Criança

Seu filho tem déficit de atenção?

Conheça as causas do problema e os sinais de que a criança pode ter o problema

Redação Pais&Filhos

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“Tem que olhar no fundo dos olhos e repetir. Às vezes, até pedir que ela repita o que eu disse e perguntar: ‘Entendeu? Então me fala o que você tem de fazer”. Se uma mosca entra no quarto, lá vai embora a concentração. O irmão mais novo faz com facilidade os exercícios de matemática que ela tem dificuldades em resolver. E, o mais importante: dizer frases curtas. Sem muitos períodos. Ela se perde no meio de frases longas, tipo: ‘Vá tomar banho, depois você veste pijama e vem jantar’. Pronto, perdi minha filha. Não desconfiávamos de déficit de atenção porque ela conseguia passar horas vendo TV com muita concentração!”

A mosca voa, a voz da mãe chamando, a lição de matemática, o lápis do irmão na sala fazendo tarefas com facilidade, o som da TV que hipnotiza. Tudo tem a mesma intensidade para Ullya. O mesmo som.

Ullya é filha da blogueira Flávia Fiorillo, do blog Mamãe sabe Tudo. Ela foi diagnosticada aos 8 anos, no final de 2011, com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade). Os pais não desconfiavam de nada. A escola percebeu o comportamento diferente e chamou a família para uma conversa, pois o rendimento da menina não estava bom.

Foram encaminhados para uma avaliação multidisciplinar no Instituto CEFAC, onde primeiro descobriram uma deficiência do processamento auditivo (DPCA), o que significa que Ullya tem dificuldades de prestar atenção em um ambiente ruidoso: ela ouve com a mesma intensidade sons de um cachorro latindo na rua e a professora falando em sala de aula, por exemplo.

Depois de um ano sendo avaliada por uma equipe com profissionais diversos, como neuropediatra, psicólogo, pedagogo e fonoaudiólogo, foi diagnosticado o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Flávia chorou muito. Não queria que a filha fosse medicada. Tentou negar, se colocar contra, mas todos os profissionais indicaram a medicação para o tratamento de Ullya.

“A primeira dificuldade foi aceitar o diagnóstico de uma condição tão polêmica. Não faltam textos de teoria da conspiração, tratamentos dos mais diversos, muita baboseira online e escândalos da mídia”, desabafa Flávia. Difícil para a mãe também é a preocupação com a falta de estudos sobre os efeitos colaterais dos remédios no longo prazo. Agora faz bem, mas e se fizer mal lá na frente? Na dúvida, dá o medicamento apenas de segunda a sexta-feira, quando a filha vai para a escola.

Como saber se meu filho tem TDAH?

O transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos comportamentais com maior incidência na infância e na adolescência. Pesquisas realizadas em diversos países revelam que ele está presente em 5% da população mundial em idade escolar. Trata-se de uma síndrome clínica caracterizada, basicamente, por três sintomas: déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Mas nem sempre é preciso haver os três sintomas simultaneamente. Crianças e adolescentes diagnosticadas com TDAH têm dificuldades de focar em um único objeto, têm fácil distração (vivem “no mundo da Lua”) e não conseguem terminar atividades como deveres de casa. Além disso, apresentam facilidade em perder materiais escolares, chaves, dinheiro ou brinquedos. A criança ou adolescente que possuem o transtorno têm dificuldade de ficar parados, se levantam por várias vezes da cadeira na escola ou na hora do jantar, por exemplo.

Causa controversa

Um assunto controverso, com teorias diversificadas. Uma das principais correntes defendem que o TDAH seja um fenômeno biológico – ou um transtorno neurobiológico, funcional e hereditário (forma de di