Marcos Piangers fala sobre a felicidade: “É a qualidade e a força das nossas relações afetivas”

A quarta palestra do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos ficou por conta de Marcos Piangers. Nela, o jornalista falou um pouco sobre como ser um bom pai sem ter tido uma referência paterna o longo da vida

Resumo da Notícia

  • A quarta palestra do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos ficou por conta de Marcos Piangers
  • O jornalista e palestrante falou sobre como se tornar um bom pai sem ter tido uma referência paterna
  • Marcos cresceu sem a presença do pai e hoje é autor de livros sobre o assunto, nosso colunista e usa as redes sociais para compartilhar os seus aprendizados com as filhas Anita e Aurora
  • Veja o que ele falou

A quarta palestra do 9° Seminário Internacional Pais&Filhos ficou por conta do jornalista Marcos Piangers, pai de Anita e Aurora. Na palestra intitulada “Felicidade sem referência”, ele falou um pouco sobre como se transformar em um bom pai ou mãe sem ter tido boas referências – ou, como no caso dele, nenhuma referência paterna – ao longo da vida.

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Marcos Piangers foi o 4° palestrante do seminário (Foto: Fabio Jr Severo)

Piangers não teve o privilégio de crescer com uma figura paterna por perto. Quando descobriu que sua esposa estava grávida, precisou aprender tudo, na prática, e “do zero”. Hoje, ele é autor de livros sobre o assunto, nosso colunista, uma das principais referências do país quando o assunto é paternidade, e ainda usa as redes sociais para compartilhar os seus aprendizados com as filhas Anita e Aurora.

O jornalista e escritor começou a palestra falando sobre a importância de pais participativos na educação dos filhos. “Eu acredito que quanto mais os homens participarem, de alguma forma estamos contribuindo para tornar o mundo um lugar melhor. E isso fica bem claro nas pesquisas: a vida das esposas, dos filhos e a nossa vida, dos homens, fica melhor com tudo isso!”

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Para falar sobre a paternidade, ele ressaltou a importância de cuidar de todos dentro de uma família. “A família é núcleo muito importante para estabelecer relações saudáveis na sociedade e pra elevar o índice do bem estar da sociedade, por isso, precisamos cuidar muito bem dos elementos que compõe essa família”, ressaltou. “A paternidade me transformou, minhas filhas me apresentaram um novo mundo, um mundo mais feliz”, continuou.

Ele também comentou sobre os problemas da visão do homem como competitivo, violento, poligâmico, etc. “Esse comportamento é totalmente destrutivo. Os homens se suicidam 4 vezes mais que as mulheres, segundo o Mapa da Violência do Brasil e morrem 10 vezes mais por causa da violência. É preciso falar sobre masculinidade tóxica”, ressaltou. Ele falou, ainda, que 75% dos homens nunca ouviram falar da ‘masculinidade tóxica’, um termo que, para ele, é fundamental na construção da paternidade.

Piangers contou sobre a ideia masculina sobre a felicidade e como não concorda com essa visão.  “O caminho posto para o homem é que desde o início ele vai negar tudo que é feminino e tentamos seguir isso, que nos é esperado. Confesso a vocês que, talvez pela criação da minha mãe, com essa sensibilidade, sempre questionei isso dentro de mim e percebi que isso não me aproxima do meu ideal de felicidade”, revelou.”A construção masculina é incoerente à construção familiar”, ressaltou.

Quando descobriu a gravidez da esposa, Marcos usou a gestação como uma possibilidade de desconstruir aos poucos essa visão masculina e começar a mostrar para os amigos que poderia ter essa sensibilidade e também ser uma parte ativa dentro de casa. “Precisei de muita conversa, terapia, idas e vindas para descobrir o que é ser homem, o que é ser marido, o que é ser pai”.

Para fazer essa desconstrução, ele comentou sobre a falta que sentiu de uma boa referência paterna, para conseguir entender como é ser um bom pai e participar de todos os processos.

Piangers também procurou definir o que é, afinal, essa tal da felicidade”Nossa busca por felicidade é a busca de chegar no final da nossa vida, olhar pra trás e dizer: ‘acho que escrevi uma boa biografia’. Felicidade me parece um termo que usamos pra sintetizar essa autobiografia”, começou contanto

Ele contou que, para ele, a felicidade está no momento e no movimento, no saber aproveitar o presente e entender que certas coisas são necessárias para construir um futuro melhor.  “É o futuro, para onde estamos indo, pensar no amanhã”. Para ele, a maternidade e a paternidade entra nessa questão do movimento, por ser muito trabalhosa. “Naquele momento que você está com seu filho depois de dormir mal, ele está com cólica, com febre. O momento parece interminável, seu índice de bem-estar vai estar lá embaixo. Mas se pensar no futuro e ver o movimento que sua vida está fazendo, vê que tudo vale a pena. No futuro, você vê a possibilidade de ver no seu filho algo que você construiu”. Para ele, é importante fazermos o cálculo e procurar sempre aquilo que valha mais a pena.

Estudos apontam que o que realmente é relevante para a felicidade ao longo da vida é a qualidade, a força das nossas relações afetivas. Não é o que ganhamos, não é termos ou não um pai, é a força com que conectamos com outras pessoas”, finalizou.

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