Crianças em casa: Sociedade Brasileira de Pediatria cria guia para ajudar você e seu filho durante a quarentena

Isolamento não é férias. Para te ajudar a passar por esse momento (que não está sendo fácil para ninguém), confira as dicas de pediatras que irão melhorar a relação com toda a família

Resumo da Notícia

  • Com os filhos em casa e sem uma rede de apoio, os pais precisam se desdobrar para dar conta de todas as tarefas do dia a dia
  • Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) criou um documento com recomendações para te ajudar nessa fase
  • Lembrando que quarentena não é férias e, sim, é necessária para todos como medida de prevenção
A Sociedade Brasileira de Pediatria fez recomendações para os pais lidarem com as crianças durante a quarentena (Foto: Getty Images)

Se não está sendo fácil para você aguentar essa quarentena, imagine para o seu filho. Por essa questão, é fundamental conversar com a criança sobre o coronavírus, claro de maneira lúdica de acordo com a idade de cada uma, para que entendam a necessidade desse isolamento. Para te ajudar nesse papo, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento científico com orientações aos pais e responsáveis, trata-se de um guia sobre como lidar com o seu filho durante o confinamento. 

Elaborado pelo Departamento Científico (DC) de Desenvolvimento e Comportamento da SBP, a publicação aponta uma série de recomendações práticas para as famílias que ainda não conseguiram organizar a nova rotina no dia a dia. “Os filhos não estão indo às escolas, por isso, a tarefa de cuidar deles passou a ser em tempo integral. Além disso, no atual cenário, os avós não podem contribuir com o monitoramento das crianças e os pais precisam lidar com os afazeres da casa e, ao mesmo tempo, trabalhar em esquema de home office”, pontua dra. Liubiana Arantes de Araújo, presidente do DC de Desenvolvimento e Comportamento da SBP. 

 

Estresse tóxico

Segundo ela, esse contexto levanta um sinal de alerta para o “estresse tóxico”, porque, caso os pilares de saúde dos filhos não sejam respeitados, pode fazer com que a alta tensão em casa gere diferentes transtornos. O que isso significa? Que as adversidades vividas na infância resultam na alteração do nível de alguns hormônios, como cortisol e adrenalina, podendo, de acordo com a frequência e intensidade desses momentos, causar danos ao cérebro da criança. 

Para evitar o estresse em casa, confira o guia da SBP (Foto: Getty Images)

A situação pode gerar várias consequências em curto prazo, como maior irritabilidade, piora da imunidade e transtornos do sono. Já em médio e longo prazo, pode resultar em atrasos no desenvolvimento, transtorno de ansiedade, depressão, queda no rendimento escolar e estilo de vida pouco saudável na vida adulta. Uma vez que os pais são a principal referência dos filhos, é importante que também sigam as mesmas regras e sejam o exemplo. 

 

Para anotar no bloquinho

Baseando-se em estudos da Neurociência e outras publicações científicas recentes, a SBP indica algumas medidas para os pais terem com as crianças ao longo do isolamento, com objetivo de evitar que as complicações citadas acima possam surgir ou se agravar:

  • Os adultos devem discutir em conjunto as atividades prioritárias do dia a dia e estabelecer horários para realizar as tarefas e obrigações. Os afazeres devem ser preferencialmente intercalados de forma que as crianças recebam atenção e permaneçam sob supervisão, quando necessário.
  • É fundamental realizar o planejamento da agenda dos filhos – sempre em comum acordo com as crianças – e incentivar o equilíbrio de horários para manter em dia as atividades de estudo e leitura, exercícios físicos, sono e ócio criativo.
  • O tempo de tela deve respeitar os limites definidos pela SBP para cada faixa etária. Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente.
  • Inserir as crianças e adolescentes nas tarefas domésticas respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um.
  • Incluir também na agenda momentos para que a família possa estar unida de forma alegre e prazerosa. Tente realizar as refeições junto.
  • Intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia e, se possível, fazer as atividades em conjunto, com a participação de pais e filhos. Estimule a criatividade: criar circuitos com travesseiros e garrafas plásticas; pular corda; dançar; artes marciais, dentre outros.
  • Usar a tecnologia a favor de todos. Estimular os avós a terem conversas – por videoconferência – alegres, com momentos de descontração. Visualizar os avós em boa saúde pode tranquilizar as crianças.
  • Os pais devem ensinar como higienizar corretamente as mãos, proteger o rosto ao espirrar ou tossir e evitar o contato físico. Esses cuidados devem ser um hábito diário, mesmo após a pandemia acabar. As orientações podem ser fornecidas por meio de ferramentas lúdicas, como músicas, leituras e brincadeiras.
  • É necessário conversar sobre a situação atual, com linguagem simples e adequada a cada idade. As informações devem ser transmitidas de forma tranquila para evitar medo, ansiedade e elevação do estresse. Importante ressaltar que as medidas atuais são formas de prevenção e a expectativa é de bons desfechos.
  • Os pais devem fornecer condições, a partir de um ambiente acolhedor e de apoio mútuo, para que os filhos expressem seus sentimentos e suas dúvidas.
  • Importante reservar um a dois momentos do dia para que os adultos possam se atualizar em relação às informações, sem expor as crianças a conteúdos inadequados.
Seguindo essas dicas da Sociedade Brasileira de Pediatria, o convívio ficará mais fácil durante o isolamento (Foto: Getty Images)

Mais uma vez vale reforçar que quarentena não é férias, mas uma situação que merece atenção e vai passar. “A necessidade de permanecer em casa é uma medida extrema que modificou completamente o funcionamento da vida das famílias. Nesse período, reforçamos a importância dos pais estarem atentos às recomendações da SBP e, caso necessário, entrar em contato com o pediatra da família para tirar dúvidas – mesmo que à distância – e evitar efeitos prejudiciais à saúde e bem-estar das crianças”, conclui.

 

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