Governo de SP estuda não obrigar mais o uso de máscaras nas escolas

O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, disse que a decisão deve ser apresentada em cerca de 2 semanas

Resumo da Notícia

  • Governo de SP estuda por um fim na obrigatoriedade do uso de máscara nas escolas
  • O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, disse que a decisão deve ser apresentada em cerca de 2 semanas
  • Por enquanto, SC e RS já aboliram a obrigatoriedade para crianças de 6 a 11 anos

Será que é a hora de tirar as máscaras das crianças? Depois que o Rio Grande do Sul e Santa Catarina decidiram tirar a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças de 6 a 11 anos, outros estados brasileiros começaram a pensar sobre o assunto. Esse é o caso de São Paulo. O secretário estadual da Educação Rossieli Soares disse em uma coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira, 4 de março, que o uso de máscaras pode ser flexibilizado em escolas no estado de São Paulo.

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Uso de máscaras para crianças menores de 12 anos não é mais obrigatório no RS: entenda a mudança
Governo de SP estuda por um fim na obrigatoriedade do uso de máscara nas escolas (Foto: Getty Images)

De acordo com o que ele disse, a decisão sobre a liberação ou não do equipamento de proteção deve ser apresentada pelo comitê científico em algumas semanas. “Acho que esse momento está se aproximando, vamos ver o comportamento do vírus após o carnaval. Os números são extremamente positivos. O mundo inteiro está caminhando para a retirada de máscara das crianças menores. É uma tendência aqui, mas é uma discussão que está sendo feita pelo comitê científico do governo”, começou ele. “Talvez nas duas próximas semanas a gente tenha alguma decisão nesse sentido”, completou.

O governo de SP vem sendo pressionado sobre a decisão

O movimento Escolas Abertas, que surgiu no início da pandemia lutando pela volta às aulas presenciais, tem usado as redes sociais para pressionar o governo de São Paulo a flexibilizar o uso de máscaras nas escolas. Em fevereiro deste ano, eles lançaram um apelo à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para rever os protocolos de saúde e segurança e retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças pequenas.

No caso desse grupo de pais, a justificativa é que as crianças estão sendo prejudicadas pedagógica e psicologicamente e que as máscaras atrapalham o desenvolvimento e a alfabetização. Nas publicações, eles também alegam que algumas pessoas já estão saindo para curtir e aproveitar festas sem máscaras e que as crianças deveriam ter o mesmo direito na hora de aprender.

Movimento Escolas Abertas em São Paulo também já fez algumas publicações nas redes sociais pedindo pela não obrigatoriedade das máscaras em crianças
Movimento Escolas Abertas em São Paulo também já fez algumas publicações nas redes sociais pedindo pela não obrigatoriedade das máscaras em crianças (Foto: reprodução Instagram)

Taís e Roberta Bento, mãe e filha, embaixadoras da Pais&Filhos, e fundadoras do SOS Educação, no entanto, ressaltam, em entrevista, que o uso de máscaras por crianças mais novas não atrapalham os estudos. “Tanto desenvolvimento quanto a socialização das crianças não são prejudicados pelo uso da máscara. Ao contrário, estudos mostraram que as crianças que usam as máscaras na escola tiveram ganhos na autorregulação das próprias emoções, na capacidade para demonstrar empatia, no desenvolvimento de diferentes recursos para entender e se fazer entendido. Além de todos esses ganhos que nossas crianças tiveram enquanto se esforçaram para aprender a usar a máscara, elas também tiveram a oportunidade de sentir que têm o poder para ajudar na autoproteção e cuidados com a própria família, colegas e professores. As crianças que frequentaram a escola ao longo desse período em que as máscaras se tornaram necessárias têm mais consciência sobre germes invisíveis e em relação à importância dos protocolos de higiene, como lavar as mãos para proteger a própria saúde, por exemplo”, explicaram elas.

Para as educadoras, o mesmo vale no caso da alfabetização. “O uso de máscara não atrapalha o processo de alfabetização. E não prejudica também a aprendizagem de um outro idioma”, afirmam. “O olho no olho é comprovadamente mais importante e tem mais impacto no processo de comunicação do que o movimento da boca. Pesquisas mostram que a partir dos 2 anos de idade, as crianças passam mais do que o dobro do tempo focando nos olhos dos adultos com quem estão tentando se comunicar do que para a boca deles. A consequência esperada desse período, por psicólogos, cientistas e pesquisadores do desenvolvimento e socialização é que as crianças sairão ainda mais sensíveis a pistas sutis sobre como a outra pessoa está no momento: tom de voz, expressão no olhar, linguagem corporal como um todo”, completam.

