Criança

Diferentes formas de aprender

Descubra qual linha pedagógica mais se parece com o seu filho

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Muito mais do que as instalações bonitas e amplas, as escolas se diferem, principalmente, em seus alicerces, as chamadas linhas pedagógicas.

É aqui que a coisa pega, porque não existe linha pedagógica melhor ou pior, só aquela que tem mais a ver com os valores da família e a personalidade do seu filho. Acontece que a maioria de nós não é exatamente versada em pedagogia.

O melhor jeito de entender como funciona a teoria é mesmo conferir a prática: visitar a escola, assistir a uma aula, ver como os professores lidam com os alunos. Aqui, a gente preparou um guia para você começar o seu caminho.

Tradicional

A linha tradicional fundamenta-se nas ideias do filósofo Hegel (1770-1831), que acreditava que a escola era um espaço em que se transmitem conhecimentos acumulados pelas gerações passadas. Originalmente, essas escolas eram centradas no professor, que expunha oralmente o que sabia, e na repetição de exercícios para memorização, mas já incorporaram alguns conceitos das pedagogias mais modernas.

É a escolha das famílias que valorizam a disciplina e focam mais no conteúdo, preocupando-se com a preparação para o vestibular lá na frente. Muitas  têm vinculação religiosa, priorizando a formação humanista.

Antes de decidir, procure conhecer as escolas. Muitos de nós têm uma visão ultrapassada dos colégios tradicionais. “Desenvolvemos o pensar para que as crianças saibam lidar com informações e estabeleçam relações entre elas”, diz a coordenadora pedagógica da escola salesiana e católica, Instituto Madre Mazzarello, Evangelina Pereira, filha de Rodrigo e Ida.

Ou seja, o tal do pensamento crítico, antes oposto de tradição. “Nossos alunos são solidários, comunicadores e pesquisadores”, diz Cilene Tinelli, mãe de Gabriella, coordenadora da educação infantil do Colégio Marista Arquidiocesano.

Já segundo o coordenador pedagógico Laez Fonseca, do São Luís, colégio jesuíta de São Paulo, a pedagogia inaciana (de Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus) se baseia em contexto, experiência, reflexão, ação e avaliação, conceitos que também inspiram pedagogias modernas.

O Colégio Santo Américo segue a linha beneditina, católica, mas se vale de outras abordagens quando ajudam no aprendizado, como a robótica, uma atividade construtivista (em que o aluno participa da construção do conhecimento, como criar um programa para controlar um robô), diz a diretora pedagógica, Elenice Lobo.

Salas de aula: entre 20 e 30 alunos.
Atividades: laboratórios, esportes etc. Muitas têm horta, brinquedoteca…
Avaliação: provas, trabalhos e a famosa lição de casa já para os bens pequenos.
Currículo: As religiosas, em grande parte católicas, desenvolvem trabalho voluntário.

Construtivista e Sócio-construtivista

Esqueça a idéia tradicional do aluno sentado ouvindo o professor. Aqui, o conhecimento é construído a partir das percepções da criança e da realidade ao seu redor. Valoriza-se e aprofunda-se o que o aluno já sabe.

O objetivo é fazer com que cresçam mais críticos, capazes de aprender por si.  Em vez de o professor chegar com uma informação pronta, ele deve estimular a dúvida, a experimentação, o uso de diversas habilidades e o raciocínio.  Ao brincar com copos cheios e vazios, a criança aprende o conceito de volume. O professor acompanha as conclusões dos alunos e chama atenção para aspectos da experiência.

O termo construtivismo surgiu a partir dos estudos do biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que analisou os testes de inteligência aplicados pelo psicólogo infantil Alfred Binet (1857-1911) e percebeu que crianças da mesma faixa etária cometiam os mesmos erros. Ou seja: se tocou de que a criança não era um miniadulto e precisava que o ensino respeitasse seu desenvolvimento.

O pensamento de Piaget foi complementado pelo do educador bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934), pai do sócio-construtivismo, que enfatiza a importância das relações sociais e da linguagem no aprendizado. Para ele, a aquisição do conhecimento deve acontecer a partir da interação da criança com o meio.

Na Escola Viva, sócio-construtivista, as crianças têm à disposição um quintal de terra, horta, animais, ateliê… “Os alunos aprendem por meio de experiências táteis, visuais e olfativas”, explica a professora Kátia Keiko Matunaga, filha de Hideo e Madalena.

Salas de aula: com 20 alunos em média, carteiras reunem até quatro alunos.
Atividades: diferentes formas de arte desafiam e estimulam as experiências motoras. No sócio-construtivismo, o ambiente e o convívio social são usados. A chuva pode ser mote para entender o ciclo da água.
Avaliação: relatórios em que os professores registram o desenvolvimento do aluno, entregues a cada seis meses.
Currículo: desenvolve habilidades artísticas, consciência ecológica, cidadania.

Montessoriana

Na linha criada pela educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), o professor é uma guia que identifica e trabalha as dificuldades de cada criança. As atividades motoras, sensoriais e lúdicas e o senso de responsabilidade são enfatizados.

Na sua época, o professor simbolizava o centro do sistema. A partir de Montessori, o aluno passa a ser protagonista, lembra a diretora da Organização Montessori do Brasil, Edimara de Lima, mãe de Cibele, diretora da Escola Prima. Para ela, o professor deve ajudar o aluno, jamais fazer por ele.

Salas de aula: reúnem, no máximo, um aluno a cada 3m2. Abaixo de 3 anos, são cinco crianças por professor. As salas parecem brinquedotecas. Os alunos sentam-se em círculos e se movimentam pela sala.
Atividades: realizadas de três formas, individual; em pequenos grupos de, em média, três alunos; e coletivos, com todos.
Avaliação: não costuma ter provas. Quando há, a ficha de observação, preenchida pelos pedagogos, tem peso maior.
Currículo: usa a vida prática para