Projeto cria espaços lúdicos à céu aberto para garantir o desenvolvimento de crianças nas favelas

O “Favelas do Brincar” já entregou obras incríveis em Paraisópolis – uma das maiores comunidades de São Paulo – e pretende expandir a ideia para o Rio de Janeiro

Resumo da Notícia

  • O "Favelas do Brincar" é responsável por criar espaços lúdicos à céu aberto para crianças que moram em favelas
  • O projeto já entregou obras em Paraisópolis - uma das maiores comunidades de São Paulo - e ainda pretende se expandir para o Rio de Janeiro
  • Caroline Rego é diretora estratégica do movimento responsável pelo projeto, e deu detalhes sobre a causa em entrevista exclusiva com a Pais&Filhos

O “Favelas do Brincar” está criando espaços lúdicos à céu aberto que contribuem diretamente com o desenvolvimento de crianças nas comunidades. Recentemente, o projeto entregou uma área com jogos e brincadeiras na favela de Paraisópolis – uma das maiores de São Paulo – e Caroline Rego, a diretora de estratégia do movimento Unidos pelo Brincar, responsável pelo projeto, conversou com a Pais&Filhos sobre a iniciativa que beneficia milhares de famílias.

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“As atividades propostas no espaço vão muito além da diversão, pois foram projetadas para contribuir para o desenvolvimento integral dessas crianças, ajudando a desenvolver habilidades físicas, emocionais, cognitivas, criativas e sociais”, contou. “Esses espaços foram pensados de forma a passar uma mensagem clara de que este espaço também é das crianças, que elas são bem-vindas ali, e que aquilo foi pensado para elas. O impacto de intervenções como esta é algo difícil de tangibilizar, e que se realiza no longo prazo, através dos diversos benefícios que a aprendizagem lúdica traz”.

Espaços como este do projeto "Favelas do Brincar" são essenciais no desenvolvimento das crianças
Espaços como este do projeto “Favelas do Brincar” são essenciais no desenvolvimento das crianças (Foto: Divulgação)

Caroline revelou que a grande maioria dos pais de crianças que moram em comunidades afirma que brincariam mais com os filhos se tivessem parques ou espaços adequados para tal.  “Em uma recente pesquisa que realizamos em todo Brasil sobre o brincar nas favelas, identificamos que a falta de espaços públicos dedicados ao brincar, principalmente em comunidades como Paraisópolis, é uma das grandes barreiras que as famílias encontram para brincar com as crianças”, disse. “Inclusive em outra pesquisa que realizamos especificamente na comunidade de Paraisópolis, vimos que 96.9% dos respondentes da pesquisa concordaram com a frase ‘Se houvesse um parquinho ou um espaço para brincar mais perto de casa, eu brincaria mais com a criança'”.

Para além dela, outra pesquisa realizada pelo movimento “Unidos do Brincar” em parceria com o Instituto Locomotiva e o Data Favela concluiu que 88% das mães entrevistadas recorrem a telas – celular, TV – para entreter as crianças.

Por isso, o “Favelas do Brincar” inaugurou seu espaço no dia do centenário de Paraisópolis, dia 16 de setembro deste ano. Sobre isso, Gilson Rodrigues – porta voz do G10, organização responsável pela escolha das comunidades a serem beneficiadas pelo projeto, bem como o acompanhamento destas obras antes, durante e depois de sua inauguração – ressaltou, “Este presente nos 100 anos de Paraisópolis é uma forma de dar às nossas crianças uma ótima oportunidade de brincar e aprender sem ter que sair da comunidade. Investir no desenvolvimento de todas as crianças hoje é a base para uma sociedade mais próspera para todos amanhã”.

A área do "Favelas do Brincar" foi inaugurada no centenário de Paraisópolis
A área do “Favelas do Brincar” foi inaugurada no centenário de Paraisópolis (Foto: Divulgação)

Caroline também ressalta a necessidade de espaços que conversem não só com a necessidade do desenvolvimento de habilidades físicas, emocionais, cognitivas, criativas e sociais – mas que também ajude os papéis na criação dos filhos. “As famílias da comunidade ganham acesso a um espaço recheado de atividades lúdicas, contribuindo para um tempo de qualidade entre pais e filhos dentro da própria comunidade”, reforça. A diretora ainda relembra da dificuldade de alguns grupos em se deslocar para locais públicos em outras regiões de São Paulo e, por causa disso, a importância de um projeto de viabilize essa interação familiar perto de casa.

“É um desafio por uma questão de tempo e também pelo fator financeiro, e se as famílias da comunidade não dispõem de uma alternativa assim perto de onde moram, fica realmente muito difícil oportunizar o brincar para as crianças”, desabafa. “Sempre reforçamos a importância do brincar para as crianças, mas a verdade é que esses momentos de qualidade juntos fazem bem para toda a família”.

E dentro de casa?

O movimento “Unidos Pelo Brincar” também disponibilizou materiais exclusivos para serem acessados online durante a pandemia da covid-19 – pensando sempre na segurança das crianças e familiares durante o isolamento social. Nesse contexto, Caroline ainda ressalta, “O movimento Unidos pelo Brincar também lançou o projeto Aprendizagem Criativa em Casa (aprendizagemcriativaemcasa.org) em parceria com a Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa, que conta com o apoio da Fundação Lemann e MIT Media Lab. O site traz diversas opções de brincadeira que podem ser realizadas em casa por pais e filhos”. Ela ainda garante que estão sendo pensadas mais atividades que possam ser realizadas dentro de casa.

Da comunidade para a comunidade

O “Favelas do Brincar” possui projetos lúdicos implementados e pautados para Paraisópolis, Complexo do Alemão e Heliópolis. Contudo, reforça a ideia de que outras comunidades menores podem – e devem – se inspirar na iniciativa para seus próprios moradores.

“Acreditamos que o primeiro passo seja que as pessoas busquem as lideranças e organizações que já fazem um trabalho incrível na sua comunidade, ou mesmo associações, grupos de voluntários; cada comunidade tem um ecossistema da sociedade civil diferente, então a abordagem e a estratégia para implementar uma ação como esta será diferente em cada território”, indica Caroline. Ainda assim, a diretora ainda reforça que, para aqueles inseridos no formato do “Favelas do Brincar”, a mão de obra e de dentro da comunidade para a comunidade, beneficiando não só as crianças – mas todos os moradores da região.

O "Favelas do Brincar" emprega funcionários das comunidades em que atua para a construção dos espaços
O “Favelas do Brincar” emprega funcionários das comunidades em que atua para a construção dos espaços (Foto: Divulgação)

“O projeto “Favelas do Brincar” está sendo realizado privilegiando sempre a alocação de mão de obra da própria comunidade. Neste caso, todos os funcionários e fornecedores envolvidos estão sendo remunerados e no momento não buscamos doações”. Por isso, em parceria com o G10 e com financiamento do Movimento Unidos pelo Brincar, Caroline reforça que é possível ajudar a todos com as brincadeiras.

“Precisamos fazer o que está ao nosso alcance para criar mais oportunidades para que todas as crianças aprendam brincando, no espaço que estiver disponível, com os recursos que estiverem à mão. Este projeto é um convite para que diversos atores reflitam também sobre o que cada um pode fazer para propiciar oportunidades para que toda criança tenha acesso ao brincar”, finaliza ela. Demais!