Criança

Saiba lidar com a birra do seu filho e entenda porque ela acontece com todas as famílias

Crises de choro, gritaria e até se jogar no chão. Atire a primeira pedra quem nunca passou por essa situação inevitável!

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

Fique calma, a birra é normal! (Foto: Jenny Risher)

Aquele choro e gritaria que parecem não ter fim começam por volta de 1 ano e meio de idade da criança e podem significar que seu filho entrou na fase da birra. Sim, essa fase existe e é inevitável. Sim, você vai se descabelar. Não, não é fácil. E acredite: os episódios de birra parecem ter hora marcada e duração para acontecer – geralmente entre 15h30 e 19h e período de três a cinco minutos. Para que o seu filho se desenvolva e seja capaz de negociar as suas próprias vontades, sem manipular ou fazer chantagem, é preciso ser firme. E você vai fazer isso pelo mesmo motivo que fica com o coração doído: porque você o ama.

E não importa quantas vezes você tente distrair, entreter ou alegrar seu filho para melhorar o temperamento, as coisas desandam rapidamente. Mas isso não quer dizer que você é uma mãe ou um pai incompetente – ou que você tenha um filho incorrigível, ok? Tudo é muito normal. Por isso, juntamos as dúvidas mais comuns para te ajudar a lidar e entender esse momento. 

Bebê faz birra? 

Esse é um comportamento muito específico de crianças que estão aprendendo a lidar com os limites e ainda não conhecem outras formas de reagir. Por isso, um bebê de 2 meses a 1 ano não reage com birra, porque ainda não está aprendendo a lidar com a negação. Se você fica em dúvida de pegar o filho com menos de 1 ano no colo quando ele chora, não tenha. Pegue, acolha, abrace. É disso que ele precisa.

O que chamamos de birra nada mais é do que a criança aprendendo a se posicionar diante das negações dos adultos. Não existe desenvolvimento saudável sem birra. Faz parte do “eu” da criança, que pode ter um período mais ou menos birrento. Os bebês aprendem rápido que quando choram são pegos no colo, mas isso não é birra e sim um comportamento normal que os pais podem responder de diversas maneiras. Além de o choro ser um pedido para ser pego no colo, também pode significar incômodos como dor, fome, sede e mal-estar. Além disso, o bebê sente o estado emocional da mãe o tempo todo e se ela estiver angustiada, o filho, independentemente da pouca idade, vai sentir.

Lidando com a situação

Nada de entrar no braço de ferro com o seu filho, porque assim você perderia sua autoridade. O primeiro passo é explicar que não está gostando do comportamento dele e por isso não vai prestar atenção nele enquanto estiver agindo daquela maneira. Caso você simplesmente saia do ambiente de conflito sem explicar por que está fazendo isso, seu filho pode entender que você está se comportando como ele, achando que, naquele momento, vocês estão tentando disputar autoridade. 

E mais do que castigá-lo, deixar claro que você se importa com o que ele está sentindo naquele momento faz toda a diferença para que seu filho aprenda a lidar com os próprios sentimentos. Lembre-se: seu filho precisa muito mais de você quando parece não merecer. 

Se você consegue lidar com a birra, o comportamento diminui até não acontecer mais. Se a birra não for trabalhada, quando adolescente ou adulto, ele vai continuar com o mesmo comportamento – claro que não vai mais se jogar no chão, mas pode se tornar uma pessoa intolerante. Por isso, mesmo que seja difícil, é necessário ser firme. Faz parte de exercer o papel de mãe e pai.

A birra é comum! (Foto: Jenny Risher)

 

Cinco estágios da birra

  • Raiva: comportamentos como gritar e jogar objetos geralmente aparecem no início da birra;
  • Tristeza: uma teoria antiga diz que a birra é seguida de dois estágios: a raiva e, depois, a tristeza – normalmente manifestada por choramingos e choros; 
  • Acalmando: se ainda existem sinais de raiva, não tente acalmá-lo nesse momento. Esse sentimento tem que diminuir primeiro para que ele possa ser confortado – caso contrário, a criança tende a recusar ajuda;
  • Precisando de carinho: depois que o tsunami de sentimentos passar, ele estará pronto para receber a sua ajuda. Ofereça abraços e beijos e diga algo como: “Não foi muito legal o que aconteceu”. Reconhecer o que passou, saber que não foi bom, mas que já acabou é o caminho. Lembre-se que a sua presença importa muito mais do que as suas palavras.
  • Seguindo em frente: crianças mudam de sentimentos e situações mais rápido do que os adultos. Portanto, não estranhe se uma hora após o ocorrido você ainda se sentir mal e seu filho estiver brincando normalmente.

