Homem Pateta: Polícia de SP encontra adolescente que diz ser dono de um dos perfis

A conta, que envia mensagens de automutilação e suicídio para criança, tem tirado o sono de muitas famílias. Veja como se prevenir e falar sobre seu filho sobre o assunto

Resumo da Notícia

  • Polícia de SP encontra adolescente que diz ser dono de um dos perfis do "Homem Pateta"
  • O perfil vem causado pânico na internet, por mandar mensagens de automutilação e suicídio para crianças
  • Relembre o caso
  • Veja como proteger seus filhos
Adolescente é dono de um dos perfis do Homem Pateta (Foto: Reprodução / Twitter @temadobrasil)

Na última sexta, 10 de julho, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação para cumprir um mandato de busca e apreensão na casa de um adolescente de Sorocaba, interior do estado, que seria o criador de um perfil do chamado “Homem Pateta“, que propõe desafios para crianças relacionados à automutilação e ao suicídio.

-Publicidade-

A informação da operação foi divulgada na última segunda, 13 de julho, pelas autoridades, segundo a UOL. Assim como os outros perfis que utilizam a imagem de um homem vestido do personagem da Disney, a conta usava o nome fictício de “Jonathan Galindo“. Desde junho ao menos três estados registraram casos relacionados ao “Homem Pateta”. Policiais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo já estão cientes e seguem emitindo alertas sobre o caso.

O adolescente, que não teve nome e idade divulgados, confessou que enviava mensagens do perfil e disse que se tratava “apenas de uma brincadeira”. A polícia apreendeu o celular dele e uma perícia será realizada no aparelho. O inquérito corre na Delegacia Seccional de Sorocaba. A investigação será enviada à Vara da Infância e Juventude e o adolescente poderá responder por atos infracionais como ameaça e instigação ao suicídio.

-Publicidade-

Relembre o caso

Como proteger seu filho das ameaças online (Foto: Getty Images)

Quem é o Homem Pateta?

Você já ouviu falar do ‘Homem Pateta’? Um alerta divulgado pela Polícia Civil de Santa Catarina pede que pais e responsáveis prestem atenção nos perfis acessados pelos filhos nas redes sociais. No comunicado, eles citam, principalmente, um perfil que está ficando famoso na internet recentemente: Jonathan Galindo, ou melhor, o ‘Homem Pateta’. As páginas que trazem fotos e montagens que se parecem com o personagem Pateta, da Disney, estariam disseminando conteúdos de terror para assustar as crianças e, até mesmo, induzir ao suicídio. Com uma aparência aterrorizante, a imagem do Homem Pateta vem viralizando principalmente noFacebook e Instagram, causando curiosidade entre os internautas.

Segundo a polícia, os primeiros perfis têm postagens em espanhol, porém, algumas páginas com conteúdos em português já surgiram e acenderam um alerta, com medo e preocupação, em muitos pais. A advogada e especialista em direito digital e cyberbullying, Ivanice Cardoso, nossa colunista e mãe de Helena e Beatriz, falou sobre o tema em uma live no Instagram na última segunda, 22 de junho. No vídeo, ela comenta a respeito da semelhança do novo fenômeno com perfis antigos, como a Momo e a Baleia Azul. A especialista diz, no entanto, que o novo perfil pode ser ainda mais perigoso devido ao momento pelo qual estamos passando.

“Estamos no meio de um processo de isolamento social em que as crianças estão super fragilizadas e carentes – de contato e de adrenalina. Então um fenômeno como esse acaba virando uma bomba”. Além das crianças, a advogada também comentou a respeito da situação na qual as mães e pais estão enfrentando. “Nós, mães, estamos super envolvidas com outras coisas, então a última coisa que a gente pensa é ficar vasculhando o Facebook das crianças para saber se eles estão entrando em algum desses desafios que estão aparecendo”.

Para Ivanice, o primeiro passo para evitar que seu filho caia nesse tipo de desafio é ativar um controle parental – normalmente já disponível em celulares e tablets – nos equipamentos que ele utiliza e, claro, sempre conversar com ele e explicar o que está acontecendo e qual o motivo de você estar tomando tais atitudes, deixando bem explícito os intuitos desse tipo de perfil e por que ele não deve acessá-lo.

