Síndrome Inflamatória Multissistêmica: tudo sobre a grave inflamação ligada ao coronavírus que acontece em crianças

Com os indícios e testes a partir dessa complicação, o Centers for Disease Control and Prevention entendeu que está associada ao covid-19. Entenda o motivo

Resumo da Notícia

  • Você já ouviu falar na síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica?
  • Trata-se de uma inflamação que afeta crianças e adolescentes
  • Veja como se prevenir e as formas de tratamento da complicação
É importante cuidar da saúde, não apenas agora (Foto: Getty Images)

Garantir a saúde e bem-estar é importante em todas as fases da vida. Nas últimas semanas, uma complicação chamou a atenção de médicos, o nome dela: síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica. “É uma nova situação clínica, que está ocorrendo em crianças e adolescentes, onde ocorre uma intensa inflamação em vários sistemas do corpo e dos vasos sanguíneos (vasculites), causando extravasamento (vazamento) de líquidos, seu acúmulo nos pulmões, coração, rins e outros órgãos e diminuição da pressão arterial (quadro de choque)”, esclarece Dra. Renata Waksman, vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), mãe da Muriel e Ricardo.

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Os principais sintomas da doença têm relação com o sistema digestório, por contato ou transmissão fezes-boca, sendo os de alerta dor abdominal, gastrointestinais e inflamação cardíaca. Também podem aparecer sintomas respiratórios, quando a infecção é transmitida por gotículas de ar, como tosse e falta de ar, mas esses são mais raros. No decorrer dos dias, é possível ocorrer inflamações na pele, sangue, coração e veias, febre alta e persistente, cefaleia, confusão mental, inchaço nas mãos e pés, erupções na pele até a evolução para um quadro de choque cardiogênico (quando o coração perde a capacidade de bombear sangue para os órgãos, causando outras complicações no pulmão e coração

Prevenção e tratamentos

“O que se vê nesta síndrome é uma resposta muito exacerbada do sistema imunológico, que responde com muita inflamação contra o próprio corpo”, explica. Contudo, ainda não se sabe como tudo isso acontece. Ao reconhecer os primeiros sintomas, os pais devem contatar o pediatra e, caso não consigam, ir ao serviço de urgências pediátricas que tenha estrutura de internação, para garantir o diagnóstico precoce e tratamento adequado. A intervenção é imediata com internação na UTI, monitorização contínua, suporte hemodinâmico, ventilação mecânica, avaliações clínicas e laboratoriais e condutas conforme a evolução. 

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O tratamento principal utilizado contra esta doença tem sido medicamentos imunossupressores e anti-inflamatórios, que ajudam principalmente nos casos de detecção precoce. “Mantenham a calma, considerem que o número de casos é muito pequeno e a maioria das crianças consegue, com o tratamento adequado, sobreviver sem sequelas”, completa. Mas como tudo na vida, o melhor remédio contra a síndrome é justamente a prevenção, que equivale ao isolamento social mesmo que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao coronavírus, impedindo a transmissão e evolução para formas graves da doença. 

O que o coronavírus tem a ver? 

A especialista conta que recentemente o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) sugeriu que a doença seja chamada de síndrome inflamatória multissistêmica associada ao covid-19 e para a comprovação do quadro seria preciso a confirmação a exposição do vírus nas últimas quatro semanas antes do início dos sintomas, ou a infecção pelo SARS-CoV-2, ou a soroconversão (momento em que uma quantidade suficiente de anticorpos surge e aparece na sorologia).

As crianças e adolescentes infectados pela síndrome realizaram dois testes para à covid-19. O primeiro PCR identifica se o vírus está ativo naquele período e teve e maioria de respostas negativa. Já o segundo de sorologia, que verifica a resposta imunológica da pessoa em relação ao vírus, com a detecção de anticorpos teve maioria de respostas positiva. Assim a maioria tinha sido infectado anteriormente, mas já tinha os mecanismos de defesa. “Os resultados são mais uma razão para pensarmos que esta síndrome inflamatória multissistêmica pode ser uma complicação tardia do coronavírus, com uma resposta imunológica desproporcional (ou seja, uma síndrome pós infecção)”, pontua.

Assim como apresenta relação com o covid-19, também tem características similares à Doença de Kawasaki, que é uma vasculite aguda rara, levando a febre persistente, quadro de erupção cutânea e aneurismas das artérias coronárias. Mas enquanto a síndrome acomete crianças e adolescentes de todas as idades, esta atinge crianças inferiores a 5 anos. Já a Síndrome do Choque Tóxico, causada por algumas bactérias que produzem toxinas, ocorre disfunção de múltiplos órgãos e instabilidade da pressão arterial, com choque. A diferença é no agente transmissor, enquanto na síndrome é um vírus, neste pode haver uma bactéria.

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