Criança

Seu filho come mal? Já tentou “colorir” o prato dele?

A nutricionista e apresentadora Gabriela Kapin lança livro com dicas de alimentação para explicar aos pais a importância de ter 5 cores no prato

Aline Oliveira

Aline Oliveira

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“Criança gosta de tudo colorido. Por que o prato de comida dela não pode ser assim?” É com essa indagação que a nutricionista e apresentadora Gabriela Kapin sintetiza sua estratégia de alimentação. Ela percebeu, ao longo de sua carreira e atendendo famílias, que toda criança, em algum momento da infância, terá resistência para provar alguns alimentos e causará desespero aos pais. E sugere que, em vez de aceitar a recusa do filho e ficarem aliviados por ele comer arroz e qualquer alimento industrializado, os pais devem desafiá-lo a escolher e preencher o prato com cores. “O bacana é orientar e dar autonomia às crianças. Falar para ela colocar alimentos laranjas, vermelhos, verdes , brancos e marrons”, diz.

É sobre isso que trata seu último livro: Socorro! Meu filho come mal – Receitas para pais e filhos, publicado pela editora Leya. A publicação traz receitas fáceis e dicas para a família cozinhar e fazer com que o momento da refeição seja leve e divertido. Ela, inclusive, ‘desenha’ a equação das 5 cores, que é: uma proteína, um cereal, uma leguminosa e dois vegetais. “Eu sempre digo, também, que não vale aceitar a recusa de um alimento, experimentando uma única vez. A gente precisa alimentar um sabor dez vezes para se gosta ou não. Quem gostou de cerveja no primeiro gole?”, compara.

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Quando se fala em alimentação dos filhos, outro fator importante é o exemplo dos pais, portanto, a coerência entre o discurso e prática. Para ficar mais claro ainda: não adianta pedir para seu filho comer vegetais se você não come vegetais. “Se não, as crianças não confiam no discurso, porque não têm exemplo”, completa.  Em seu programa no canal GNT, Gabriela viu de perto a dinâmica de uma série de famílias e conseguiu compilar os erros mais comuns quando o assunto é alimentação dos filhos. Veja quais são:

Não comer sentado à mesa – “Parece curioso, mas muitas famílias comem vendo TV”;
Comer acompanhado de aparelhos eletrônicos – “É importante que a criança faça a refeição sem a distração de celular, tablets e etc. Ela precisa perceber o sabor, a temperatura e a textura dos alimentos”;
Filhos sem autonomia – “A criança precisa se servir – com supervisão, é claro, colocar o garfo na boca, ter autonomia mesmo. Já peguei criança de 9 anos que a mãe dava comida na boca. E isso não é legal. A criança precisa entender o tamanho da fome dela e os pais têm de entender isso, até porque nosso apetite varia de acordo com nosso humor. Deve haver supervisão, mas é preciso dar autonomia aos filhos”;
Só arroz e batata frita – “Um prato saudável precisa ter proteína, leguminosa, cereal e vegetais. Então, se colocar arroz, feijão, um filé e dois tipos de salada já resolve. É importante, também, variar a alimentação, dar opções à criança para ela poder escolher.”
Sem neura – Alimentação saudável não precisa ser um peso na vida das famílias. Dá para ir pelo caminho do meio. “Veja o que é possível fazer. Não deu para oferecer um suco natural para seu filho? Qual é o suco industrializado que tem menos conservante? Ah! Foi na casa de um amigo e comeu bolacha recheada? Não vou dar esporro no meu filho por causa disso! Aqui em casa, ele sabe que bolacha recheada não entra, mas o mundo tem, assim como tem refrigerante, fritura… É só orientar e explicar que ingerir esses alimentos muito industrializados deve ser exceção.”

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