Dor de ouvido: respondemos às principais dúvidas

Por que crianças menores de três anos são tão propensas a infecções de ouvido? Será que você pode fazer algo para mudar isso? Usar remédios ou não? Aqui está tudo o que você precisa saber!

Resumo da Notícia

  • A dor de ouvido pode estar associada a uma otite, causada por bactérias ou vírus
  • Especialista explica como o resfriado pode causar infecção no ouvido
  • Mostra como identificar que seu filho está com infecção no ouvido
  • Explicamos como impedir que meu filho sofra outra infecção

 

A dor de ouvido pode estar associada a uma otite, causada por bactérias ou vírus (Foto: Getty Images)

Cerca de metade de todos os bebês terá pelo menos uma infecção no ouvido no primeiro ano de vida. “Nunca ignore uma queixa do seu filho de dor de ouvido”, recomenda Dr. Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia, pediatra e nosso super colunista. Isso porque, ela pode estar associada a uma otite, causada por bactérias ou vírus. “A forma mais comum da doença é a média, que acomete a parte interna do ouvido, atrás do tímpano, e causa a dor com forte intensidade”, ele explica. Os 3 anos, esse número de crianças com dor de ouvido salta para 80%.

O diagnóstico é feito em consulta clínica com o pediatra, e pegar a doença cedo faz toda a diferença. “O ouvido é um órgão delicado e atrasar o tratamento pode ter sequelas”, completa. Por isso, conversamos com médicos e eles responderam as perguntas mais comuns (e confusas) sobre infecção no ouvido.

“Infecção no ouvido” é o termo comum, o mais geral. Mas seu médico conhece a doença como otite média, e existem três tipos principais. A otite média aguda é a mais comum e significa que há uma infecção no ouvido médio. “É quando usamos um otoscópio para examinar e vemos vermelhidão e o tímpano inchado”, explica Elisa Song, pediatra holística do Whole Family Wellness, em Belmont, na Califórnia.

Às vezes, mesmo que a infecção aguda pareça ter desaparecido, pode ser que ainda haja líquido preso atrás do tímpano – e isso é chamado de otite média com efusão. O terceiro tipo, otite média crônica com efusão, significa que o líquido fica preso no ouvido médio por um longo período de tempo ou continua voltando mesmo quando não há infecção.

Quando seu filho está com um resfriado ruim, a maior parte da mucosa escorre do nariz para a garganta. Mas parte disso também fica apoiada atrás do tímpano, que é uma pequena janela que se abre para o ouvido médio, segundo a pediatra Whitney Casares, autora do livro “The Newborn Baby Blueprint” – em português, “O Modelo do Bebê Recém-Nascido”. O fluido que entra nesse ponto complicado deve drenar para a garganta por trompas que passam perto do ouvido, mas nem sempre é o que acontece.

Os ouvidos e o sistema imunológico das crianças são imaturos, tornando-os mais suscetíveis a infecções. As chamadas ‘trompas de eustáquio’ são mais curtas do que nos adultos, e tendem a ser orientadas mais horizontalmente, por isso é mais difícil o escoamento de líquidos. “As bactérias que já vivem na parte de trás do nariz do seu filho entram nesse fluido e se reproduzem”, diz James Coticchia, otorrinolaringologista pediátrico do Hospital Studer Family Children no Sacred Heart, em Pensacola, na Flórida.O mesmo pode acontecer se o seu filho ficar abafado devido à gripe ou alergias, embora resfriados sejam o gatilho mais comum para infecções no ouvido. “Além disso, nem todas as crianças têm a capacidade de assoar o nariz”, lembra Whitney.

  • Eu vou conseguir ter certeza se meu filho está com infecção no ouvido?

Nem sempre. Se ele tiver idade suficiente para conversar, provavelmente se queixará de dor no ouvido, que pode variar de um leve desconforto a agonia. Com um bebê, pode ser que você tenha um pequeno trabalho de detetive. Ele
pode puxar a própria orelha, chorar mais do que o normal e ter dificuldade para dormir. Uma infecção no ouvido geralmente vem acompanhada de febre e também pode causar problemas de equilíbrio. Mas também é possível ter uma infecção no ouvido sem sintomas. “Algumas crianças começam com um resfriado e, quando olhamos em seus ouvidos, vemos que ele está realmente vermelho e com líquido”, diz Elisa. “Mas pode não precisar ser tratado se não houver dor ou febre”. Ou seja, cada caso é um caso e precisa ser avaliado pelo médico.

  • O pediatra disse que o tímpano do meu filho estourou. Isso é tão ruim quanto parece?

