Menino de 8 anos com síndrome de Down escreve primeiro livro sozinho sobre as próprias conquistas

Max Dalarme escreveu o livro “Eu sou o Max!” em letra bastão para facilitar a leitura de outras crianças e pessoas com a síndrome

Resumo da Notícia

  • Max Dalarme, 8 anos, tem Síndrome de Down e escreveu seu primeiro livro
  • Ele é o primeiro autor mirim e tem mais de 42 mil seguidores no Instagram
  • A mãe dele, Melissa, sempre o incentivou a fazer atividades físicas e a escrever
  • Para ela, a síndrome nunca foi um impeditivo

Max Dalarme é o primeiro autor com síndrome de Down do Brasil a escrever um livro sozinho, sem ajuda de outras pessoas. No Brasil, há apenas três escritores adultos com síndrome de Down. Há também obras que mostram o protagonista com síndrome de Down, mas foram escritos por pessoas sem a síndrome.

-Publicidade-

“Meu filho sempre foi um apaixonado por livros desde bebê. Tanto que, aos 7 anos, escreveu e desenhou seu primeiro livro de próprio punho. Hoje, ele está com 8 anos, é aluno dedicado do 2º ano do ensino fundamental I e ama aprender”, conta Melissa Dalarme, médica veterinária e mãe de Max.

O livro Eu sou o Max! é uma conquista importante na luta por uma sociedade inclusiva. E foi pensando nisso que Max escreveu toda a obra em letra bastão, pois pessoas com síndrome de Down, em grande parte, tem maior facilidade de leitura neste tipo de letra. O livro Eu Sou Max! será lançado no dia 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down.

-Publicidade-
Primeira criança com Síndrome de Down escreve livro sozinha (Foto: Reprodução/ Divulgação)

Já as ilustrações foram feitas por Cris Eich, que já ilustrou mais de 80 livros infantis. Ela conta como foi a experiência: “Conheci o Max numa livraria, no verão do Rio de Janeiro. Conversamos antes pela internet, e, quando nos vimos pela primeira vez, Max se enfiou no meio dos livros como se fosse sua casa. Ali, enquanto ele devorava as páginas coloridas de muitos livros, comecei a imaginar como ilustrar a história dele”.

Conheça Max Dalarme

O perfil Max no Instagram, que é monitorado pela família, tem mais de 40 mil seguidores. Segundo a mãe, o menino gosta de praticar aulas de equitação, fazer natação, dançar capoeira e surfar. Para ela, isso é resultado da educação dada pela família, que nunca viu a síndrome como um impeditivo. “Sou para o Max a oferta de oportunidade e recurso para que ele possa potencializar suas próprias habilidades, procurei estimulá-lo e contamos com apoio de educadores, professores e uma equipe multidisciplinar em todas as vivências que ele experimenta”, fala a mãe.

Sobre a obra literária

Max narra suas aventuras cotidianas e constrói uma história moldada pelo olhar infantil que retrata a rotina e suas conquistas diárias, sendo responsável por criar um universo gracioso e exuberante. Ele tem um cachorro filhotes chamado Maui e uma avó com uma tatuagem de rosa. O menino também mostra as diferenças entre ele e sua família e amigos e conta algumas dificuldades que passa no dia a dia.

As ilustrações do livro de Max foram feitas pela veterana Cris Eich (Foto: Reprodução/Divulgação)

Sua missão é criar um mundo empático, corajoso e repleto de amor. Ele descreve a felicidade que sente em momentos simples, como a alegria que sentiu ao interagir com uma peça que viu no teatro  e o medo que é derrotado pela coragem no momento de andar a cavalo. Cris Eich faz a ilustração com traços vibrantes e cheios de ternura.

Veja um trecho do livro

Olha a onda! Na praia, eu surfo com papai.
A onda é grande.
Tem sol. Minha prancha é azul

As ilustrações do livro de Max foram feitas pela veterana Cris Eich (Foto: Reprodução/Divulgação)

A capoeira é legal,
Tem música:
Aeiou… Aeiou… Aeiou…
Vem, criança, vem jogar!

Tem ginga e dança com berimbau.
Minha corda é laranja.

Com 48 páginas, o livro é indicado para crianças a partir de 5 anos e será vendido nas principais livrarias, mas para adquirir seu exemplar na pré-venda, clique aqui.