Quem Ama Cria: não existe ninguém no mundo que conhece seu filho melhor do que você

No 10º Seminário Pais&Filhos queremos que saiba que não existe jeito certo ou errado na hora de criar e cuidar, mas sim o seu jeito

Resumo da Notícia

  • Chegamos à decima edição do Seminário Internacional Pais&Filhos
  • O tema da vez é: Quem Ama Cria
  • Anota aí, ele acontece de maneira completamente digital e gratuita no dia 1 de dezembro de 2020

Não existe jeito certo ou errado na hora de criar e cuidar de um filho, mas sim o seu jeito. Antes de sair por aí procurando mil e uma dicas, saiba que não existe ninguém no mundo que conhece seu filho melhor do que você. É natural, vem de dentro, essa proteção de quem a gente ama. Em 2020, a criação e cuidado com a família foram além. Vivenciamos uma mudança de comportamento jamais vista nos últimos tempos. Nunca passamos tanto tempo tão longe dos pais, mães, irmãos, avós, amigos, colegas de trabalho ou professores. Mas, ao mesmo tempo, nunca nos sentimos tão conectados com todos. Esse novo momento trouxe para dentro de cada um de nós um jeito novo de criar vínculos.

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Palavras como parentalidade, felicidade, impulso, adaptação, abraço, carinho, vínculo, rede de apoio, saudade: tudo isso forma e está na criação de um filho. Mas da onde vem esse ato de criar? Aquela vontade de ver a criança se tornar um adulto feliz? A proteção que você às vezes nem sabe como surgiu, mas está ali? O que te faz acordar no meio da noite sem nenhum motivo aparente antes mesmo da cria chorar, seja de fome, sono ou manha? A gente acredita que é isso que constitui o instinto. E ele não é exclusividade da mãe ou do pai, mas sim de quem cria. Não importa a formação familiar. Seja de mãe, de pai, casados, separados, avós, tios, tias, mães solos ou pais por adoção – independentemente de cor, gênero ou orientação sexual. O instinto está na parentalidade, em quem cria um filho.

Criar não vem do sangue, mas da relação

10° Seminário Internacional Pais&Filhos (Foto: Getty Images)

Podemos dizer que ter filhos, hoje em dia, é uma escolha.Isso porque temos recursos para evitá-los, as técnicas de reprodução assistida ajudam quem tem dificuldades fisiológicas e sempre existe a (linda) opção de adotar uma criança.Claro que ter filho não é – ou pelo menos não deveria ser – uma obrigação. Muitas vezes, não rola mesmo. Faltam condições financeiras, físicas ou emocionais. Ou a pessoa simplesmente escolhe não ter filhos. E não há nenhum problema nisso, desde que você se sinta bem com essa decisão. E não importa como essa cria chegou na família, também podemos dizer outra coisa: criar filhos é, sem dúvida, a tarefa mais difícil da vida. “Só quem tem filho sabe que a chegada de um bebê é uma transformação maravilhosa, fundamental, deliciosa e, ao mesmo tempo, terrivelmente cansativa. Justamente pelos momentos mais complicados serem os mais desafiadores. A gente não vive esses momentos em nenhuma outra situação da vida. Os pais vão passar por períodos que acreditam que não são fortes o suficiente ou vão pensar em desistir. Mas a relação com o filho vai se consolidando com o tempo. E essa consolidação e o aprendizado nos tornam mais fortes e dão cada vez mais condições de sermos pais melhores”, defende Marcos Piangers, jornalista e colunista da Pais&Filhos, pai de Anita e Aurora.

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Se na família tradicional, a mãe ocupava o centro do palco como a figura mais importante das dinâmicas, a família contemporânea oferece hoje diversas possibilidades de interação. A estrutura familiar mudou e bastante coisa evoluiu. “O instinto de mãe para mim é a intuição. Quando nos permitimos fechar um pouco os ouvidos para as cobranças que recebemos, nos conectamos com as necessidades reais do bebê e entendemos o que deve ser feito, o que é melhor pra nossa cria. Ser mãe tem um lado meio narcisista. A gente quer ver nossa plantinha crescer bem. E quer ser amada e admirada por essas pessoas que são tão próximas e sugam tanto a nossa energia. Não vejo mal nisso. Acho que é natural, estranho seria o contrário”, explica Ana Cardoso, jornalista, socióloga, colunista na Pais&Filhos, mãe de Anita e Aurora.

E a visão do que forma a criação de um filho também deve ser pensada para outras culturas e tempos. “Instinto de pai é a intuição que me permite priorizar o que é essencial pro meu filho. No meu caso, considero vital que o meu filho tenha um senso de pertencimento à cultura africana e à comunidade preta, seja no continente ou na diáspora. Meu instinto também sinaliza o que é nocivo pro meu filho, como o machismo e todas as ideias que derivam dele, como a figura do homem que não demonstra fraqueza, não chora e deve ser o provedor material, de segurança e dotado de virilidade. Nenhuma dessas visões de masculinidade aparece na nossa ancestralidade”, explica Humberto Baltar,
educador infantil e criador do @paispretos, pai de Apolo.