Não é algo bom, mas não entre em pânico. Também chamado de ‘tímpano rompido’ ou ‘tímpano perfurado’, significa que a membrana timpânica que separa a orelha média da orelha externa possui um orifício causado pela pressão do acúmulo de líquido. Não é de surpreender que isso possa doer muito e interferir temporariamente na audição. “No entanto, o buraco geralmente fecha muito rapidamente por conta própria”, explica James.

  • Como sei se os tubos de ventilação ajudarão?

Os tubos de ventilação têm apenas o tamanho de um grão de arroz e são inseridos no ouvido médio através de um pequeno orifício no tímpano. Eles normalizam a pressão do ar e ajudam a drenar qualquer fluido preso. A maioria dos especialistas concorda: se seu filho teve pelo menos três infecções de ouvido nos últimos seis meses, ou quatro no ano passado (com um episódio nos últimos seis meses), é hora de falar sobre tubos. As recomendações não são específicas sobre a idade, mas a maioria das crianças que são submetidas a esse método têm entre 1 e 3 anos de idade. Nem todas que colocam têm problemas de audição ou fala, mas é definitivamente um motivador para muitos pais – assim como o desejo de abandonar a saga de infecção-antibiótico-infecção. “Depois de colocar os tubos, metade das crianças nunca mais sofre uma infecção no ouvido e a outra metade tem de vez em quando”, conta James.

Às vezes, é necessária anestesia geral, mas hoje em dia mais otorrinolaringologistas estão fazendo isso como um procedimento ambulatorial com uma máscara anestésica semelhante à que as crianças usam no consultório do dentista. Os tubos geralmente caem sozinhos num período de 18 meses, mas a maior desvantagem é um risco possível (mas raro) de desenvolver orifícios no tímpano que não fecham após a saída dos tubos. Por isso, seu médico deve examinar seu filho e confirmar que ele se recuperou bem e tudo seguiu corretamente.

  • Por que meu filho sofre de infecções de ouvido com tanta frequência?

Culpe a hereditariedade, o meio ambiente e a velha e simples má sorte. Se você teve muitas infecções no ouvido quando era jovem, seu filho pode ser mais propenso, segundo Dra. Whitney. A genética também controla o tamanho e o posicionamento das Trompas de Eustáquio. Outros fatores incluem a idade em que a primeira infecção aconteceu, pois se foi antes do primeiro ano, ele está mais propenso a ter repetidas vezes. As crianças que não foram amamentadas também podem ter mais infecções, já que o leite materno contém anticorpos chamados IgA, que fortalecem as defesas do seu filho contra todos os tipos de problemas.

  • E sobre tentar tratamentos caseiros?

Você pode ouvir falar sobre remédios naturais como gotas de alho, por exemplo, mas Ari diz que é improvável que isso ajude e é melhor não tentar. “A dor do seu filho está no espaço médio do ouvido, portanto, colocar gotas no espaço externo do ouvido não alcançará o problema. As gotas também podem tornar mais difícil para o médico olhar e ver com clareza”, explica ela. “E se o tímpano estourar, o óleo poderá acabar no ouvido médio, o que não é seguro”.

  • Como as infecções de ouvido afetam a fala de uma criança?

Mesmo após o tratamento, um pouco de líquido ainda pode ficar preso atrás do tímpano até um mês depois. Isso
pode prejudicar a audição, tornando mais difícil para seu filho ouvir certas consoantes e depois imitar suas palavras. A terapia da fala e, em alguns casos, os tubos auriculares, podem recuperar as habilidades de linguagem do seu filho.

  • Posso fazer algo para impedir que meu filho sofra outra infecção?

Lavar as mãos com frequência pode ajudar a impedir que ele fique doente.“Quando ele estiver resfriado, mantenha-o ereto o máximo possível na hora do sono (crianças mais velhas podem dormir com um travesseiro extra atrás da cabeça), o que incentiva o fluido nos ouvidos a escorrer”, aconselha James. Você também pode colocar um umidificador no quarto dele para ajudar. Por fim, verifique se seu filho tomou todas as vacinas especialmente a pneumocócica. Antes que isso se tornasse disponível, 80% das crianças tinham pelo menos uma infecção no ouvido; agora está em 60%, de acordo com pesquisa publicada na revista científica Pediatrics. Você também deve garantir que seu filho receba uma vacina contra a gripe todos os anos e mantê-lo longe da fumaça do tabaco, pois ela irrita as “Trompas de Eustáquio”. Felizmente, o risco das crianças para infecções no ouvido diminui drasticamente por volta dos 8 anos. Como as Trompas de Eustáquio crescem junto com o resto do corpo, qualquer fluido que chegue ao ouvido médio tem menos probabilidade de ficar preso lá.

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