Vírus respiratórios em crianças: o que está por trás das doenças que estão lotando as UTIs no Brasil

Estados como Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo já estão sentindo as consequências do aumento dos casos de vírus respiratórios em crianças

Resumo da Notícia

  • Estados como Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo já estão sentindo as consequências do aumento dos casos de vírus respiratórios em crianças
  • Esse aumento têm causado falta de leitos de UTI pediátrica
  • Essas doenças já costumam vir com mais força nessa época do ano
  • Dessa vez, no entanto, os números são mais preocupantes
  • Dr. André Laranjeira, pediatra do Hospital Albert Einstein, falou um pouco sobre o que está acontecendo e esclareceu algumas dúvidas

O frio está chegando e com ele as clássicas doenças que voltam a aparecer nessa época do ano. Dessa vez, no entanto, essas doenças estão vindo com mais força, principalmente entre as crianças, causando uma preocupação em relação ao número de leitos de UTIs neonatais em vários estados brasileiros.

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Hospitais em Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco têm visto uma explosão de crianças internadas. A principal causa são vírus respiratórios, comuns nesta época. O que está acontecendo dessa vez, no entanto, é que um elevado número de crianças que nunca tinham tido contato com essas doenças estão tendo pela primeira vez agora, todas juntas. Isso vem causando um impacto no sistema de saúde, com falta de leitos para conseguir socorrer a todos.

Vírus respiratórios: entenda mais sobre as doenças que estão sobrecarregando as UTIs Neonatais
Vírus respiratórios: entenda mais sobre as doenças que estão sobrecarregando as UTIs Neonatais (Foto: Getty Images)

O principal motivo para esse ‘boom’ que está acontecendo agora? O tempo em que ficamos em isolamento social devido à pandemia de covid-19. Agora que estamos voltando às atividades que tínhamos antes, estamos presenciando um fenômeno parecido com aquele que percebemos quando colocamos os filhos na escola pela primeira vez: em poucos meses, várias doenças! Isso porque o sistema imunológico está mais fraco e começa a entrar em contato com vírus e bactérias que nunca entrou em contato antes, ou que não vê há um bom tempo. O problema, no entanto, é que dessa vez são várias crianças juntas.

Em Pernambuco, por exemplo, mais de 90 bebês e crianças estão à espera de uma vaga nas UTIs. Boa parte dessas crianças, como apontam os dados, apresentam duas principais doenças: pneumonia e bronqueolite, ambas causadas por vírus respiratórios. A situação também está preocupante no Rio Grande do Sul, onde o governo anunciou na última quarta-feira, 24 de maio, um plano de contingência para dar conta da demanda hospitalar de emergências pediátricas.

Na última quinta-feira, 25 de maio, 9 crianças esperavam por uma vaga em leitos de UTI em Santa Catarina, pelos menos seis com problemas respiratórios. A situação não está muito diferente em São Paulo, onde cidades como Araçatuba, Campinas e Franca estão com alas pediátricas lotadas.

Especialistas já alertavam sobre a possível ‘explosão’ de casos

Essa ‘explosão’ de casos de vírus respiratórios, no entanto, não chegou de surpresa. Em fevereiro deste ano dados do boletim InfoGripe, da Fiocruz, já alertavam sobre o problema, apontando que, dessa vez, os números de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), não tinham diminuído como o esperado no começo do ano. Na época, eles já haviam sinalizado a preocupação com a chegada do outono e inverno, já que, nesta época mais fria, esses vírus tentem a se propagar com mais facilidade.

“O aumento da incidência de infecções virais neste momento, de outono e inverno, é causado pelo clima mais frio e seco, que favorece a persistência de gotículas e poluentes no ar, além disso as pessoas tendem a permanecer em ambientes mais fechados e pouco ventilados. Isso tudo favorece a transmissão dos vírus respiratórios”, explica o Dr. André Laranjeira, pai de Sofia e Manuela, e pediatra do Hospital Albert Einstein.

Justamente por esse aumento na incidência com o clima mais frio, o médico ressaltou que, infelizmente, não há expectativa para uma melhora desses números nos próximos meses. “Infelizmente não temos expectativas de queda nos números no próximo mês, com a chegada do inverno, pois as condições climáticas permanecerão favorecendo a transmissão viral. E vale lembrar que as crianças pequenas, principalmente os menores de 2 anos, que ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento, são os principais afetados por esses vírus, chegando a ter diversas infecções virais, com sintomas que se repetem a cada semana, por vírus diferentes”, apontou ele.

Como evitar a contaminação desses vírus respiratórios?

Muita calma! Apesar dos números e evidências não serem bons, é importante não se desesperar. Seu filho possivelmente vai se infectar com algum desses vírus em um momento da vida, mas isso não significa que ele vá precisar de um tratamento mais sério. Claro que, como tudo, existem algumas coisas que você pode fazer para evitar a contaminação.

Depois de anos de pandemia de covid-19, você provavelmente já sabe quais são essas medidas: evitar, principalmente neste período de frio, grandes aglomerações, lavar sempre as mãos, buscar deixar os ambientes sempre ventilados e, caso suspeite que a criança esteja infectada, não levá-la à creche ou escola. O Dr. André ressaltou também a importância de manter o calendário vacinal em dia, principalmente contra a gripe e a covid-19. Além disso, manter uma alimentação balanceada e usar roupas apropriadas para o frio é essencial para manter a saúde em dia.

E, mais uma vez, é importante ressaltar que não adianta buscar por compensação de vitaminas ou medicamentos preventivos que não sejam receitados por um médico. “Existe uma ansiedade por parte dos pais de querer usar remédios e vitaminas para tentar melhorar a imunidade das crianças. Mas a gente sabe que isso não tem nenhum tipo de efeito comprovado, uma vez que as crianças que mais ficam doentes são justamente àquelas que têm o sistema imune imaturo de maneira fisiológica. Então o mais importante seria evitar que essas crianças entrem em contato com outras crianças doentes”, ressalta.

Meu filho ficou doente! E agora?

O primeiro passo quando os sintomas começarem a aparecer é sempre buscar pelo pediatra, que vai recomendar o tratamento adequado. “Medidas como limpeza nasal com soro fisiológico e inalações com soro fisiológico podem ser iniciadas, até que a criança seja avaliada. É importante também evitar que a criança tenha contato com outras pessoas, pois ela pode estar com vírus respiratórios de evolução mais benigna, como resfriado, ou com algum vírus que pode causar evolução mais grave, como covid-19”, explica o Dr. André Laranjeira.

Começar o tratamento e buscar ajuda de um profissional logo no início dos sintomas pode contribuir muito para evitar que o quadro fique mais grave. “O tratamento correto iniciado nos primeiros dias pode sim evitar internações na UTI. Após o pediatra definir o diagnóstico e orientar o tratamento, a família deve seguir o que foi recomendado e caso a criança piore, o médico deve ser avisado para investigar complicações, como doenças bacterianas que necessitem de antibiótico”, completa.

Quais são os sintomas dos vírus respiratórios?

No início dos sintomas, é comum a presença de corrimento nasal, tosse leve e, em alguns casos,  febre. Pode haver piora da tosse, dificuldade em respirar e chiado ao expirar. Coloração azulada nos dedos e em torno dos lábios é um sinal de alerta, pois indica que sua respiração não está  entregando oxigênio suficiente para a corrente sanguínea.