Criança

Mãe de gêmeas prematuras desabafa: “Minhas meninas ainda sofrem por suas deficiências invisíveis”

Mãe conta como é ter gêmeas que nasceram antes da hora e como lida com dificuldades do desenvolvimento delas até hoje

Gabrielle Molento

Gabrielle Molento ,Filha de Claudia e Pedro

(Foto: iStock)

(Foto: iStock)

O desenvolvimento da criança é um assunto muito importante. E devemos falar também sobre os fatores que podem afetá-lo como, por exemplo, a prematuridade  e suas consequências a longo prazo. Em um relato, Leigh Ann Torres, que é mãe de duas gêmeas prematuras, contou como foi sua experiência e como vivem atualmente. Confira:

“Alguns dias eu sinto como se estivéssemos há anos-luz na UTI. Nós ficamos lá por um tempo, saímos e seguimos em frente. Mas tem dias eu estou de volta, em pé ao lado da cama das minhas filhas enquanto o médico me atualiza do progresso delas. Ele brinca falando que as minhas meninas são chatas, porque não dão trabalho a ele. Significa que elas vão ter toda a oportunidade de ser como qualquer criança em sua idade.

Minhas meninas não parecem mais prematuras. Elas têm o mesmo tamanho dos colegas de classe da quarta série. Existe pouca evidência física de que elas começaram a vida dois meses mais cedo e passaram os seus primeiros 38 dias na UTI.

Porém, as consequências da prematuridade ainda existem. Atrasos motores, dificuldades cognitivas, problemas de compreensão – esses são alguns exemplos que persistem a longo prazo. Eu vi minhas filhas terem dificuldades para andar de bicicleta, subir em lugares e até para fazer o dever de matemática. Também assisti a excitação no olhar delas quando elas finalmente aprenderam a se equilibrar na bicicleta de duas rodas, conseguiram brincar sozinhas na balança e se entusiasmaram com os projetos de ciência.

Mas, mesmo nove anos depois, nós ainda somos afetados.

É frustrante. Pode ser embaraçoso. Me deixa triste. E, às vezes, me deixa francamente louca.

Nos melhores dias, eu lido com os socos. Eu sou paciente e grata. Essas garotas de 9 anos não têm nenhuma semelhança com as bebês vermelhas, enrugadas e com menos de 1,5 kg que eu tive.  Elas são saudáveis e felizes, desenvolvem seus próprios interesses e estilos. Enquanto nós passamos por algumas dificuldades, também celebramos as vitórias.

Nos meus piores dias, fico brava e ressentida. Fico com raiva, pensando que roubaram de nós uma experiência ‘normal’ de nascimento. Eu fico chateada que minhas meninas sofrem por suas deficiências invisíveis, algo que não é culpa delas. Eu fico frustrada porque essa é a nossa jornada e que nós nunca deixaremos a prematuridade para trás.

E sim, eu me culpo por não conseguir protegê-las.

Quando uma professora me fala que percebeu a falta de foco em uma das m