Micose em crianças é mais comum do que você imagina!

Médico do departamento Materno-Infantil do Hospital Albert Einstein, dr. Claudio Len tirou todas as dúvidas sobre o assunto

 

 

(Foto: Getty Images)

Médico do departamento Materno-Infantil do Hospital Albert Einstein, dr. Claudio Len é nosso braço direito quando surge alguma dúvida sobre a saúde do seu filho. ASSUNTO DO MÊS: MICOSE.

Recebo fotos de crianças com micoses quase todos os dias, especialmente na região de troca de fralda e na boca. Causadas por fungos, estas infecções estão entre as mais comuns em crianças até os seis meses. Na região de troca de fraldas, a genital, costumam formar bolinhas vermelhas que lembram uma assadura, e que não melhoram com os cremes utilizados para a proteção da pele. Pelo contrário: esses cremes podem até piorar o aspecto, uma vez que deixam a pele úmida e quente.

Na boca, a micose causa a monilíase oral, popularmente chamada de sapinho. Observam-se placas brancas nas bochechas e nos lábios, que não saem com a higiene. O diagnóstico das micoses costuma ser simples e não são necessários exames para confirmação. Raramente elas podem acometer as unhas e alguns órgãos internos, como o pulmão, especialmente em pessoas com imunodeficiência.

As micoses de boca e de região de troca de fraldas costumam vir juntas, pois os bebês colocam a mão em tudo e com isto espalham os fungos. Felizmente, na grande maioria das vezes as micoses são simples e melhoram rapidamente com o tratamento com pomadas e cremes específicos. Raramente são necessários medicamentos por via oral. Algumas crianças têm micoses de repetição, e isso é bem normal. Não há necessidade de preocupação ou de cuidados excessivos com o ambiente.

A frequência de micoses vai diminuindo com o crescimento, exceto pelas micoses nos dedos dos pés, comum em crianças maiores esportistas e que transpiram muito nessa região.

  • Tive micose aos seis meses de gestação. O médico me receitou uma pomada e sarou. Meu bebê corria algum risco por conta disso? Carla Silva, mãe de Sara e Eva.

Não, fique tranquila. As micoses adquiridas na gestação não passam para os bebês, já que eles estão muito protegidos dentro do útero da mãe. Para curar essa infecção na mulher grávida, que é adulta, é possível utilizar as pomadas sem qualquer restrição, o bebê estará seguro. Lembrando que as pomadas de assadura pioram o aspecto da micose, não as use.

  • Meu filho já teve mais de uma vez. Melhora em um lugar e volta em outro. Por quê? Como evitar? João Pereira, pai de Lorenzo.

As crianças são muito sensíveis às micoses por três motivos: 1) o sistema imunológico ainda é imaturo, 2) a pele na região das fraldas é quente e úmida, e 3) elas colocam tudo na boca, e os fungos estão por toda a parte. Então, trate todas as micoses ao mesmo tempo, o que melhora o sucesso no tratamento. Nos casos de repetição, cheque se alguém que cuida da criança tem micose na unha, por exemplo.

  • Ela passa de pessoa para pessoa? Pode trazer algum risco às crianças? Carol Volpe, mãe de Gabriela.

As micoses passam de pessoa para pessoa, de animal para pessoa e até de planta para pessoa. O contágio não é fácil e geralmente é necessário o contato um pouco mais prolongado para a passagem do fungo de uma pessoa para outra. De modo geral, elas são infecções simples e não acarretam riscos para as crianças. Felizmente, as micoses que acometem os órgãos internos, que poderiam levar a algum risco, são MUITO raras na infância.

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