, ela ainda pode se recusar a pedir desculpas, mesmo que você a tenha orientado para uma resposta apropriada. Nesse sentido, você pode decidir evitar uma briga pelo poder, sabendo que outra oportunidade de se desculpar vai aparecer. Mas se você pedir a ele para pedir desculpas e ele fizer, elogie depois, dizendo: “Você deveria se sentir orgulhoso por fazer seu amigo se sentir melhor!”.