Sapinho: pediatra responde todas as suas dúvidas sobre o tema

Médico do departamento Materno-Infantil do Hospital Albert Einstein, dr. Claudio Len é nosso braço direito quando surge alguma dúvida sobre a saúde do seu filho

Resumo da Notícia

  • É causada por fungos
  • A monilíase oral pode passar para o mamilo da mãe, causando dor
  • O tratamento é feito com remédios

 

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(Foto: reprodução / Getty Images)

O assunto do mês do dr. Claudio Len é: sapinho em bebê!

Sempre achei o nome “sapinho” equivocado, pois não tem qualquer relação com a monilíase oral, que é o nome correto da infecção na cavidade oral causada pelo fungo Candida albicans, muito comum em bebês no primeiro ano de vida. Vejo crianças com monilíase quase todas as semanas e em muitos casos os pais já fazem a suspeita, com base na presença de pontos ou placas brancas, com aspecto de leite, nos lábios, na língua e na gengiva. Acabo vendo as imagens por WhatsApp e concordo com a suspeita na maioria dos casos. Pode até haver alguma dúvida com restos de leite, mas o fato das placas brancas não saírem com uma limpeza simples é altamente sugestivo.

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Sempre falo para os pais para não se preocuparem com a monilíase oral, pois ela é comum e bem simples em
quase todos os bebês e geralmente não traz consequências. Em raras situações estaO s placas podem provocar náuseas, e é comum a associação com a monilíase genital, na região da troca de fraldas, que pode aparecer antes das placas da boca. Os bebês colocam as mãos em todas as partes do corpo e espalham o fungo pela pele e na boca.

Na monilíase genital observa-se bolinhas vermelhas brilhantes, que se espalham rapidamente. A monilíase oral pode passar para o mamilo da mãe e causar dor e descamação, que atrapalha as mamadas. Recomendo que os pais
falem com o obstetra sobre estes sintomas, que muitas vezes se confundem com alguma irritação local. O tratamento da monilíase, seja oral ou genital, é bem simples e baseia-se no uso de medicamentos tópicos com ação antifúngica que são utilizados com segurança.

Como evitar que o recém-nascido contraia o sapinho? Maria Ferreira, mãe de Valentina.

Ao contrário do que pode-se imaginar, o sapinho pode aparecer em bebês muito bem cuidados, uma vez que o fungo está normalmente na pele saudável e os pequenos são suscetíveis. Portanto, não é indicação de higiene e nem é necessária uma limpeza bucal intensa para a prevenção da monilíase.

Qual seria o tratamento e como ficaria o aleitamento materno nesse período? Ana Claudia Fontes, mãe de Vicente.

O tratamento é baseado em produtos com princípio ativo capaz de matar os fungos, e com isso impedir a sua proliferação. A nistatina e o miconazol são os mais utilizados devido à segurança e à eficácia, e costumam resolver a monilíase em poucos dias.

É comum transmitir o sapinho oral para a região genital? Emanuela Franco, mãe de Catarina.

Sim, a transmissão para a região genital é comum. Os fungos espalham-se com facilidade, e têm preferência por regiões úmidas, como a cavidade oral e a região de troca de fraldas. Recomendo sempre que os pais fiquem atentos, especialmente nos casos de demora na resposta ao tratamento.

 

 

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