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O instinto é da parentalidade

(Foto: Getty Images)

Muito se fala sobre o instinto materno ser algo exclusivo do sexo feminino, quase como um dom natural da mulher. Mas um estudo da Universidade de Bar-Ilan, em Israel, provou que o ato de criar uma criança desperta uma sequência de transformações no cérebro tanto para homens como para mulheres.Isso significa que as figuras masculinas que assumem o papel de principais cuidadores dos filhos apresentam maior atividade nas áreas do cérebro que processam as emoções. Os pesquisadores também mostraram que os fundamentos neurais do então chamado instinto maternal não é único para as mulheres, e pode ser desenvolvido por qualquer pessoa.

A filósofa francesa Elisabeth Badinter é autora da teoria de que o instinto materno não é algo natural e inato à mulher, como o senso comum impõe. No livro “Um Amor Conquistado. O Mito Do Amor Materno”, ela aborda o papel da mulher na criação dos filhos e desmistifica essas ideias criadas em sociedade. “O amor materno existe desde a origem dos tempos, mas não penso que exista necessariamente em todas as mulheres, nem mesmo que a espécie só sobreviva graças a ele. Qualquer pessoa que não a mãe pode ‘maternar’ uma criança. Não é só o amor que leva a mulher a cumprir seus ‘deveres maternais’. A moral, os valores sociais, ou religiosos, podem ser incitadores tão poderosos quanto o desejo da mãe”, diz Elisabeth, no texto de prefácio da obra. “O instinto é uma das ligações mais primárias da prole humana com a cria. É uma força muito grande que marca a nossa experiência e o nosso estilo de relações. Existem diferentes modos de criação. No passado, criava-se os filhos coletivamente, e as crianças também cuidavam umas das outras, por exemplo”, explica Christian Dunker, psicanalista e professor titular em Psicanálise e Psicopatologia do Instituto de Psicologia da USP, pai de Mathias e Nathalia.

É criação, instinto ou amor?

(Foto: Getty Images)

Em sua obra, Elisabeth Badinter também conclui que não existe uma conduta materna universal e necessária, e que o amor é algo que vai sendo construído e adquirido aos poucos. “Contrariando a crença generalizada em nossos dias, o amor materno não está profundamente inscrito na natureza feminina. Ele não constitui um sentimento inerente à condição de mulher, ele não é um determinismo, mas algo que se adquire. A filósofa acredita que o amor materno “é adquirido ao longo dos dias passados ao lado do filho, e por ocasião dos cuidados que lhe dispensamos”.

O instinto, amor e o cuidado são complementares no ato de criar um filho. Um não sobrevive sem o outro. “O instinto é perceber possibilidades em que o cuidado, o afeto e os limites são necessários. É querer cuidar acima de tudo. A paternidade estimula os instintos de sobrevivência. Passamos a querer proteger nossa família como nunca. Quem cuida de uma criança acolhe, conforta, compreende. Impõe limites com afeto. O papel de mãe ou de pai deveria se confundir, se equilibrar.

Mesmo na amamentação, quando realmente a mãe é imprescindível, o companheiro deve participar criando um ambiente favorável, colaborando naquilo que for necessário”, defende Beto Bigatti, publicitário, criador do blog @pai_mala, embaixador da Pais&Filhos e pai de Gianluca e Stefano. “O instinto é algo sazonal, tem a ver com uma certa ritualística, não tem plasticidade. Como humanos, temos um instinto que não funciona muito bem. E a complementação para esse desamparo é o amor”, explica Christian. Para o psicanalista, é isso que nos difere dos outros animais. “Quanto mais percebemos que a criança não consegue fazer aquilo sozinha, mais a gente ama. Essa vinculação primária é muito mais extensa nos humanos, quando comparamos com outras espécies”.

Criando para a vida

Quem ama cria (Foto: Getty Images)

Nada mais natural do que ter expectativas em relação ao bem-estar e felicidade dos filhos. Todo pai ou mãe espera que eles cresçam saudáveis para que se tornem adultos independentes, felizes e bem-sucedidos. Mas esse amor incondicional e a ideia de que os filhos sempre estarão melhores conosco do que sozinhos pode dar abertura para uma criação superprotetora. “Ser pai me levou a repensar a minha existência. Não posso dizer que antes eu vivia para mim porque o meu casamento já seguia a perspectiva da ancestralidade africana, que enxerga o amor como um projeto evolutivo comum, de ambos. Mas a paternidade me trouxe o desafio de preparar meu filho para um dia caminhar com as próprias pernas e da melhor forma possível. Ele sempre terá todo o nosso apoio e acolhimento, mas é fundamental que ele tenha autonomia nas próprias escolhas e decisões para que seja protagonista da própria vida” conta Humberto.

Pais superprotetores podem acabar comprometendo o desenvolvimento dos seus filhos. O cuidado demais nem sempre é sinônimo de uma cria feliz. “É muito importante não confundir a independência com a autonomia. É um fato objetivo da nossa espécie, o bebê humano não é um ser muito funcional e acaba sendo dependente de cuidados de outra pessoa. Mas a ideia de que um filho vai estar muito melhor com a gente do que com qualquer outro é um narcisismo. Por mais que a gente faça de tudo, o mundo conti nua cheio de perigos”, define Christian.

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