Criança

Você sabe o que é o transtorno de asperger?

É confundido com timidez, mas é mais sério que isso

Ana Beatriz Alves

Ana Beatriz Alves ,Filha de Maria de Fátima

(Foto: iStock)

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Asperger é tratado muitas vezes como uma síndrome. Mas por estar mais ligado a problemas comportamentais do que a uma doença que, além de alterar o comportamento, altera o físico da pessoa, é considerado como transtorno, como explica Clay Brites,  pediatra, neuropediatra, um dos fundadores do Instituto NeuroSaber e pai da Helô, do Gustavo e do Maurício.

Essas pessoas não têm comprometimento intelectual. São inteligentes e têm autonomia para trabalhar e estudar. Isso não é problema para elas. Aliás, chegam a ser superdotadas por se aprofundarem muito em assuntos do interesse. O desafio maior é a vida social. A parte da comunicação como o uso de termos linguísticos que é gravemente afetado. Clay explica que elas têm dificuldade de entender o não-verbal como sinais. “Linguagem com duplo sentido, sarcasmo, mudanças de tonalidade de voz e piadas também não são compreendidos por essas pessoas.”

Por isso, você tem que estar ligado no comportamento do seu filho, por ser um autismo leve e ligado a algo invisível, dificulta o diagnóstico. Clay complementa que “nem todo autista é asperger, mas todo asperger é autista”. Apesar do transtorno não ser frequente, afeta menos de 0,5% da população, ele é mais comum que o autismo severo e moderado.

Para evitar que seu filho cresça com o transtorno sem nenhum acompanhamento, o diagnóstico precisa ser feito o quanto antes. Você pode ficar atento em algumas características específicas.

1. Tendência a se isolar;

2. Tem falas e comportamentos estranhos;

3. Dificuldade de autocontrole emocional;

4. Prefere trabalhar, estudar, ler e ficar em lugares longe de tumulto e pessoas;

5.Transferem um hiperfoco para temas, objetos e personagens específicos e se aprofundam, como em dinossauros e conversam apenas sobre aquilo;

6. Não mantém contato visual.

Além de ser altamente genético, não dá para saber com exames pré-natais nem na hora do parto, os pais precisam ficar ligados caso um dos dois tenha o transtorno. Geralmente, se torna mais perceptivo entre 8 e 11 anos. Se essa criança cresce sem o devido olhar, se torna um adulto que não tem um modelo de adaptação para ser incluído nos ambientes porque é exigido dele o mesmo que exigem de pessoas que não têm o transtorno.

O tratamento foca na socialização, como explica Clay. Envolve psicoterapia comportamental, principalmente baseada na abordagem ABA, ou seja, “trabalha com recompensas e reforço positivo para treinar a criança a lidar com as pessoas”.

Através de acompanhamento médico, a criança passa a aprender a se socializar e diminui os quadros de fobia social, esquizofrenia, depressão e déficit de atenção. E, por causa do hiperfoco, acabam sendo ótimos funcionários dentro das empresas.

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