Confira tudo o que rolou na primeira mesa-redonda do 12º Seminário Internacional Pais&Filhos

Com o tema ‘O Blá, blá, blá não é de mentira”, o bate-papo trouxe conversas importantíssimas sobre a família e o que realmente importa

Resumo da Notícia

  • O 12° Seminário Internacional Pais&Filhos começou com uma mesa-redonda sobre o blá, blá, blá que não é de mentira
  • A mesa teve a participação de Silva Lobo, Telma Abrahão, Vivian Rio Stella e Isabel Fillardis
  • A conversa foi incrível e muito importante para refletir sobre o que realmente importa!

O 12º Seminário Internacional Pais&Filhos – O que de verdade importa está só começando! Por causa disso, nada melhor do que começar a reflexão com a primeira mesa-redonda, “O blá, blá, blá não é de mentira”. Nela, nomes de peso vão falar sobre a importância do diálogo: Silvia Lobo, Telma Abrahão, Vivian Rio Stella e Isabel Fillardis – além da apresentação de Andressa Simonini, editora executiva da Pais&Filhos e filha de Branca Helena e Igor.

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Silvia Lobo é mãe de Adriana, Suzana e Maurício. Além disso, é psicólogo, socióloga, psicanalista e autora do livro “Mães que Fazem Mal”.

Telma Abrahão é mãe de Lorenzo e Louise, além de biomédica, especialista em neurociências comportamental infantil, autora do best-seller “Pais que Evoluem” e criadora da Educação Neuroconsciente.

Vivian Rio Stella é mãe de Luísa e Clarice. Também é pós-doutora em linguística e especialista em comunicação.

Isabel Fillardis é mãe de Analuz, Jamal e Kalel – e atriz, cantora e influenciadora.

Silvia deu o pontapé inicial agradecendo a participação. “Mutíssimo obrigada, também estou muito feliz de estar aqui podendo conversar com todos hoje”. Isabel Fillardis ainda aproveitou o espaço para dar o recado sobre a própria profissão: o teatro. “O teatro é maravilhoso! Faz com que a gente possa refletir, interagir, entenda o mundo – é maravilhoso”.

Para além do teatro, Isabel falou sobre a escuta, “É importante se ouvir. Ao longo destes vinte anos – minha filha mais velha tem 20 anos – eu fui ensinando e aprendendo o tempo inteiro. Essa foi uma das coisas que eu aprendi. Para você escutar as coisas da sua volta, você precisa se ouvir: para você se entender como mãe, como pessoa. Tudo se resume a isso. Então eu acho que a gente precisa se ouvir, e a gente conseguindo se ouvir, consegue também ouvir a nossa volta”.

Vivian ainda concorda, “É importante a gente lembrar da convivência com as crianças e lembrar de escutá-las. E acho que o grande ponto é a gente ser acolhedor com o que a gente fala e entender que vamos enriquecer o repertório deles. Na linguística, a gente estuda como a criança fala e começa a se entender. E eu fico encantada de ver minha filha nesse aprendizado, e as palavras são um grande veículo para esse contato”.

Silvia também ressaltou, sobre a immportância da comunicação, “São questões extremamente importantes, porque a primeira coisa que você diz é ‘não é tudo culpa da sua mãe’. E essa é uma consciência que nós, mulheres, fomos adquirindo ao longo do tempo”.

A mesa foi show!
A mesa foi show! (Foto: Divulgação)

E ainda completa, “O futuro de uma criança é um peso que não devemos carregar. O mundo se abre, e as oportunidades de lidarmos com aquilo que nos foi dado. Por isso, o medo que temos de falar com os nossos pais assim que adquirimos a fala vem do amor. E as crianças, desde bebês, tem acesso a essa profunda dependência. Porque a ideia de pai e mãe vem da noção de que não nos bastamos sozinhos. E são pessoas de quem a gente de fato conta, com a lealdade. Para isso, precisamos deixar de ser filhos”.

