Criança

Dia Mundial do Vegetarianismo: as crianças podem seguir esse estilo de alimentação?

Segundo entidades médicas, pode sim! Mas é importante ter sempre um cardápio equilibrado para evitar as deficiências nutricionais



Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

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Cada vez mais pessoas estão se tornando vegetarianas, seja por motivos de sustentabilidade, de saúde ou pela defesa dos animais. De acordo com uma pesquisa do IBOPE para a Sociedade Brasileira Vegetariana (SBV), quase 30 milhões de brasileiros optam por esse tipo de alimentação.

Em relação à nutrição, os benefícios da alimentação vegetariana para a saúde são cada vez maiores e estão sendo reconhecidos por grandes organizações – como a Organização Mundial de Saúde (OMS), que se pronunciou sobre os riscos do consumo elevado de carnes. Em 2015, por exemplo, a OMS classificou as carnes processadas como produtos que podem estimular o aparecimento de câncer.

E as crianças também andam aderindo ao vegetarianismo. Quem nunca escutou dos filhos, primos ou sobrinhos que nunca comeriam os “bichinhos” tão amados? Segundo uma pesquisa do Ibope, 15,2 milhões de brasileiros com mais de 18 anos se declaravam vegetarianos em 2012. Por isso, é muito provável que os descendentes de toda essa gente sejam criados seguindo os hábitos alimentares dos pais. Mas fica sempre a pergunta: será que essa é realmente uma dieta apropriada para quem está em plena fase de desenvolvimento?

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Para a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as crianças podem, sim, ser vegetarianas. E a entidade não está sozinha nessa posição: a Associação Dietética Americana, a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria pensam da mesma maneira. 

Na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, a escola primária Active Learning Elementary School foi a primeira a adotar o cardápio vegetariano, depois de observar a preferência dos alunos por essas refeições. A escolha teve a aprovação dos pais e, de 400 crianças, 90% aderiram. A proposta foi adotar uma dieta mais saudável, sem perder nutrientes que são encontrados nas carnes, principalmente nesta fase de crescimento. O cardápio inclui feijão, queijo, tofu, grão-de-bico e molho de gergelim. 

Os alunos também podem levar o seu próprio lanche. Isso significa que as crianças que optaram por não tirar a carne da lancheira podem continuar com o seu almoço normalmente. O que foi observado pelos professores foram notas mais altas no boletim dos vegetarianos, além de uma maior capacidade de concentração.

“No caso dessa escola, eles reduziram o consumo (de proteínas animais) e substituíram por proteínas vegetais, sem trazer nenhum risco de déficit proteico. Sabemos que a falta de proteínas prejudica a produção de dopamina e adrenalina e, consequentemente, falta de energia e diminuição no estado de alerta”, explica a nutricionista Elaine de Pádua, colunista da Pais&Filhos, mãe de Isabella e Rafaella, autora do livro “O Que Tem no Prato do Seu Filho? – Um Guia Prático de Nutrição Para os Pais”.

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Fique ligado no cardápio no seu filho

Não é por adotar uma dieta vegetariana que a criança será mais saudável. “O maior risco de deficiência neste caso seria de vitamina B12 e ferro. Assim como qualquer dieta tradicional, as dietas vegetarianas podem ser ou não adequadas do ponto de vista nutricional. Isto vai depender da qualidade e quantidade dos alimentos que compõem o cardápio”, explica a nutricionista.

Então, se as crianças vegetarianas forem alimentadas com atenção, o crescimento será normal. Além disso, estudos da Associação Dietética Americana e da Academia Americana indicam que uma dieta vegetariana de qualidade pode prevenir doenças como hipertensão, diabetes, sobrepeso e até câncer. A justificativa é a baixa quantidade de gordura saturada e colesterol em verduras e legumes.

“O fato de uma dieta ser vegetariana não significa que ela é mais saudável do que uma não vegetariana. Para que isso aconteça de fato, ela deve ser planejada cuidadosamente de modo a fornecer as quantidades necessárias de carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e sais minerais”, defende Elaine. Ou seja, não é só eliminar a carne: é preciso reformular completamente o cardápio.

