Falando de grana: como fazer seu filho se familiarizar com a matemática?

Não tem essa de dividir as pessoas em dois grupos: de humanas e exatas. Todos nós podemos (e devemos) aprender um pouco de tudo

 

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(Foto: Getty Images)

Patrícia Broggi é mãe do Luca e do Tiago, jornalista e aprendeu economia no dia a dia. É dessa experiência que ela tira inspiração para a sua coluna “Falando de grana”. Dessa vez, ela veio falar sobre uma dúvida que muitas mães têm: falar sobre exatas e humanas.

EU AMO A MATEMÁTICA!

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Não tem essa de dividir as pessoas em dois grupos: de humanas e exatas. Todos nós podemos (e devemos) aprender um pouco de tudo.

Quando eu era pequena, tinham os alunos que se identificavam com matemática e os que gostavam mais das matérias de humanas. Eu sempre fui uma pessoa meio híbrida, já que nasci em um berço de engenheiros. Fora eu jornalista, o máximo de humanas na minha casa é minha irmã arquiteta; o restante, meu pai e meus três irmãos, são engenheiros; minha mãe, administradora. A matemática imperava em casa e eu sempre fui a menos dotada para o assunto.

Só que ninguém vive em um lugar assim sem desenvolver alguns dons. Portanto, essa que vos escreve (e adora escrever), acabou tendo afinidade com os números. Uma afinidade que me foi muito útil vida afora. Por exemplo, acabava sempre viajando com a equipe da revista onde trabalhava, porque além de fazer reportagens, sabia montar um orçamento e, mais importante, prestar contas depois.

E é sobre isso que gostaria de falar. Minha experiência mostra que as crianças são cheias de talentos e com muita capacidade de adaptação. Mesmo tendo pendor para humanas, desenvolvem com facilidade a habilidade com os números se forem familiarizadas, desafiadas, incentivadas. E vice-versa, diga-se de passagem (aconteceu com o Tiago, meu filho, um cara basicamente matemático, que com treino insistente da mãe aprendeu a escrever). Por isso, no lugar de falar que detesta números, que tal encarar o assunto como diversão e não chatura? Lembro do meu avô tomando tabuada da gente enquanto íamos até o final da praia andando. Fazíamos contas de cabeça. Brincávamos de multiplicar. Era divertido. E ele dava chance a todos sem falar que um era mais lento, o outro brilhantemente mais rápido. Assim, brincando, fomos ficando ‘amigos’ dos números. Hoje, isso pode ser feito de forma mais ‘profissional’. Existe um app que está sendo testado em algumas escolas públicas, chamado Matific (matific.com) que foi desenvolvido para fazer o aluno alcançar o domínio da matemática através de jogos, de uma forma divertida.

O bacana é que ele pode ser usado já na educação infantil. Se a escola do seu filho não usar desse recurso, você pode comprar e jogar com ele. Esses conceitos da adição, subtração, multiplicação e divisão podem ser apenas básicos na matemática, mas são peças fundamentais para se aprender a fazer o próprio orçamento, a precificar um trabalho,
a saber quanto precisa para fechar o mês, ou seja, para lidar com dinheiro. Então eu proponho acabar com esse préconceito de que alguém que tenha pendores humanísticos, não possa desenvolver também algumas habilidades racionais. É claro que pode! Na verdade deve. Não precisa virar nenhum Newton, só gostar das quatro operações. E colocar o assunto na roda, sem bicho papão. Coisa simples do dia a dia. Funciona!

P.S. Ah! E se seu filho privilegiar a adição e a multiplicação (ganhar e poupar) à subtração (gastar) no orçamento, vai ser muito bom. Aí, de quebra, mais para a frente, ele poderá exercitar a divisão (doar).

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