Sobre isso, ela ainda completa, “A gente também precisa descobrir que não precisa ser mãe a vida inteira. A vantagem de termos filhos que crescem é que podemos cuidar de aspectos fundamentais da nossa satisfação do mundo que não são maternos ou paternos. Então, nesse caminho, a gente tem que passar que quando não consegue conversar com pais no começo, temos que fazê-lo assim que possível. Tem tempo, nossos filhos crescem, a gente amadurece”.

Telma opinou, “Conforme a gente vai amadurecendo, a gente começa a mudar a nossa percepção sobre o que vivemos lá atrás e, no meu ponto de vista, a resposta é que não temos todas as respostas. A gente pensa, ‘Uau, isso poderia ter sido feito de outra maneira’, e é aí que entra a neuroplasticidade – que é maravilhosa. Então olhando para o tempo, que é algo que não volta, a gente não tem como refazer o que foi feito, mas podemos ressignificar e treinar outras habilidades para novas experiências: como mãe, como filho. Nunca é tarde pra gente mudar positivamente um relacionamento humano”.

Vivian ainda disse, “A gente vai sendo muito estipulado a perpetuar certos rótulos. E o que estamos vendo aqui é exatamente o contrário. Como é importante para gente, enquanto pai e mãe, não perpetuarmos essas etiquetas para as crianças. O quão importante é olharmos para as palavras, e entendermos as situações. É importante a gente observar como usamos as palavras com nossos pais e filhos”.

Andressa falou com a Silvia sobre as diferentes comunicações com os filhos. “Vamos imaginar a família da Isabel com a pandemia: você acha que as pessoas aprenderam a se comunicar ou isso não aconteceu nesse mundo que a gente vive?”.

Silvia respondeu, “Eu conheço a Isabel de outras oportunidades, e conheci a mãe dela. Foi muito agradável a nossa conversa. E eu fico pensando nesse malabarismo que você descreve, e que a Andressa assinala, acho que tem uma ideia da gente segurar da importância de olharmos cada um como é. Nós não temos os filhos – e nem os filhos tem os pais. Tem o pai, o filho, o mais desafiador, o que entende com mais dificuldade. Então precisa ser um afeto que seja capaz de discriminar.

Temos de ter a possibilidade de traçar um cenário real na maternidade. Se a gente não pode demonstrar um desagrado, o nosso amor fica sob suspeita. O ser humano é um ser que ama e protesta. Então a gente tem que ter essa possibilidade de se expôr. Essa exigência de ser feliz permanentemente é uma mentira. E seria muito bom, dentro das casas, que pudesse existir essa honestidade”.

Telma ainda fala, sobre a reflexão, “Como ensinar meus filhos a validar o que eles sentem, se eu não aprendi isso lá atrás? Por isso, aprenda a sentir e a lidar com as emoções sem prejudicar o outro. Por isso, meu filho tem que ter a possibilidade de dizer “Poxa mãe, não gostei do que você fez’. Por que o seu filho tem que concordar com tudo o que você diz? Por que ele não pode me contrariar? Muitos pais vem pra mim e dizem que os filhos estão os contrariando. Mas e se a gente ressignificar esse contrariar por argumento?”.

Andressa questiona se a próxima geração será tão preparada para isso, e Telma acrescente, “Depende do quanto os pais estarão preparados para quebrar esse ciclo e entender que existem outros caminhso. Dá para construir uma relação de firmeza, na qual todo mundo ganha junto. É como um treinador de um time: cada um vai ter um ponto diferente, uma habilidade diferente, e nós como treinadores devemos entender como vamos conduzir este time. É muito rico, né? Tudo está no relacionamento: primeiro com você, e depois com o outro”.

Andressa ainda completa, “A gente fala que o futuro tá na mão das crianças,mas acho que ele tá na mão de pais e mães, né?”. E Telma responde, “Temos que investir em uma base forte. Porque o prédio são eles que vão construir, mas a base somos nós que fornecemos”.

