Criança

Entenda porque a música deve estar presente na vida do seu filho desde cedo

Ela faz com a imaginação flua ainda mais

Gabrielle Molento

Gabrielle Molento ,Filha de Claudia e Pedro

(Foto: iStock)

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A música faz parte do nosso dia a dia como algo natural. Essa linguagem está presente em todos os lugares, seja em um rádio dentro do carro, uma caixinha de música, no som da televisão, um toque de celular ou até mesmo no barulho que vem da rua. E é muito fácil entender como as crianças lidam com isso. Com certeza seu filho já fez aquela dancinha meio desajeitada e tentou cantarolar no ritmo da música. Desde pequenas, as pessoas são como quadros em branco e esses incentivos ajudam a colori-las desde a gravidez.

Isso é o que afirma Vera Novack, pianista e regente de formação, dirigente do Coro Infanto-Juvenil e o Coro Jovem
do Colégio Jardim São Paulo e mãe de Bárbara e Bianca, que acredita que a musicalização deve começar ainda dentro da barriga. Uma mãe que tem naturalidade para dançar e cantar já vai, desde os primeiros momentos, ser mais expressiva e colaborar muito na educação dos filhos por meio dos sons.

Os bebês começam a receber os estímulos externos a partir do quarto mês da gestação e é nesse momento que o aprendizado começa. A criança consegue ouvir por meio do abdômen da mãe e responder com movimentos. “Muitas famílias relatam que os bebês reconhecem, mesmo depois de nascidos, as músicas que elas costumavam ouvir quando estavam ainda na barriga. Elas ensinam seus filhos mesmo antes deles nascerem”, explica Débora Munhoz
Barboni, mãe de Ana Beatriz, de sete anos, e professora de musicalização infantil.

Passo a passo

Todo o ser humano é instintivamente musical e não deveríamos deixar isso sumir. Sabia que se essa habilidade não for estimulada na pré-escola, a naturalidade e facilidade podem ser perdidas? Pois é, como disse Pablo Picasso: “Toda criança é um artista. O problema é o como manter-se artista depois de crescido”. Traduzindo, se a relação com a música for incentivada naturalmente, a criança vai desenvolver a capacidade, que se tornará instintiva.

Você já notou a grande quantidade de brinquedos educativos que fazem barulhos e têm músicas que existe no mercado? De acordo com a Vera, isso acontece porque esses jogos funcionais são utilizados para dar à criança noções de sonoridade e fazê-la soltar a imaginação. Por meio da música são trabalhados muitos elementos motores como ritmo, ouvir o próximo, a percepção do silêncio e sons diferentes e, assim, estimulando órgãos do sentido, que muitas vezes são deixados de lado.

A educação musical também colabora para o desenvolvimento cognitivo, relacionado à percepção, memória, juízo ou raciocínio. Uma pesquisa realizada na Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, finalizada em 2011 com uma turma de 60 alunos, de 6 a 9 anos, em que 29 deles tinham contato com a música, constatou que a convivência com o meio permite, entre outras habilidades, o progresso da memória. De acordo com a neurocientista Nina Kraus, líder do estudo, alguns elementos presentes na música, como timbre, tempo e tom, foram importantes para que essas crianças desenvolvessem a memória mais rápido que outras.

Se você notar, em uma canção a organização de sons é a mesma que usamos para letras, fonemas e formação de frases. Essa relação pode ser percebida por meio de um experimento feito por pesquisadores da Escola Médica da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, que mostra que o cérebro de jazzistas, quando interage com a música, é ativado nas áreas associadas à linguagem falada e à sintaxe — como as palavras são organizadas nas frases e sentenças. Outra pesquisa feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, feito em Beijing com 74 crianças, entre 4 e 5 anos, que falam mandarim, sugeriu que, depois de seis meses de aulas de piano, as habilidades linguísticas dos partic