As duas reforçaram que o processo de alfabetização vai muito além que apenas o movimento da boca e é impactado por várias atividades, como: “o tempo que a criança passa brincando com atividades manuais, o quanto ela tem de autonomia nas atividades diárias para as quais já está pronta, as oportunidades de leitura, desenho, colagem, pintura”. “O desafio de não ver a boca da professora é superado pela adaptação na capacidade de foco e atenção que o cérebro da criança tem a capacidade de ajustar, desde que um fator esteja presente: a postura dos adultos em relação a esse desafio. Quanto mais positiva a expectativa dos pais e professores, melhor a relação da criança diante dos desafios que são parte da fase de alfabetização, com ou sem máscara”, orientam.

Mas, claro, como todos nós, as duas também não veem a hora de podermos retirar as nossas máscaras e a das crianças também, de forma segura. “Sim, queremos muito nossas crianças livres para abraçar, compartilhar, sorrir e enxergar o sorriso dos amigos e professores. Não porque elas estão aprendendo menos com as máscaras, mas porque a liberdade é um direito de cada criança e o nosso maior sonho para elas, assim que os profissionais da saúde derem a segurança de que já podemos dar esse passo”, concluem.

Autonomia dos pais

Apesar de não ser mais obrigatória, cabe a cada pai, mãe ou responsável definir se o filho deve ou não continuar usando máscaras, tanto na escola quanto nos demais locais. Em entrevista à Pais&Filhos, o Dr. Filipe Prohaska, infectologista do Grupo Oncoclínicas, pai de Letícia e Luisa, diz que acredita o número de cobertura vacinal ainda não é grande o suficiente para retirar a obrigatoriedade do uso das máscaras. “Hoje, principalmente quem não está imunizado, deve usar máscara. E os grupos de não vacinados hoje principalmente são as crianças abaixo de 12 anos, que ainda não tomaram a segunda dose, estão ainda na primeira dose”, reforça.

O médico também pontuou os números que considera necessários para a retirada da obrigatoriedade do uso das máscaras. “Para se pensar em retirar a máscara, nós precisamos de 3 pontos fundamentais: primeiro, a vacinação de pelo menos 80% desse grupo vacinal com as duas doses e não somente uma. Lembrando que são duas doses para imunizar e uma terceira dose de reforço para garantir uma imunidade mais prolongada. Segundo, nós ainda estamos iniciando essa fase, os melhores estados de imunização ainda não alcançaram 50% da primeira dose e nós estamos falando de 80% com as duas para alcançar um grupo imunizado. Terceiro: o momento da pandemia. Nós sabemos que a ômicron trouxe novos repiques para o surto, exatamente para esse grupo populacional. Teve um grande aumento de internação de crianças desde novembro, que foi quando essa variante entrou”, pontuou ele, reforçando que, normalmente, novas variantes surgem justamente entre grupos que não estão completamente imunizados.

Máscara nas escolas: governo de SP estuda fim da obrigatoriedade para crianças menores de 12 anos
Máscara nas escolas: governo de SP estuda fim da obrigatoriedade para crianças menores de 12 anos (Foto: Getty Images)

Recomendação da OMS

Em um comunicado emitido em agosto de 2021, a OMS anunciou as recomendações da organização sobre o uso de máscaras. No documento, os profissionais relataram que crianças maiores de 12 anos devem seguir os mesmos protocolos dos adultos, já para aquelas entre 6 e 12 anos, as regras são um pouco mais específicas e deve seguir baseado nos seguintes fatores:

  • Se há transmissão generalizada na área onde a criança reside
  • A capacidade da criança de usar uma máscara de forma segura e adequada
  • Acesso a máscaras, bem como lavagem e substituição de máscaras em determinados ambientes (como escolas e creches)
  • Supervisão adequada de um adulto e instruções para a criança sobre como colocar, tirar e usar máscaras com segurança
  • Impacto potencial do uso de máscara na aprendizagem e no desenvolvimento psicossocial, em consulta com professores, pais / responsáveis ​​e / ou profissionais de saúde
  • Configurações e interações específicas que a criança tem com outras pessoas que correm alto risco de desenvolver doenças graves, como idosos e pessoas com outras condições de saúde subjacentes

Já para o grupo de crianças menores de 5 anos, o uso da máscara não é obrigatório. A decisão foi tomada a partir dos quesitos de segurança, além da necessidade do mínimo de assistência adequada quanto à utilização do acessório.

O papel das máscaras na proteção contra a covid-19

Mas, afinal, qual é a importância do uso de máscaras para a proteção contra a covid-19? A Dra. Letícia Kawano-Dourado, mãe de Inácio e Lúcia, médica pneumologista e pesquisadora que assessora a Organização Mundial da Saúde (OMS) na elaboração de diretrizes no tratamento do coronavírus, contou, em entrevista à Pais&Filhos, um pouco sobre a relevância do uso da máscara. ‘Ela não a única medida, mas tem sim papel central, junto com a ventilação do ambiente. As duas medidas mais importantes e que garantem maior segurança das pessoas nesses tempos de isolamento”, ressalta ela.

Na entrevista, ela também contou um pouco mais especificamente sobre o uso de máscara para as crianças e disse qual é a melhor máscara para os mais novos. Para ler na íntegra, basta entrar na nossa matéria clicando aqui.