Criança

Síndrome de Down não é sinônimo de dependência

Crianças e adolescentes com a condição podem desenvolver sua autonomia - e a família é fundamental nesse processo!

Redação Pais&Filhos

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(Foto: iStock)

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A terapia ocupacional pode ajudar muito no processo de autopercepção da síndrome de Down e também de desenvolvimento. Por meio de música, brincadeiras e práticas sensoriais, a terapia ocupacional engloba parte motora e de atividades de vida diária.

Apesar de estimular a criança em vários sentidos, como tato, olfato, visão e autonomia, a terapia ocupacional funciona melhor quando complementada com fonoaudiologia, fisioterapia e com as consultas com o pediatra.

“Uma equipe multiprofissional de estimulação precoce é indispensável nos primeiros anos de vida”, de acordo com a pediatra Ana Claudia Brandão, mãe de Pedro, Georgia e Rafael. Algumas crianças podem precisar da ajuda de outros profissionais, como um oftalmologista. De qualquer forma, a recomendação para todas as famílias de crianças com síndrome de Down é sempre estimular a socialização.

“Atividades no condomínio, no clube, na igreja… Tudo é importante para que a criança participe ativamente da vida social da família”, confirma a pediatra. Ana Claudia também comenta que hoje existem várias pesquisas em busca de medicações que possam melhorar o desenvolvimento das crianças com síndrome de Down. Os estudos se voltam principalmente para descobrir como se pode melhorar ainda mais a parte cognitiva e desempenho no cotidiano.

Para o futuro

Autonomia e independência também são palavras poderosas quando se fala em escola e mercado de trabalho para pessoas com síndrome de Down. Muitos pais acham que precisam proteger demais os filhos por terem a ideia equivocada de que eles não são capazes. Não é bem assim.

Essas crianças são totalmente capazes de estudar em escolas regulares e também trabalhar. Há pelo menos 20 anos, se fala em educação inclusiva aplicada tanto para escolas públicas quanto para privadas. Existem muitas atividades próprias de capacitação para colégios, mas muitos não procuram essa saída.

Ana Claudia afirma que, mesmo sem o curso de capacitação, é possível que uma escola regular atenda todos os tipos de aluno, se os funcionários estudarem, falarem sobre o assunto, tiverem comprometimento e criatividade para gerar estratégias que possibilitem o aprendizado de todas as crianças. “Os alunos não aprendem todos da mesma maneira, tendo síndrome de Down ou não. Professores e coordenadores têm que estar abertos para essa diversidade nas salas de aula”, afirma a pediatra.

O mesmo acontece com o mercado de trabalho. Muitas pessoas acreditam que há restrição de funções indicadas para pessoas com síndrome de Down, mas não é por aí. Depende da vocação, da oportunidade e, claro, da vontade. “Essa transição para o trabalho tem muito a ver com a vida adulta, principalmente para as pessoas com deficiência intelectual”, afirma Ana. Por isso, é tão relevante!

Então, da mesma maneira que a escola, o empregador deve ter esse comprometimento e acreditar que toda pessoa tem direito de trabalhar. “O empregador precisa ter uma afinidade no contato. Tem que ter tempo de conversar, esperar a pessoa responder, dar um treinamento adequado. Tem que ser um ambiente acessível.”

Não basta que a pessoa com síndrome de Down esteja empregada para apenas cumprir horário. A empresa tem que ter a responsabilidade de tratar o funcionário como qualquer outro. Esse é mais um grande passo em busca da autonomia e de responsabilidade.

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