Criança

Você já ouviu falar em mutismo seletivo?

“Meu filho parou de falar de repente e eu não sabia se um dia ele falaria de novo", relata a mãe e escritora Kim O'Connell

Redação Pais&Filhos

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Kim O’Connell

Kim O’Connell

Com apenas três anos de idade, o filho da escritora americana Kim O’Connell, parou de falar e ela não sabia se um dia ele voltaria a se comunicar. Após muito esforço, Kim descobriu que o menino sofria com um distúrbio pouco conhecido, chamado de mutismo seletivo, que inibe a criança de conversar com pessoas estranhas, aquelas que não costumam fazer parte de seu círculo social mais íntimo, ou até com os próprios pais. O distúrbio acomete de 7 a cada mil pessoas e é normalmente confundido com uma simples timidez de criança ou medo de falar na frente dos outros.

Confira o emocionante relato da mãe, publicado no Huffpost:

Meu filho parou de falar de repente e eu não tinha certeza se um dia ele voltaria a falar

Com três anos, meu filho parou de falar de repente — primeiro por horas, depois dias e semanas seguidas. Era inverno de 2010 e as nevascas cobriam toda Washington, D.C., silenciando as ruas da cidade, normalmente movimentadas. Dentro do nosso pequeno duplex no subúrbio da cidade, as coisas também eram silenciosas. Meu filho, cuja fala se desenvolveu normalmente e havia encantado eu e meu marido desde o momento que a ouvimos pela primeira vez, tinha ficado repentinamente e estranhamente silencioso.

Ele sempre foi uma criança tímida, mas também era um garoto feliz e entusiasmado que sorria com facilidade e adorava brincar, então eu não fiquei muito preocupada. Eu o matriculei na pré-escola em 2009 — sua primeira grande experiência de contato com grupos maiores de pessoas.

Eu mal notei as primeiras vezes que meu filho ficou calado naquele inverno. Mas os períodos de silêncio rapidamente começaram a crescer e os períodos de fala encolheram. Passei horas tentando brincar com meu filho para ele dizer algo. Eu perguntei a ele um milhão de coisas. Cantei suas músicas favoritas. Nada funcionou. E com isso surgiu a percepção de que era algo a mais do que apenas uma fase.

Dentro de algumas semanas, ele parou de falar completamente — em casa, na escola, com os avós, em todos os lugares. Além de nosso medo pela saúde dele, eu e meu marido vivenciamos uma sensação profunda e inesperada de perda, imaginando se ouviríamos a voz do nosso filho novamente.