Miopia em crianças aumenta na pandemia e acende alerta no uso de telas: saiba como ajudar o seu filho

Com a chegada da pandemia muita coisa mudou, inclusive um maior tempo gasto em frente às telas. Nas crianças, a partir de um levantamento feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia, foi possível notar um aumento nos casos de miopia

Resumo da Notícia

  • Os casos de miopia em crianças aumentaram na pandemia
  • A situação acende um alerta quanto ao uso excessivo de telas
  • 295 médicos oftalmologistas, de diversas subespecialidades, foram ouvidos entre abril e junho de 2021

Um estudo recente feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostrou que a houve um aumento dos casos de miopia em crianças durante o período da pandemia. Para o levantamento, foram ouvidos 295 médicos oftalmologistas, de diversas subespecialidades, entre abril e junho de 2021.

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Sete em cada dez médicos identificaram o aumento dos graus de miopia durante as consultas. Desses, 6% apontaram o problema em 75% dos pacientes, outros 27% perceberam a situação em 50% dos pacientes e 67% diagnosticaram o caso em 25% das crianças.

O principal motivo para o aumento estaria relacionado ao uso excessivo de diversos aparelhos eletrônicos, que podem agravar os casos de miopia. 75,6% dos oftalmologistas confirmaram sobre o uso de telas, já outros 22% acreditam que o fator pode sim influenciar, mas apenas no uso de celulares e tablets. O percentual restante dos médicos entrevistados não acreditam que as relações sejam interligadas.

No mundo, o total de pessoas com miopia chega a 2,6 bilhões e, apenas em crianças brasileiras, os números chegam a 6,8 milhões. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o problema ocular já é visto como uma epidemia e deve atingir até 35% da população mundial até o final do ano. A projeção é de que até 2050 chegue a 52%.

O principal motivo do aumento no número de casos de miopia pode ser relacionado ao uso excessivo de telas (Foto: Shutterstock)

Vale lembrar que além do uso de telas, a miopia também pode estar ligada a fatores como: estilo de vida, ambiente e genética. “É muito importante acompanhar a rotina das crianças e garantir que haja equilíbrio entre o período imerso no mundo digital e o tempo em atividades que não envolvam eletrônicos“, indica a Dra. Alessia Braz, oftalmologista membro da Academia Americana de Oftalmologia e diretora clínica da Univi, mãe de Leonardo

98,6% dos oftalmologistas perceberam ainda que diminuir o tempo de telas, como na televisão, videogames, celulares, tablets, entre outros, ajuda nos casos de miopia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os pais devem evitar a exposição das telas em crianças com menos de dois anos. Já dos dois aos cinco anos, o uso deve ser limitado a uma hora por dia.

O que é miopia?

A miopia é considerada um erro refrativo que acontece no globo ocular. A partir disso, a imagem dos objetos não recebem o foco adequado, causando a visão turva. Geralmente, costuma surgir um pouco mais tarde nas crianças, exceto nos casos congênitos de altas miopias. “Temos visto cada vez mais cedo as crianças míopes e isso está associado ao uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Ela causa uma dificuldade de visão para longe”, explica a Dra. Bruna Ducca, oftalmopediatra na clínica Eyekids, mãe de José e Felipe. Saiba mais sobre outras doenças oculares.

Quando levar a criança ao oftalmopediatra pela primeira vez?

Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, é recomendado que a primeira visita ao oftalmologista aconteça por volta dos seis meses de vida. A partir dos dois anos de idade, as consultas podem ser realizadas anualmente.

Na infância, as crianças geralmente não conseguem perceber que existe algo de errado com a visão (Foto: iStock)

Sinais de que a criança tem problemas de visão

Nem sempre é fácil de identificar ou explícito, mas seu filho pode te dar alguns sinais de que existe algo errado com a visão. Então, procure um médico especialista caso a criança demonstre:

  • Que está enxergando embaçado
  • Aperta os olhos para enxergar de longe
  • Se aproxima de objetos para ver melhor
  • Dor de cabeça frequente
  • Pisca excessivamente
  • Olhos vermelhos
  • Quedas frequentes
  • Lacrimejamento
  • Coceira frequente
  • Pupilas com aparência branca ou de tamanhos diferentes entre elas
  • Se os olhos parecem não se mexer com sincronia, ou um não se move como o outro
  • Fotofobia
  • Se a cabeça da criança está sempre virada um pouco para o lado (sempre o mesmo lado – pode ser para compensar um estrabismo

Vale lembrar ainda que a criança se adapta facilmente a qualquer tipo de situação, então, ela nem sempre irá demonstrar que não está enxergando ou que existe algum problema de visão. “A percepção da criança é muito diferente do adulto, por isso a importância das consultas de rotina, mesmo que os pais não observem nada nos olhos das crianças, é fundamental”, conclui Bruna Ducca.