Meu filho está muito velho para birra? Veja 5 respostas para as perguntas mais feitas pelos pais

Seu filho ainda tem uns ataques de birra de vez em quando? E para não querer dividir os brinquedos? Ou fazer xixi na cama? A parentalidade, assim como um filho, não vem com um manual e precisa de muita paciência e persistência para que ela dê certo. Aqui, respondemos cinco dúvidas frequentes dos pais para te ajudar nessa missão

Resumo da Notícia

  • Se seu filho tem entre 5 e 6 anos e ainda assim ainda tem uns ataques de birra e faz manhas, o comportamento pode ser considerado normal dentro da transição
  • Passar de "criança pequena" para "criança grande" pode causar confusão na cabeça das crianças, e consequente alguns comportamentos tendem a 'voltar à tona', mas não podem virar rotina

Para uma criança na idade pré-escolar, com cerca de 3 anos, é normal ter crises de choros e manhas. “Mas quando meu filho de 5 anos começou, eu me perguntei: ele não é muito velho pra esse comportamento?”, lembra Reneé Saglv Rlebling, redatora da Parents. Na verdade, espera-se que as crianças entre 5 e 6 anos comecem a passar do estágio “criança pequena” para “criança grande”(ou seja, que passem a ter um pouco mais de maturidade), mas nem sempre essa transição é fácil ou fica claro quais comportamentos são aceitáveis e quais não são.

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“É um engano pensar que, uma vez que a criança aprendeu e desenvolveu uma habilidade, ela seja capaz de demonstrá-la o tempo todo”, diz Nathan Blum, médico pediatra de desenvolvimento comportamental do Hospital Infantil da Filadélfia. “Quando está se sentindo estressada, com fome ou mesmo cansada, a criança pode recorrer a esses tipos de regressão, mesmo que já tenha idade suficiente para não ter mais algumas atitudes”. Não é fácil, mas os especialistas explicam o que esperar dessa fase do seu filho.

Meu filho está muito velho para ter birras frequentes?

A resposta curta é sim. Se seu filho chora às vezes quando está triste, isso é normal. Mas se ele tiver um ataque de birra sempre que não consegue alguma coisa (quando você se recusa a comprar um brinquedo que ele vê enquanto fazem compras juntos), chorar e gritar provavelmente ajudou ele a conseguir o que queria no passado – ele está repetindo o comportamento.

O primeiro passo para desencorajar esse comportamento é não ceder às lágrimas do seu filho. Em vez disso, faça perguntas como: “Você consegue pensar em um motivo pelo qual eu não gostaria de comprar isso para você hoje?”. Tente levá-lo a uma alternativa mais produtiva ao choro, como colocar o item na sua lista de desejos de aniversário, sugere Myrna Shure, Ph.D., autora de ‘Thinking Parent, Thinking Child’, em português ‘Pais que pensam, filhos que pensam’, e professora de psicologia na Drexel University, na Filadélfia.

Se seu filho tem entre 5 e 6 anos e ainda assim ainda tem uns ataques de birra e faz manhas, o comportamento pode ser considerado normal dentro da transição
Se seu filho tem entre 5 e 6 anos e ainda assim ainda tem uns ataques de birra e faz manhas, o comportamento pode ser considerado normal dentro da transição (Foto: Getty Images)

Quando as crianças dessa idade percebem que suas travessuras não são eficazes e se acostumam a encontrar estratégias diferentes, seus ataques de birra geralmente param (ou pelo menos acontecem com menos frequência). Um aviso importante: se seu filho costuma ter explosões tão intensas que ele não consegue se acalmar e são acompanhadas por outros comportamentos, como bater, fale com o pediatra.

Meu filho está muito velho para ter dificuldade em ouvir a razão?

A resposta curta é não. Crianças e pré-escolares ainda estão se desenvolvendo e têm dificuldades naturais para entender algumas coisas – não porque não têm capacidade, mas porque ainda estão amadurecendo. Embora a maioria das crianças de 5 e 6 anos seja melhor em compreender exemplos concretos de causa e efeito (o ponto principal da maioria dos argumentos lógicos), eles ainda podem ter problemas com conceitos abstratos, como o fato de que germes invisíveis podem deixá-los doentes , explica o Dr. Blum.

Por exemplo, quando Janine Flannery, de Westfield, em New Jersey, disse a seu filho de 6 anos que eles tinham que ir direto para casa depois da escola naquele dia porque eles tinham um compromisso, ele teve dificuldade em se ajustar à mudança nos planos. “Tentei explicar, mas ele gritou que nós sempre vamos ao playground às terças-feiras”, conta Flannery. Se o seu filho ficar chateado e fizer birras quando você der notícias decepcionantes a ele (como neste exemplo), diga a ele o motivo uma vez, mas depois faça o que você precisa fazer – coloque-o no carro, por exemplo – e diga que falará mais sobre isso mais tarde, aconselha o Dr. Blum. Em seguida, tente novamente explicar pra ele, quando todos estiverem calmos. Lembre-se de que a capacidade de raciocínio do seu filho continuará a se desenvolver junto com sua maturidade emocional, o que, por sua vez, o ajudará a ouvir as explicações no calor do momento.

