Criança

Educação começa em casa

Nossas colunistas Tais e Roberta Bento explicam que não é a escola que vai ensinar tudo ao seu filho

Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

Ano letivo começando e nas famílias observamos aquela mistura de alívio e ansiedade. Alívio porque os pais já podem voltar a trabalhar em paz, sabendo que seus filhos estarão em boas mãos, na escola. E ansiedade porque a expectativa criada em relação a tudo o que a escola vai ensinar a essa criança é, na maioria das vezes, muito superior ao que está de fato ao alcance do professor, seja ele da escola pública ou privada.

O que mais ouvimos desde o final do ano passado até o momento de volta às aulas é: “Ainda bem que logo ele vai para a escola e aí vai aprender que tem que dividir o brinquedo com o coleguinha” ou “Deixa que daqui a pouco ela vai para a escolinha e aí vai ter que sentar quieta pelo menos um pouquinho”.

Eis o caminho perfeito para uma relação negativa com os estudos ao longo da vida! A escola não conseguirá transformar seu filho em outra pessoa. As habilidades que muitos pais esperam que a escola se responsabilize por desenvolver deveriam ser a base trazida de casa, para que o aprender possa ser um processo tranquilo.

A boa notícia é que nunca é tarde para começar o que deveria ser feito em família. Eis três habilidades que devem ser desenvolvidas em casa, no ambiente da família para que a relação com a aprendizagem possa fluir. Sim, essa responsabilidade é sua, pai, mãe, responsável!

Capacidade de atenção prolongada

A escola terá um impacto positivo enorme no desenvolvimento do seu filho, se ele já tiver o mínimo de capacidade de concentração e foco. Uma criança que passa o dia todo em frente à TV, tablete ou celular, correndo e gritando pela casa ou comendo com alguém que corre atrás dela com o prato já entra na escola em desvantagem. A capacidade de focar em uma só atividade, prestar atenção por mais tempo em determinado ponto sem que este envolva tecnologia são habilidades que precisam ser ensinadas em casa. A escola terá um papel fundamental para ajudar a prolongar essa capacidade de foco e atenção, mas a base deve vir pronta de casa para que essa criança possa aproveitar ao máximo os estímulos encontrados na escola.

Respeito a regras de convivência social

É no mínimo triste presenciar cenas que hoje se tornaram comuns em shoppings, supermercados, restaurantes. Crianças que gritam, correm, invadem o espaço de outras pessoas sem a mínima reação por parte dos pais. Pior que isso é ouvir muitos pais reagirem com um “Ah, deixa que ele vai ver só agora que vai para a escola, lá ele vai aprender a se comportar!” A criança que aprende a respeitar o espaço público e o direito de outras pessoas terá relações mais saudáveis com os colegas de classe e com o professor. O envolvimento social é um aspecto que tem altíssimo impacto na aprendizagem formal.

Senso de responsabilidade

Em geral, a fase da aprendizagem formal é a primeira vez em que uma criança é exposta a uma situação em que ninguém poderá fazer por ela o que está sendo proposto. Mesmo os pais mais superprotetores não têm o poder de aprender no lugar de seus filhos. A criança que chega na escola sem ter desenvolvido o senso de responsabilidade vai se frustrar, pois espera que alguém fará por ela o esforço necessário para que a aprendizagem aconteça. Para evitar essa frustração, divida com seu filho responsabilidades dentro de casa, desde a primeira infância. Guardar os próprios brinquedos, colocar a roupa suja no cesto, ajudar a guardar meias e roupas íntimas na gaveta são exemplos de tarefas domésticas que podem ser divididas com crianças desde que começam a andar.

Sendo capaz de focar em uma atividade de cada vez, respeitar os colegas e assumir responsabilidades, seu filho terá uma base sólida de habilidades e memória de longo prazo rica o suficiente para que a escola seja uma experiência plena de sucesso e descobertas.

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