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O risco

Se a dieta não for balanceada, pode afetar negativamente a saúde das crianças. É necessário substituir a carência de certos nutrientes, como a Vitamina B12. “A B12 é necessária para formar o sistema nervoso nas crianças, age na produção de células novas, na produção do sangue e sua deficiência pode causar anemia”, explica a especialista. Nesse caso, pode ser necessário receber suplementos da vitamina.

Já uma dieta com pouco ferro pode gerar cansaço, fraqueza e também anemia. O efeito seria justamente o contrário: o aluno não teria um bom desempenho escolar e o crescimento também seria afetado. O ferro presente nos vegetais não é tão bem absorvido como os que estão nos alimentos de origem animal. É possível combinar com alimentos ricos em Vitamina C, que auxiliam nesse processo. “Neste caso, inclua no cardápio laranja, acerola, caju, goiaba, maracujá, limão, morango, tomate, entre outros. Evite consumir chá ou café logo após as refeições, já que este hábito pode atrapalhar na absorção do ferro”, orienta.

O cálcio e a Vitamina D também são nutrientes importantes e que estão relacionados à formação dos ossos na adolescência. “O ideal é ingerir alimentos ricos em cálcio que substituem a sardinha em lata, como o tofu, leite de soja enriquecido, feijão, couve-manteiga, brócolis, almeirão, espinafre, agrião, mostarda, rúcula, melado de cana, quinua, aveia, entre outros”, diz Elaine. Para a vitamina D, a opção é tomar sol diretamente na pele cerca de 20 minutos por dia antes das dez da manhã, quando o sol está baixo.

Fique atento ao peso e à estatura da criança para checar se a quantidade de calorias não está sendo prejudicada. Um acompanhamento médico, nessa situação, é o ideal. “É possível conquistar hábitos saudáveis, promovendo um crescimento e desenvolvimento ótimo, desde que haja planejamento na alimentação. Alimentos variados, coloridos e em quantidades ideais, que atendam às necessidades de cada um, seja a criança vegetariana ou não: o equilíbrio é a chave do sucesso”, diz a nutricionista.

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Enriquecendo a dieta

Para evitar a carência de certos nutrientes, siga essas dicas:

  • Enriqueça a salada do seu filho com óleos vegetais de boa qualidade, como o azeite extra virgem, óleo de linhaça, óleo de macadâmia, óleo de gergelim. Você pode fazer um mix de óleos e temperar a salada;
  • Salpique castanha do pará, castanhas de caju, amêndoas sem sal ou nozes em cima de uma salada bem colorida e variada;
  • Sirva leguminosas variadas como o feijão, grão-de-bico, lentilha, soja e ervilha diariamente;
  • Prepare os legumes no vapor para preservar as vitaminas e os minerais;
  • Utilize a semente de linhaça em preparações de shakes, sucos, sopas, tortas e biscoitos;
  • Faça sanduíches com tofu e cenourinhas, tahine, alface picado, patê de soja com rúcula;
  • Ofereça bolinhos de arroz com missô e cebolinha.

5 dicas para melhorar a qualidade nutricional do prato vegetariano

  • Tempere a salada com óleos vegetais, como azeite extravirgem, óleo de linhaça, óleo de macadâmia, óleo de gergelim.
  • Salpique na salada castanha-do-pará, castanha-de-caju, amêndoas sem
    sal ou nozes.
  • Ofereça diariamente leguminosas, como feijão, grão-de-bico, lentilha, soja e ervilha.
  • Prepare os legumes no vapor para preservar os micronutrientes
    (vitaminas e minerais).
  • Utilize a semente de linhaça na preparação de sucos, sopas, tortas, biscoitos etc.

Fique de olho!

A falta de nutrientes na criança pode causar:

  • Dificuldade para começar a falar
  • Mau desempenho na escola
  • Falta de apetite
  • Cansaço excessivo
  • Problemas de memória
  • Infecções de repetição

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