Round 6: Crianças são hospitalizadas após imitarem jogo da série

Round 6 já é um dos maiores lançamentos da história da Netflix. Contudo, mesmo com a classificação indicativa para 16 anos, alguns pais permitem que os filhos assistam ao programa. Na França, o que deveria ser uma brincadeira se tornou um verdadeiro problema

Resumo da Notícia

  • Crianças foram hospitalizadas na França após imitarem um dos jogos retratados em Round 6
  • A série já é considerada um dos maiores lançamentos de toda a história da Netflix
  • Mesmo com a classificação indicativa de 16 anos, alguns pais vem permitindo que os filhos assistam ao programa

Round 6 já é considerada um dos maiores lançamentos de toda a Netflix. Contudo, mesmo com a classificação indicativa de 16 anos – e o alerta para conteúdo violento – pais vem permitindo que crianças tenham contato com o programa. Na França, isso se tornou um problema após um grupo de alunos ser hospitalizado ao imitar um dos jogos mostrados na série.

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O caso aconteceu na instituição College George-Sand, na região de Crégy-lès-Meaux. Por lá, a situação toda ocorreu após um impasse entre alunos do terceiro e do sexto ano. Os grupos decidiram se encontrar em um corredor estreito da escola, no qual iniciaram uma espécie de “estouro da boiada” de agressões das crianças mais velhas contra as mais novas.

Round 6 é o mais novo sucesso da Netflix
Round 6 é o mais novo sucesso da Netflix (Foto: Reprodução/ Netflix)

A situação teria sido inspirada em momento mostrado em Round 6. Cinco alunos tiveram de ser levados às pressas para o hospital, onde o estado de saúde deles não foi divulgado. A escola já iniciou três processos de expulsão contra alunos que organizaram a dinâmica dentro da instituição.

Como abordar ‘Round 6’ com as crianças em casa?

Na sexta-feira, dia 8 de outubro, a Pais&Filhos fez uma live com especialistas e embaixadores parceiros para esclarecer como abordar esse assunto da melhor forma dentro da sua casa, sempre com equilíbrio, calma e responsabilidade. Durante o bate-papo, Beto Bigatti, do @pai_mala, pai de Gianluca e Stefano, também contou a experiência que teve com seu filho em relação à série. Antes mesmo de conhecer Round 6, o caçula de 8 anos já sabia do que se tratava. “Eu perguntei para ele o que era e ele me disse: ‘Ah, as pessoas morrem’. Não precisei ver 30 minutos do primeiro episódio. Na minha concepção, isso não é uma série para crianças.”

A influenciadora Fefa Alfano, do @promovidaamae, mãe de Rafael e Felipe, também ficou preocupada e contou que na escola em que os meninos estudam o assunto é sempre Round 6. O filho mais velho chegou a perguntar se poderia assistir à série, mas ela decidiu pesquisar mais sobre para entender se – e por que – os filhos deveriam assisti-la. “Até os primeiros 40 minutos, pensando como mãe, eu já vi que não ia dar para eles assistirem. Respondi para eles que o maior motivo de não deixá-los assistir é porque eu os amo muito”, comentou.

Roberta Bento, especialista em educação e neurociência cognitiva, fundadora do SOS Educação e mãe de Taís, defende que essa é uma boa forma de explicar à criança o motivo da proibição. “Para pertencer ao grupo, ele não precisa fazer tudo que o grupo faz. Não temos como controlar tudo o que o nosso filho faz, mas nós temos o poder de influenciar o que nosso filho vai fazer. O sentimento de estar fazendo uma coisa contrária ao que foi proposto pela mãe não o deixa relaxado”.

O seriado gerou polêmica
O seriado gerou polêmica (Foto: Reprodução/ Netflix)

“A gente tem a sensação de que amar é falar sim, mas amar também é falar não. Com a pandemia, acabamos naturalizando o impacto do uso de telas na educação das crianças. A gente foi perdendo a noção e o critério do que pode ou não pode na tentativa de dizer sim por amor. A autonomia dada pelos pais deve estar de acordo com a idade dos filhos. Não podemos confundir autonomia com negligência. O canal de comunicação deve estar aberto, mas o poder de decisão é dos pais“, afirma Vanessa Abdo, doutora em psicologia e CEO do Mamis na Madrugada, mãe de Laura e Rafael.

“O maior medo dos pais é de desagradar os filhos. É importante que todos sejam ouvidos, como em uma democracia, mas quem diz sim ou não são os pais”, completa Beto. Por isso, caso seu filho insista em querer assistir à série, seja firme e diga não. Proibir também é cuidar e demonstra preocupação com a criança. “Pai pode falar não. A palavra “não” pode e deve fazer parte da educação dos filhos”, ressalta Taís Bento, que também é especialista em educação e neurociência cognitiva e fundadora do SOS Educação, ao lado da mãe, Roberta.

Por outro lado, as especialistas defendem que o fato de falar sobre a série, caso seu filho traga esse assunto para dentro de casa, não deve ser proibido. “Não proíba o assunto dentro de sua casa porque você precisa ouvir o que ele está falando e com quem ele está falando. É do seu filho dentro de casa que você precisa cuidar. Não perca o seu tempo pensando no que a Netlix pode ou não colocar na plataforma. É responsabilidade nossa. Nós adultos somos a fonte mais segura de devolução para eles”, diz Roberta.