Estudo defende que tratar os pais é a melhor forma de ajudar os filhos a enfrentarem a ansiedade

A pesquisa foi feita pela Universidade de Yale

Um estudo está desenvolvendo novas opções de tratamento para crianças (Foto: iStock)

Um estudo da Universidade de Yale está tentando desenvolver novas opções de tratamento para crianças com ansiedade. O tratamento tem foco nos pais, não na criança. De acordo com o estudo, cerca de 7% das crianças de 3 a 17 anos foram diagnosticadas com distúrbio de ansiedade. São quase 4,5 milhões de crianças nos EUA.

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A terapia tradicional inclui terapia comportamental cognitiva (TCC), que tem sido usada com sucesso em adultos que vivem com depressão e ansiedade. Na TCC, o objetivo é uma abordagem atenta à uma mudança de comportamento, mas treinar os pais na TCC com foco nos filhos revelou ser menos eficaz.

Agora, uma nova técnica de treinamento está sendo estudada. Quando confrontados com uma criança ansiosa, a maioria dos pais acomoda esses medos e corre para proporcionar conforto. Eli Liebowitz, autor do estudo, diz à NPR: “Essas acomodações levam a um aumento na ansiedade dos filhos. Como a criança depende do pai para ter conforto e tranquilidade, ela nunca aprende os mecanismos necessários para se acalmar. Quando você fornece muitas acomodações, a mensagem que você transmite é: você não consegue passar por isso sozinho, então eu vou te ajudar”.

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Em vez disso, o Dr. Liebowitz acredita que treinar os pais para encorajar as crianças a enfrentar seus medos pode ser a chave para ajudar as crianças a se curarem da ansiedade sem precisarem de terapia.

O tratamento, chamado de Parentalidade de Apoio às Emoções da Infância Ansiosa, ensina os pais a serem solidários e reconhecer a ansiedade de seus filhos sem fornecer as acomodações de que a criança possa depender.

Reconhecendo o medo, mas não acomodando-o, a criança começa aprender a se acalmar sozinha, enfrentando seus medos e lidando com eles por conta própria. Na entrevista à NPR, Leibowitz enfatizou a importância de fazer as crianças se sentirem ouvidas e amadas. “Os pais precisam mostrar aos seus filhos que eles entendem como é terrível se sentir ansioso. Eles precisam aceitar que existe uma ansiedade, não que a criança está apenas querendo atenção”, ele explica.

Treinar os pais para reconhecer o medo dos filhos é dar poder e confiança para as crianças enfrentarem seus medos, sabendo que os pais estão ali para ajudá-los quando precisarem. Por exemplo, ao invés de falar “ficarei aqui com você até que você durma”, você pode falar algo como “entendo que você está com medo, mas sei que você pode passar por isso”.

Esse método pode ser difícil para os pais que foram criados com a mentalidade de “supere isso”, o que minimiza o medo da criança e pode levar a sentimentos de inadequação. O objetivo desse tratamento alternativo é dar espaço para a criança sentir medo enquanto se sente seguro o suficiente para lidar com isso diretamente.

Elogiar as crianças por realizarem uma tarefa que induz a ansiedade ajuda-as a construir a confiança necessária para continuar avançando, enfrentando o medo e superando-o.

O estudo de Leibowitz está mostrando resultados promissores. Quando o estudo encerrou, 70% das crianças inscritas no estudo não apresentavam mais sintomas de ansiedade. Esses resultados podem dar esperança às famílias de crianças ansiosas que não tiveram sucesso em aliviar os medos dos filhos.

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