Criança

Virou lei! Todas as escolas terão que dar educação socioemocional para as crianças

Autocontrole é uma das habilidades que essa nova matéria deve ensinar

Redação Pais&Filhos

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(Foto: Shutterstock)

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*Por Gladys Magalhães, mãe de Miguel

Até 2020, todas as escolas brasileiras deverão incluir em seus currículos as habilidades socioemocionais. Isso porque as novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que devem ser implantadas nos próximos dois anos, trazem 10 competências, dentre elas quatro são socioemocionais. Mas, você sabe o que é a educação socioemocional?

De acordo com as educadoras Roberta e Taís Bento, fundadoras da SOS Educação e colunistas da Pais & Filhos, mãe e filha, a educação socioemocional é o processo de inclusão no currículo escolar de habilidades e atitudes necessárias para que o aluno possa compreender e administrar suas próprias emoções.

Seus pilares são a autoconsciência, o autocontrole, a consciência social, as habilidades de construir relações e a tomada de decisões responsáveis.

Ponto de partida

Adotada em diversos países da América do Norte, como o Canadá, nos países escandinavos, em algumas nações asiáticas e em parte da Inglaterra, o conceito socioemocional  deu seus primeiros passos na Europa e nos Estados Unidos, na década de 1960, mas só ganhou força há cerca de 20 anos.

“A escola tinha o papel de formar indivíduos que eram bons repetidores. Era comum o professor dar dezenas de exercícios e o aluno fazer até aprender”, comenta Luis Laurelli, head de novos negócios da Mind Lab, pai da Geovana, Felipe e Larissa.

Entretanto o especialista contou pra gente que nos anos de 1960, iniciou um movimento que ensinar não é só cognição e muitos países começam a discutir o assunto, inclusive o Brasil. “Até que na década de 1990 passa-se a falar de inteligência emocional, que o aluno não aprende só com a cabeça, mas também com a emoção“, explica.

Começaram a perceber a importância do indivíduo nas relações sociais, que é essencial formar indivíduos não só na forma cognitiva, mas também socialmente.

Benefícios

Ainda que algumas escolas já pratiquem a educação socioemocional no Brasil, espera-se que com as novas diretrizes da BNCC, a prática se expanda a passos largos, o que pode resultar em uma melhora de cerca de 10% no aprendizado das outras matérias do currículo escolar, lembra Laurelli.

Além disso, a educação socioemocional promove uma série de benefícios, como o desenvolvimento adequado entre alunos, professores e colegas, o que facilita na diminuição dos níveis de estresse e, até mesmo, de depressão entre jovens e crianças.

“Esse tipo de pedagogia melhora a capacidade de tomada de decisões, o controle das próprias emoções e o aprendizado efetivo dos conteúdos e habilidades definidos pelo programa”, ressalta Peter Visser, diretor acadêmico da Maple Bear Canadian School, pai de Stacia, Jon e Jesse.

Como que faz?

Na escola, as habilidades socioemocionais podem ser trabalhadas por meio de histórias e da própria vivência entre os alunos. Estimular e estruturar trabalhos em grupos é uma estratégia admirada por uma boa parcela dos estudiosos da área, visto que tendem a ser efetivas no desenvolvimento das habilidades socioemocionais

Os jogos, tanto os analógicos como os digitais, são outro caminho muito apontado pelos educadores, jpa que as crianças precisam lidar com conflitos e estabelecer estratégias, podendo transcender, com a ajuda do professor, aquela situação para a vida real.

Mas, não é só na escola que as habilidades socioemocionais podem ser desenvolvidas. O papel dos pais, que servem de modelo aos filhos, é fundamental para o desenvolvimento dessas competências.

“O desenvolvimento das competências socioemocionais é um processo contínuo e permanente, que começa no nascimento do indivíduo, se estende por toda a vida e acontece em diferentes espaços: em casa, na escola, no território.  A articulação entre esses diferentes contextos com ampliação e diversificação de interações significativas são chave para o desenvolvimento emocional, social, cultural e cognitivo dos estudantes.  Esta aproximação entre família e escola pode acontecer de diferentes formas, nas reuniões e eventos promovidos pela instituição, nas conversas e troca de experiências entre professores e familiares e até mesmo nas conversas entre familiares e estudantes sobre as aprendizagens”, finaliza a psicopedagoga Carolina Briso, gerente de projetos do Instituto Natura, mãe do Sebastião.

Bett Educar 

Carolina Cury, psicóloga e filha de Augusto Cury, explicou pra gente tudo sobre o projeto Escola da Inteligência