Meu filho está muito velho para se recusar a dividir as coisas?

A resposta curta é sim. Qualquer criança pode ter um dia mais ou menos (por conta de uma noite de sono ruim, por exemplo), mas seu filho deveria compartilhar e revezar com frequência a essa altura. Se ele for um adepto dos próprios brinquedos, ensaie encontros para brincar e certifique-se de que você seja um bom exemplo de divisão e compartilhamento dentro de casa, aconselha Michele Borba, doutora em educação, conselheira de pais e autora de ‘The Big Book of Parenting Solutions’, em português, ‘O Grande Livro das Soluções da Parentalidade’. Quando um amigo vier visitar, permita que seu filho guarde alguns brinquedos especiais com antecedência e incentive oportunidades de brincadeiras cooperativas, como construir um castelo ou montar um quebra-cabeça juntos.

Se mesmo assim surgir um conflito, pergunte ao seu filho como ele acha que o amigo se sentiu quando ele tomou um brinquedo dele, e pergunte às duas crianças se elas podem pensar em uma maneira de resolver o problema, já que é mais provável que sigam com uma ideia que é deles. Você sempre pode “dar um tempo” para um brinquedo se eles não conseguirem chegar a um acordo (e ninguém mais brinca com ele naquele período), ou usar um cronômetro, dando a cada criança o mesmo tempo para brincar com ele.

Tão importante quanto ensinar, é apontar quando seu filho compartilha voluntariamente. Nesses casos, sempre mostre o ponto positivo disso dizendo: “Você viu o sorriso da sua amiga quando você deixou ela usar seus brinquedos? Vocês realmente se divertiram brincando de zoológico juntos”. Isso pode aumentar a probabilidade do seu filho repetir o comportamento da próxima vez – e reconhecer o valor de compartilhar, diz o Dr. Borba.

Meu filho está muito velho para fazer xixi na cama?

A resposta curta é não. Embora ele provavelmente tenha sido treinado para usar o penico por cerca de dois anos, ficar seco à noite é um marco de desenvolvimento diferente que algumas crianças não alcançam até vários anos depois. De acordo com a Academia Americana de Pediatria, 20% das crianças de 5 anos experimentam enurese noturna – e a maioria vai superar isso sozinha. Apesar de existirem medicamentos contra enurese noturna, o Dr. Blum não recomenda considerá-los até que a criança tenha 7 ou 8 anos. Até então, concentre-se no controle em vez do tratamento.

Faça com que seu filho evite líquidos por algumas horas antes de dormir e leve-o para usar o banheiro antes de colocá-lo na cama e apagar as luzes. Em seguida, acorde-o uma ou duas horas depois para usar o banheiro mais uma vez. Proteja seu colchão com uma capa à prova d’água e faça-o usar calças de treinamento à noite, se ele não se opor. Certifique-se de que ele sabe que fazer xixi na cama é normal na nessa idade e que isso não dura para sempre. Se, no entanto, seu filho ficou seco à noite por seis meses ou mais e repentinamente começou a fazer xixi na cama novamente, ele deve ser avaliado pelo médico, pois a culpa pode ser de um problema médico.

Passar de "criança pequena" para "criança grande" pode causar confusão na cabeça das crianças, e consequente alguns comportamentos tendem a 'voltar à tona', mas não podem virar rotina
Passar de “criança pequena” para “criança grande” pode causar confusão na cabeça das crianças, e consequente alguns comportamentos tendem a ‘voltar à tona’, mas não podem virar rotina (Foto: Getty Images)

Meu filho está muito velho para não ter boas maneiras à mesa?

A resposta sincera é que depende. As habilidades motoras finas e os níveis de atividade das crianças variam muito nessa idade – e o nível em que seu filho está nesse aspecto afeta sua capacidade de sentar durante uma refeição ou cortar o frango com garfo e faca. Como a maioria dos modos à mesa são habilidades que a criança domina, e não comportamentos de desenvolvimento, depende das suas prioridades. “É melhor aprender os hábitos um de cada vez”, explica o Dr. Borba, então, se você considera crucial que seu filho diga “por favor” e “obrigado” sem precisar ser lembrado, concentre-se nisso e deixe que outras coisas (como o uso de talheres, por exemplo) se desenvolvam naturalmente até que se tornem automáticos.

Além disso, é mais provável que as crianças mantenham hábitos se você tornar o processo de aprendizagem agradável, diz o Dr. Borba. Por exemplo, crianças de 5 e 6 anos adoram musiquinhas para tudo, então tente inventar uma para qualquer etiqueta que você está tentando ensinar – rimas podem ajudar muito neste caso também. Encontrar maneiras de envolver seu filho (colocando guardanapos para uma refeição, por exemplo, e incluindo-o na conversa) pode ajudar – apenas tente ficar relaxada e não pirar muito sobre isso. “Mantenha as refeições divertidas e convidativas, e ele vai querer fazer parte delas”, diz o Dr. Borba.