 

Meu filho é mimado?

Amar, cuidar, proteger e preparar os filhos para o mundo são importantes missões dos pais. Mas essa preparação significa principalmente que devemos ensiná-los. E parte dessa tarefa de ser mãe e pai inclui deixá-los saber, desde cedo, que eles não são os reis da casa, nem o centro da vida dos pais, mas uma parte da família, igualmente importante. Se a criança não tem limites claros, pode começar a exercer o papel da pessoa que está no controle da situação. 

Alguns pais preferem não ver que estão mimando seus filhos. Mas sim, a culpa é nossa mesmo. A criança naturalmente busca ser o centro das atenções, ela ainda não tem noção de causa e consequência e, por isso, vai querer sair pela rua correndo, pedir tudo o que chamar sua atenção ou trocar o canal da TV sem a sua autorização. A nossa função é fazer com que o filho encontre o limite por si só. Se ele sair correndo para atravessar a rua, você deve explicar que existe uma convenção que deve ser seguida, como olhar para os dois lados, esperar os carros pararem, em vez de simplesmente dizer “não atravesse”. A criança tem de ter consciência de que, se tomar certas atitudes, vai prejudicar a si própria e terão consequências. 

Estabelecendo limites

Com que frequência seu filho ouve a palavra “não”? Você costuma deixar de levá-lo ao supermercado para evitar um ataque de birra por lá? Essas questões podem ajudar a perceber se ele está crescendo como uma criança mimada. Estabelecer limites é importante e, não, você não precisa ter medo disso. Experimentar a frustração faz parte da vida e é importante para o desenvolvimento. A manha ou a birra em si não fazem uma criança autoritária. Nestas horas, é preciso firmeza para mostrar que é você quem está no comando da situação.

Quando disser “não”, você pode explicar o motivo da negativa, mas não permita negociação quando não há espaço para isso. É importante também que você não ofereça recompensas em troca do bom comportamento. Deixe que seu filho se acalme para que vocês conversem melhor, mas não crie o costume de trocar favores em nome do bom comportamento. Se não quiser que seu filho grite ou aja de forma ríspida com as outras pessoas, não faça isso com ele também. Afinal, as crianças costumam agir por imitação boa parte do tempo. 

Não é só o seu filho que faz birra (Foto: Jenny Risher)

 

Xô, culpa!

A tarefa de criar filhos vai além de dar colo, ler um livro antes de dormir e dar amor incondicional. Educar crianças não é fácil e nós cometemos, sim, vários erros. E como costumamos dizer por aqui, na Pais&filhos, a culpa não pode ter vez – por mais difícil que seja.

Educação requer paciência e persistência, é um projeto a longo prazo e que exige tempo. A relação de vocês, pais e filhos, precisa ser desenvolvida e é necessário que uma análise seja feita para ver se a falta de tempo, por exemplo, está dificultando os resultados. Mas se culpar por não sair tudo da maneira que você planejou não ajuda ninguém – e, cá entre nós, tá tudo bem se não saiu como você esperava!

Como evitar 

  • Não discuta com o seu filho e tente controlar a situação;
  • Coloque-o num lugar seguro e caminhe por um minuto. Isso vai ajudá-lo a se acalmar;  
  • Quando as coisas estiverem melhores, pegue-o e siga o seu dia;
  • Depois de algumas tentativas e erros, seu filho aprenderá que fazer birra não vai levá-lo a conseguir o que quer; 
  • Para prevenir a birra, todos os adultos que lidam com a criança em questão precisam agir juntos: se alguns cederem e outros, não, a criança não vai entender que precisa parar de fazer “show”.

Nada de brigas

Durante a crise de birra, o ideal é que os pais não entrem em conflito com a criança: brigar pode agravar a situação. A dica é, silenciosamente contar até dez, na sua mente mesmo e esperar seu filho se esgotar. Assim que o ataque acabar, converse e explique que o que ele fez não foi certo e o faça pedir desculpas.

 

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