Criança

Learning in Depth: programa de educação internacional chega ao Brasil pela primeira vez

Sucesso em outros países, a proposta do LID é garantir que os alunos desenvolvam paixão por aprender, enquanto se tornam experts em um assunto

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

A paixão e vontade pelo aprendizado podem ser desenvolvidas e cultivadas em qualquer fase da vida (Foto: iStock)

Quando ainda são pequenas, as crianças têm uma curiosidade natural. Elas estão sempre prontas para explorar o mundo, absorvendo novas informações e habilidades, como se fossem esponjas. Mas em algum momento do processo de crescimento, essa paixão natural por aprender das crianças acaba se perdendo. É comum que elas passem a não gostar mais da escola, por exemplo, além de criarem uma certa aversão pelo processo formal de aprendizagem. 

A boa notícia é que a paixão e vontade pelo aprendizado podem ser desenvolvidas e cultivadas em qualquer fase da vida, especialmente durante a infância e pré adolescência. E existem metodologias para ajudar as crianças e adolescentes neste processo.

Em parceria com a Simon Fraser University, em Vancouver, no Canadá, o SOSEducação trouxe com exclusividade para o Brasil um programa para ajudar os alunos no desenvolvimento do amor pelo aprendizado e do desejo de se aprofundar no conhecimento. O Learning in Depth – LID (Aprendizagem em Profundidade)  já vem sendo implementado com sucesso em mais de vinte países, como Estados Unidos, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Inglaterra e China. 

No Canadá: Taís Bento, Catherine Price, Diretora de Relações Internacionais, Dra. Gillian Judson, Diretora Executiva do Centro de Imaginative Education da Faculdade de Educação, Dr. Kieran Egan, criador do programa, e Roberta Bento (Foto: Arquivo pessoal)

Fundadoras do SOSEducação, Taís e Roberta Bento são mãe e filha, educadoras, especialistas em neurociência cognitiva, colunistas e embaixadoras da Pais&Filhos e estão trazendo o programa pela primeira vez ao Brasil.“O foco do programa é conseguir envolver a imaginação e criatividade do aluno durante o processo de ensino de todos os conteúdos da escola”, explica Roberta.

Além do desenvolvimento de novas estratégias para aprendizagem, os alunos vão interagir com crianças da mesma idade que estudam em outros países. Através do LID, a ideia é que os alunos desenvolvam habilidades que trarão uma perspectiva inovadora sobre o processo de aprendizagem ao longo da vida.

Os alunos vão interagir com crianças da mesma idade que estudam em outros países (Foto: iStock)

A proposta é que o aluno torne-se um grande pesquisador e expert em um assunto específico ao longo da vida escolar, em áreas como arte, música, história e matemática. “A Universidade aplica nove critérios para que um assunto vire um tópico possível do programa. Ele tem que ser capaz de fascinar e manter a curiosidade do aluno desde os 4 aos 15 anos de idade, por exemplo”, explica Taís. 

Nas primeiras semanas de aula de uma escola, os alunos participam de uma cerimônia na qual descobrem em qual assunto vão se tornar expert, através de um sorteio. “No final, toda criança vai saber mais do que qualquer pessoa no planeta sobre o assunto, que vão desde circos, pássaros, maçãs a felinos. É uma forma de resolver uma das preocupações que muita gente tem no momento educacional que vivemos”, explica Dr. Kieran Egan, pesquisador, filósofo, diretor do departamento de Educação da Simon Frasier University e criador do programa. 

“Enquanto se tornam os maiores experts em assuntos que serão foco de pesquisa ao longo da vida escolar, os alunos desenvolvem habilidades de aprendizagem, como resolução de problemas, flexibilidade cognitiva, leitura inteligente e tomada de decisões, essenciais para o sucesso pessoal e profissional no futuro, além da capacidade de conectar o assunto com outras áreas do saber e manter a paixão pela descoberta”, diz Roberta.  

“Conforme o aluno for crescendo e se desenvolvendo, a forma de pesquisa e estudo dele também vão mudando. No modelo educacional atual, as crianças aprendem tudo de uma forma rápida e superficial. Por isso, é importante ter foco e aprendizagem em profundidade. Ao longo dos anos, o aluno cria um portfólio e tem um histórico da evolução do assunto. Mais tarde, ele que decide como quer apresentar e guardar o material, seja com maquete, colagem ou uma apresentação, por exemplo”, explica Taís. 

A ideia do programa é criar uma inversão do que a criança é hoje na educação. “Queremos mostrar que quanto mais o aluno conhece sobre o assunto, mais ele se apaixona e mais atraente a pesquisa se torna”, define Roberta. O LID começa a ser aplicado nas escolas brasileiras no segundo semestre deste ano. A escola canadense bilíngue Maple Bear será uma das primeiras com o programa.

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