Foi incrível!
Foi incrível! (Foto: Divulgação)

O que de verdade importa, para Telma, são “as memórias que a gente viveu com tudo que a gente ama. Porque não é nem sobre o que aconteceu, mas a percepção do que se viveu. O que realmente importa é a gente dominar a arte de se relacionar e se comportar como ser humano. Estar consciente de que o tempo que passou não volta, mas fazer boas escolhas no presente”.

Já para Vivian, é sobre “Sair desse eixo de certo e errado. É ouvir tudo o que a gente falou aqui e entender que diversidade importa. A gente respeitar, ouvir, criar esse canal de diálogo, porque torna a família um local de liberdade. Se a gente não puder questionar o que a gente sente, fica muito aprisionador. Então é dar espaço para as pessoas se expressarem e ser o que a gente é”.

Isabel ainda completa, “Acrescento o que Telma e Vivian colocaram: investir em autoconhecimento e autoamor. Você só é capaz de questionar e amar se você se ama. As pessoas querem trazer as coisas de fora para dentro. Mas é investir no que tá dentro, investir nesse autoamor”.

Enfim Silvia diz, “Eu concordo com tudo aquilo que foi dito que importa: os clichês, as memórias, o autoconhecimento. Foi de muita sensibilidade terem nos reunido. E eu penso que o que importa é que predomine aquilo que é verdadeiro, que a gente fuja daquilo que dizem que tem que ser feito. Que isso possa ser uma sugestão para aqueles que nos ouvem, que as pessoas possam ir separando aquilo que faz sentido para elas, para que possamos nos tornar melhores. Que todos possam sair com um pacotinho personalizado daquilo que fez sentido aqui”.

Assista ao seminário

O evento está sendo transmitido ao vivo online através do Facebook e YouTube da Pais&Filhos. Além disso, no Instagram, também mostramos os bastidores e flashes do Seminário.

O tema do 12º Seminário: O que de verdade importa

O caminho do meio, a escuta atenta, o diálogo, a presença. Em tempos de tanta polarização, tudo isso está em falta também na parentalidade. De um lado, existe uma opinião. Do outro, uma outra visão. Você fala, mas nem sempre tem a certeza que te escutam. Falam com você, mas muitas vezes você nem ouve.

E no meio desse ringue, sobram as mães sobrecarregadas e exaustas, pais sem poder de fala e filhos não sendo ouvidos. Nas famílias, chegam informações de todos os lados, cobranças, medos, julgamentos, culpa e autopunição. Com o tempo, todos esses sentimentos acabam virando faísca para uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento.

Qual é então o verdadeiro propósito da parentalidade? É criar para a vida. Ensinar e ser ensinado. Dar as mãos e mostrar o caminho. Em tempos de tanta incerteza, a certeza que fica é a de entender o que é essencial para você e a sua família. Vamos juntos nessa busca de encontrar a felicidade, que pode estar na sua cara. É preciso apenas estar aberto para ela.

Acompanhe a programação

11h – Abertura

11h30 – Mesa-redonda 1 | O blá, blá, blá não é de mentira | Silvia Lobo, @silvialobo5, Telma Abrahão, @telma.abrahao, Vivian Rio Stella, @viviriostela, e Isabel Fillardis, @fillards

13h – Bate-papo 1 | O essencial é invisível aos olhos | Nathalia Santos, @nathaliasantos

14h – Palestra | E se só existisse amor? | Marcos Piangers, @piangers

14h45 – Palestra | Menos é menos | Lia Bock, @liabock

15h50 – Palestra | Filhos de todo um mundo | Melinda Blau, @melindablau

16h40 – Mesa-redonda | A voz que vem de dentro | Amanda Pereira, @amandapereira , e André Polonca, @andrepolonca, Vinicius Campos, @viniciuscamposoficial, e Eduardo Lagreca, @edilagreca Mariana Felício, @marianafelicioreal e Daniel Saullo, @danielsaulloreal

18h – Pocket show

19h – Encerramento