Criança

Estudo da OMS defende que crianças menores de 1 ano não devem ter acesso a internet de jeito nenhum

A pesquisa explica porque essa restrição é tão importante no desenvolvimento do seu filho

Samirah Fakhouri

Samirah Fakhouri ,filha de Rose e Fauzi

Crianças menores de um ano não devem mexer no celular (Foto: Getty)

Especialistas da OMS desenvolveram um estudo sobre o desenvolvimento infantil junto ao uso de aparelhos digitais como celulares, tablets e videogames por crianças e adolescentes. Essas tecnologias são novas, e ainda não existem pesquisas de longo prazo que impeçam o impacto que o uso dos aparelhos causa nas crianças.

Os estudos já indicam que o uso excessivo têm causado prejuízos no desenvolvimento cognitivo e social e até no peso de crianças e adolescentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mandou uma lista de dicas para orientar os pais e cuidadores de crianças menores de 5 anos de como utilizar os aparelhos digitais de acordo com as atividades físicas da criança e as horas de sono. Confira:

  • Crianças menores de 1 ano não devem ser expostas a telas em hipótese nenhuma, nunca. Elas devem dormir de 14 a 17 horas (entre 0-3 meses) e entre 12 a 16 horas (4-11 meses), incluindo sonecas.
  • Crianças de 1-2 anos: O uso de aparelhos eletrônicos e digitais não é recomendado. Nessa fase, elas devem passar 180 minutos por dia realizando atividades físicas e não exceder mais de 1 hora diária restritas a cadeirões e similares. Devem dormir de 11-14 horas.
  • Crianças de 2-4 anos: Não devem exceder 1 hora diante das telas e devem passar 180 minutos diários em atividades físicas. Devem passar no máximo 1 hora restritas a cadeirões e similares e dormir de 10-13 horas por dia.
  • Se puder, não use celulares na frente de crianças menores de 5 anos. Procure realizar atividades divertidas com elas, como pintar e cantar e dê-lhes atenção integral.
  • Priorize a criança quando estiver passando tempo com ela. As ligações, as redes sociais e a leitura podem esperar.
  • Não tenha medo de dizer “não”. Nunca é tarde para mudar maus hábitos em relação ao uso de telas. Diante da negativa, é normal  que crianças reajam com choro e manha. Mantenha-se firme.
  • Se tiver que falar ao telefone, procure usar um aparelho fixo; assim, a criança se sentirá menos tentada a brincar com ele depois.

Agora se o seu filho é maior de 6 anos

No entanto, a principal dificuldade dos pais e cuidadores é restringir o uso de aparelhos digitais para crianças maiores de 6 anos. Nessa fase, elas já têm mais autonomia e muitas são donas de aparelhos, o que as torna mais fácil o uso por longos períodos.

“Alguns aspectos do uso são preocupantes, como o fato de não se pausar jogos online, ou dos vídeos continuarem em sequência automática, podendo ser vistos por longos períodos de tempo. O tempo de uso, por exemplo, pode preencher horas a fio, comprometendo o sono, estudos ou interações pessoais presenciais (muito mais ricas que as restritas ao mundo virtual). Para uma criança ou adolescente em vida escolar, a perda de sono interfere diretamente no seu desempenho cognitivo e nas atividades interacionais”, revela Tania da OMS.

A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças maiores de 6 anos e adolescentes se juntem aos pais e busquem equilibrar o tempo de uso da internet com outras atividades mais saudáveis. Eles devem colocar limites para que a experiência na internet seja positiva e não ocupe o espaço de atividades físicas e interações pessoais presenciais, que são essenciais nessa fase. Confira:

  • Para crianças a partir dos 6 anos: Estabeleça limites de tempo de uso e os tipos de mídia que elas podem usar. Garanta que o uso não atrapalhará o sono adequado, as atividades físicas e outros comportamentos essenciais à saúde.
  • Estabeleça momentos em que todos devem desligar os aparelhos, como a hora das refeições ou enquanto estiver dirigindo. Também é importante determinar locais em que o uso é proibido, como o quarto.
  • Converse sempre sobre cidadania e segurança, incluindo como tratar as pessoas com respeito na internet e fora dela.

Também aconselha que as crianças não usem aparelhos, incluindo televisão, no quarto, para evitar o isolamento, e que sejam incitadas a realizar atividades físicas que estimulem a interação social. Se é verdade que as tecnologias são parte da rotina diária do mundo moderno e que não é possível criarmos as crianças à margem dessa realidade, também é fato que devemos protegê-las dos possíveis danos que seu uso excessivo pode trazer.

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