Criança

Reforma na Neonatologia de Santa Casa de Juiz de Fora passa a priorizar mães e recém-nascidos

O hospital tem 28 leitos para bebês e uma suíte com duas camas integradas ao salão de incubadoras

Ingrid Campiteli

Ingrid Campiteli ,filha de Sandra e Paulo

 

 

(Foto: Santa Casa)

Existem inúmeros relatos contando como é pesada e cheia de sofrimento a rotina das mães de recém-nascidos que são internados logo após o seu nascimento. Bebês prematuros, ou com algum outro problema de saúde, que precisam de cuidados especiais ainda nos seus primeiros dias de vida. A dificuldade para amamentar e o cansaço da dupla jornada entre casa x hospital são as principais lutas que essas mães enfrentam diariamente, além da espera de dias, semanas ou até mesmo meses pela recuperação das crianças.

Pensando em soluções inovadoras e eficientes para oferecer uma experiência melhor nesse momento tão delicado para os pais e os bebês, o escritório ARTO Arquitetura projetou os 400 m² da nova Neonatologia da Santa Casa de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Nesse projeto, foram criados 28 leitos para bebês e uma suíte com duas camas integradas ao salão de incubadoras, para que as mães pudessem ficar hospedadas próximas aos seus bebês, como se estivessem em um hotel. Outro ponto importante nesse projeto foi oferecer autonomia e liberdade aos pais dos recém-nascidos internados. A ideia é permitir que eles possam entrar ou sair livremente da Neonatologia, uma facilidade que transmite confiança e participação da família durante o processo.

Todos os leitos disponíveis para as mães também são cangurus, para que elas possam amamentar e optar por acompanhar seus filhos 24 horas por dia. O Método Canguru consiste no cuidado humanizado do recém-nascido prematuro através do contato com a pele da sua mãe ou do seu pai. Ele é feito de forma gradativa e tem como principal objetivo aproximar o vínculo entre mãe e filho. Essa estratégia também estimula o aleitamento materno, reduz o estresse e favorece um melhor desenvolvimento neuro comportamental e psico-afetivo do recém-nascido de baixo peso.

Para facilitar a rotina de médicos e dos enfermeiros no cuidado com os bebês, a ARTO priorizou nesse projeto a mobilidade, a fluidez e a segurança do ambiente. Pensando nisso, a neonatologia mineira foi dividida em três núcleos circulares, que acolhem pacientes com diferentes necessidades. Também foi projetado nesse espaço um caminho em linha reta ao final dos núcleos, a fim de encurtar a distância percorrida pela equipe em casos de emergência.

“O novo espaço oferece atenção individual e segurança aos bebês. A recuperação ocorre em pequenos grupos, com ênfase em cada caso particular, o que aumenta a motivação e traz uma sensação de segurança durante o processo. Diferente do que é praticado em quase todo o Brasil, na Neonatologia da Santa Casa de Juiz de Fora os bebês não ficam agrupados em um único salão, mas sim em grupos de acordo com as suas necessidades. A ideia dessa solução é facilitar a equipe de enfermagem e também controlar a possibilidade de infecções e riscos ao paciente”, explicou a arquiteta e urbanista Moema Loures, sócia da ARTO Arquitetura.

Outro diferencial desse projeto foi a criação de painéis coloridos, projetados pela arquiteta Moema. Além de alegrar o ambiente, esses painéis exclusivos concentram toda a infraestrutura de gás, energia elétrica e equipamentos, facilitando a manutenção e otimizando a distribuição.

“Nosso objetivo com esse projeto nunca foi simplesmente modernizar o espaço da neonatologia. Nós queríamos mergulhar a fundo no dia a dia da equipe médica, dos bebês e dessas mães para conseguir entender suas necessidades e assim, desenvolver soluções eficientes para melhorar a experiência de todos. E foi assim que pensamos nos leitos cangurus, que aproximam novamente a mãe do seu bebê. A arquitetura é uma ferramenta para projetarmos espaços eficientes para pessoas, por isso nunca podemos nos esquecer que o nosso foco são os pacientes. Tudo o que concretizamos foi para minimizar o sofrimento em um momento tão delicado e oferecer mais conforto e afeto dentro de um hospital”, explica a arquiteta Moema.

É o caso da mineira Rosiane Machado, mãe do pequeno Gael, que ficou internado por 16 dias na Unidade Neonatal da Santa Casa de Juiz de Fora. Rosiane e o marido moram em Além Paraíba (MG) e foram até Juiz de Fora para comprar o enxoval do bebê. Com 34 semanas e distante da sua cidade natal, a mãe de primeira viagem ficou assustada quando sua bolsa estourou e precisou ir às pressas para a Santa Casa de Juiz de Fora. Foram 16 dias de muita ansiedade pela recuperação do filho e saudade de casa, mas que foram recompensados por toda a assistência que a família recebeu durante esse período delicado.

“Como mãe, eu esperava que o meu bebezinho fosse colocado em meus braços e que seguiria comigo para o quarto. Então foi muito doloroso saber que isso não aconteceria e que eu sairia do hospital sem ele e com aquele sentimento de colo vazio. A minha sorte foi encontrar uma equipe tão carinhosa e dedicada, que me fizeram ter mais confiança de que o Gael estava em boas mãos e que ele iria se recuperar “, explicou Rosiane Machado.

E para reforçar que o foco do projeto sempre será os usuários, a ARTO Arquitetura fez uma pequena homenagem aos bebês que já passaram pela Neonatologia, antes da reforma. Durante a obra, foram coletadas as impressões digitais dos recém-nascidos que estiveram internados na antiga Unidade Neonatal para ilustrar a nova proteção das paredes de vidro. Uma referência da memória das crianças e do foco de toda essa reestruturação.

(Foto: Santa Casa)

 

(Foto: Santa Casa)

 

(Foto: Santa Casa)

 

(Foto: Santa Casa)

 

(Foto: Santa Casa)

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