Conversar com uma criança sobre um assunto tão sério e garantir que ele entenda o recado, no entanto, pode ser um tanto quanto difícil. É preciso garantir que esse diálogo se torne um alerta e não algo para instigar a curiosidade de seu filho para pesquisar sobre o tema.

Não deixe o pânico tomar conta da sua família

De acordo com especialistas, esses desafios não devem ser o maior de todos seus medos como pai ou mãe. “Não é o tempo que a criança passa na internet, mas sim a relação dela com esse meio. Cortar totalmente o acesso do seu filho às redes sociais não ajuda. A criança fica ainda mais suscetível aos perigos e não aprende a separar o que é bom ou ruim na internet. Além disso, ela pode ter acesso a conteúdos inadequados na casa de amigos ou de crianças mais velhas”, defende Roberta Bento, especialista em educação e neurociência cognitiva, fundadora do SOS Educação e mãe de Taís.

Focar os medos e preocupações em torno de boatos alarmistas distrai os pais dos verdadeiros riscos presentes em qualquer plataforma online. “A cada dia, vai aparecer uma história diferente nas redes. Os pais precisam deixar a ingenuidade de lado e entender que a internet não é um lugar feito para ser seguro, mas sim um espaço de profunda pluralidade. 57% da população tem acesso à internet, é impossível ter segurança em um local com mais de 4 bilhões de pessoas”, explica Ivanice Cardoso.

Como abordar esse assunto com seu filho

A psicóloga Eliana De Barros Santos, mãe de Mariana, Rebeca e Laerte, deixa algumas dicas para você evitar que seu filho consuma este tipo de conteúdo. O primeiro passo é explicar para o seu filho que aquilo tudo que está na telinha é fantasia.

Também é sempre válido conferir o que a criança está acessando, e não só como uma forma de controle, mas de curiosidade real, já que aquilo que a pessoa vê pode afetar positiva ou negativamente no seu pensamento e modo de agir ou pensar. A psicóloga reforça a importância da intimidade da relação que você tem com o seu filho. “É preciso orientar com proximidade, porque o distanciamento dos pais causa distúrbio emocional, e as crianças percebem quando eles não estão próximos e ficam mais suscetíveis e vulneráveis”, conclui.

“A conversa com a criança tem que ser sempre muito frontal. Evite ficar dando muitas voltas, seu filho precisa de uma linguagem simples para poder entender e se sentir seguro”, orienta Ana Carolina, psicóloga e psicanalista especializada em desenvolvimento infantil, mãe de Benjamín e Marina. Comece a conversa com perguntas do tipo “Você já viu? O que você pensa sobre isso? Como você se sentiria se visse esse personagem?”.

A primeira postura é escutar a criança. Quanto mais você fala ‘não faça’, mais a criança faz, porque pode despertar a curiosidade. “O que é mais importante e que os pais não têm feito é escutar. Mais do que dizer para o filho não assista, é dizer: se você ver, me conte”, exemplifica a especialista. A partir dessa conversa, esteja sempre disponível para amparar e demonstre confiança para receber o alerta de que há algo incomodando seu filho.

“É sempre a conversa que resolve. Peça para a criança mostrar a você o que ela assiste. Meu maior conselho para os pais na atualidade é que eles não podem achar que a tecnologia resolve a falta de atenção. Eles precisam ser parceiros e isso não significa ser amigo, mas sim fazer junto. Entregamos um telefone com acesso à internet na mão da criança e esquecemos que precisamos supervisionar isso também. O pai precisa se interessar pela vida do filho, tem que ouvir mais do que falar. Tem que permitir que a criança se sinta segura para falar o que está na cabeça dela”, aconselha Ana Carolina.

“O mais indicado é fazer uma abordagem contando uma história para o seu filho. Perguntar se ele viu alguma coisa diferente ou assustadora nos vídeos e, caso ele tenha visto, alertar que existem pessoas maldosas e que contam histórias mentirosas. Não temos como isolar nossos filhos do mundo digital, por isso precisamos parar para repensar a forma que estamos educando nossos filhos e sair desse modo de histeria coletiva. Se fizermos a construção desse pensamento desde cedo, a criança vai ganhando autonomia e responsabilidade para entender o que deve assistir ou não, e tem mais liberdade para conversar com os pais caso não se sinta segura”, finaliza Ivanice.

-Publicidade-