Samara Felippo sobre importância das filhas em desconstrução pessoal: “Sem elas ainda seria alienada”

A atriz afirmou que o nascimento das filhas Alicia e Lara mudaram a forma que ela via questões como machismo, maternidade, homofobia e racismo.

Resumo da Notícia

  • Samara Felippo afirmou que a maternidade mudou ela completamente
  • Relembrou também como a pandemia afetou esse processo
  • Deixou bem claro o quão importante foi o papel de suas filhas na formação de opinião própria

Samara Felippo mudou a forma que mostra o dia a dia nas redes sociais desde que a pandemia começou. A atriz compartilha a rotina de ficar em casa com o namorado, o ator Elídio Sanna e as filhas, Alicia, de 12 anos, e Lara, de 8, do antigo relacionamento com o ex-jogador de basquete Leandrinho.  Mãe solo, de classe média, ela mostra a dura realidade que chegada do coronavírus trouxe.

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Samara Felippo ficou emocionada ao falar das filhas nos Stories do Instagram (Foto; Reprodução / ISTOÉ)

A atriz de Malhação (1999-2001) e A Cor do Pecado (2004), afirma que mostra tudo sem filtro algum “Mostro uma rotina real da maternidade. Escola, banho, botar para dormir. Sou uma mãe solo sem rede de apoio. Mães têm jornada contínua, e sempre quis estar trabalhando e ter tempo de qualidade com minhas filhas. Nunca abri mão de trabalhar e não posso ocultar a mulher que sou, que quer ser ativa, trabalhar, viver. Se aparecer uma novela, vou pegar.

Filhas com covid-19

Todos os planos da família foram atrapalhados quando na última semana, ambas as filhas testaram positivo para covid-19, logo antes de embarcar para ficar com o pai, que mora nos Estados Unidos.  “Não me sinto segura para tirar a máscara, fico com o rosto marcado, não raciocino mais com tanto cheiro de álcool e sabão. Não sou nenhuma especialista, estou aprendendo na porrada, vendo sites e acompanhada por médicos. Um perrengue, pesadelo”, desabafou Samara no Instagram.

Impactos da pandemia

Em uma situação nova para todos nós, ela se viu perdida em muitos momentos desse longo ano. “Temos os privilégios de estar em uma casa, sermos da classe média, ajuda muito”, reconhece. Ainda assim, a pandemia abalou a atriz. “Bati cabeça, me enchi de culpa, briguei comigo mesma. Estar em casa é exaustivo, estressante, a carga mental é muito grande. Tive que me reinventar profissionalmente, o pai está nos EUA e não posso contar com ele. Pratico autocuidado contínuo para não levar estresse para as meninas e para o relacionamento.”

Novos posicionamentos

Samara achou um local de desabafo nas lives semanais que faz com as atrizes Giselle Itié e Carolinie Figueiredo. As 3 apresentam o “Encontro com as cansadas” e o objetivo de Felippo é muito claro. “Me fortalecer para ajudar outras mulheres. Acessar dores, sombras, não tem lugar para neutralidade. Quero realizar meus sonhos para minhas filhas se sentirem capazes de realizar os delas”.

Ela ainda ressalta a importância que as filhas dela tem para ajudar na desconstrução pessoal dela. “A maternidade foi uma ruptura brusca, tive o machismo esfregado na minha cara, e veio a separação e a furada de bolha da minha branquitude. Virei mãe separada e vi o que era o racismo através das minhas filhas. Não tenho lugar de fala, mas tenho voz para lutar também. Fui furando as bolhas, da romantização da maternidade, a do amor passional, que causa a morte de tantas mulheres”, relembra.

Um momento em especifico abalou Samara e a fez buscar evoluir em prol das filhas. “Quando minha filha quis alisar o cabelo eu fui em busca de representatividade para ela. Talvez se não fossem minhas filhas eu ainda seria alienada, se bem que não dá mais para, em pleno século 21, ser desinformada. É inaceitável ainda ter um discurso machista, ainda não se posicionar. A desglamourização da minha vida veio com a informação. Uma vida inalcançável pode te fazer mal. O trabalho, o teatro, onde posso falar tudo o que quero, e a maternidade são atos políticos.”

Hoje ela fala abertamente de política nas redes sociais e sempre deixa claro o posicionamento, apesar dos haters. “Falar ativamente de política é um inferno. Quem não concorda com você vai te atacar. E muitas mulheres, mães, me atacam, reproduzem machismo, são coniventes. Não bloqueio porque tenho esperança de que algo que eu escreva ou fale vá tocá-las. Deixo ali, não exponho, não quero linchamento. Não é atacando que vou fazer alguém refletir. Quero alcançar quem não concorda comigo.”, finaliza a atriz.