4 dicas para repensar hábitos que podem influenciar o desenvolvimento do seu filho

Alguns comportamentos podem parecer inofensivos, mas no fundo acabam tendo sérios desdobramentos no desenvolvimento das nossas crianças

Resumo da Notícia

  • Pequenos hábitos podem fazer diferença no desenvolvimento dos filhos
  • Alguns comportamentos que parecem inofensivos refletem na educação das crianças
  • Veja 4 atitudes que os pais devem melhorar para uma família mais saúdavel

“Em uma manhã de sábado, estávamos na estrada a caminho do campeonato de natação do meu filho quando fomos interrompidos por um fechamento de pista causado por uma construção. Uma fila de carros parados se estendia até onde a vista alcançava; não parecia uma situação favorável. Meu filho, Eric, de 8 anos, ficou louco. “Por que você foi por aqui?”, ele reclamou do banco de trás, arregalando os olhos e mexendo com as mãos. “Vamos nos atrasar para o aquecimento. Eu preciso me aquecer. Se eu não me aquecer antes da minha primeira prova estou perdido”, conta a mãe Cynthia Hanson.

-Publicidade-
Os hábitos interferem na criação dos filhos (Foto: reprodução / Getty Images)

“Garanti a Eric que tínhamos saído de casa mais cedo por causa do trânsito, e prometi a ele que chegaríamos no campeonato bem antes do aquecimento. Mas Eric não acreditou em mim e reclamou pelos longos dez minutos que passamos na via expressa. “Ele fala exatamente como você”, disse meu marido, sorrindo maliciosamente. “Você deveria se ouvir às vezes.”

“Ai! A verdade dói. Eu assumo, quando a vida me aparece com o menor dos problemas, lá estou eu, disparando xingamentos e reclamações para todos. Mas esse tipo de coisa é realmente prejudicial para nossos filhos?”, conclui Cynthia.  “Comportamentos como a reação exagerada têm um efeito bumerangue: o que jogamos fora para nossos filhos vai voltar para nós”, diz a conselheira de pais Michele Borba, Ed.D., psicóloga educacional em Palm Springs, na Califórnia.

-Publicidade-

A chave do problema está em controlar seus atos e dar um bom exemplo para os filhos. Mas saber por onde começar nem sempre fica tão claro – afinal, um hábito, por definição, é algo que você faz sem pensar. Se você repensar essas atitudes, sua vida familiar pode estar em um novo caminho.

1. Se você vê a vida como uma crise 24 horas por dia, 7 dias por semana, então pirar é a resposta mais lógica

(Foto: reprodução / Getty Images)

Quando seu filho de 7 anos deixa o tênis na aula de natação, você revira os olhos e pensa: “Lá vem você de novo – sempre esquecendo das coisas!”. E quando o caçula sofre outro acidente na cozinha, você começa a chorar.

Como isso afeta seus filhos

“Em algumas situações, ‘pirar’ é uma reação normal – e esperada. Mas se você se desgastar com todas as pequenas coisas, principalmente as que você não pode controlar, seu filho não saberá como reagir aos altos, baixos e intermediários”, explica Scott Haltzman, MD, psiquiatra e autor de o The Secrets of Happy Families. 

“É difícil para as crianças descobrirem o que é apropriado ou exagerado quando você usa levanta a voz por tudo e usa frases como “você nunca” ou “você sempre”, o tempo todo. Seguindo essa lógica, seu filho pode dizer: “Você é tão injusta! Você é a pior mãe do mundo!”, simplesmente porque você não o deixa comer sorvete antes de dormir. O outro grande ponto negativo é que, quando algo realmente está errado, as crianças podem bloquear você porque parece sua comunicação diária”, avisa o Dr. Haltzman.

Mude o hábito

Quando algo der errado, mentalmente atribua ao acontecimento um número em uma escala de 1 a 10, sendo 1 um incidente que não tem influência na qualidade de vida da família (seu filho de 6 anos perdeu o moletom), e 10 como uma emergência (o dedo do seu filho está preso na porta do carro). Agora, jure não pirar por qualquer acidente que seja menor do que 8. “No início você pode sentir que tudo é um 20, mas com o tempo você começará a ver que há diferenças entre esses eventos”, diz o Dr. Haltzman.

2. Você age como se a vida fosse rodeada por unicórnios e arco-íris

(Foto: Getty Images)

O concerto do carro que você bateu semana passada ficará em R$3.000 e seu melhor amigo está se mudando de estado. Não ia surpreender ninguém se você estivesse de mau humor aquela semana. Mas quando seu filho de 5 anos pergunta o que há de errado, você sorri e diz: “Nada, querido! Está tudo bem!”.

Como isso afeta seus filhos

Uma coisa é ser positivo, outra é esconder suas verdadeiras emoções. Seu filho precisa aprender que não há problema em se sentir triste, com raiva ou frustrado. E a verdade é que não importa o quanto você pense que está escondendo, as crianças vêm equipadas com radares de alta sensibilidade. “As crianças pegam o que não foi dito”, explica Charlotte Reznick, Ph.D., psicóloga e autora de ‘O poder da imaginação de seu filho: como transformar o estresse e a ansiedade em alegria e sucesso‘. “Se você não compartilhar suas emoções de maneira apropriada, ensinará seus filhos a mentir ou esconder sobre seus sentimentos”, diz o Dr. Reznick. “Além disso, seu filho pode pensar que ele é a razão de você estar chateado e acabar se sentindo mal consigo mesmo”.

Mude o hábito

Tudo começa com você sendo um pouco mau humorado – ou triste, ou frustrado, ou confuso, ou assustado – e deixando essa emoção aparecer. “As crianças precisam de um exemplo para falar sobre seus sentimentos”, diz o Dr. Haltzman. Coloque um rótulo em sua emoção, explique o motivo de uma forma que ela entenda e relacione-o com algo que ela experimentou. Você pode dizer: “Estou em um novo emprego e não sei se vou me dar bem. Lembra quando você trocou de escola? É assim que me sinto agora.” Ou: “Estou me sentindo triste porque a vovó está doente. Tudo bem ficar triste – até as mães ficam tristes às vezes. Mas eu sei que os médicos estão cuidando bem dela”.

Dê mais detalhes às crianças de 7 e 8 anos do que às crianças mais novas, porque elas podem entender mais e separar os problemas das outras pessoas dos seus próprios, diz o Dr. Reznick. Deixe as crianças fazerem perguntas, para que você possa dissipar suas preocupações e eles possam ouvir a verdade sobre o que está acontecendo, em vez de fantasiar sobre o pior.

3. Você está sempre dando ordens em forma de pergunta

(Foto: Getty Images)

Você quer que seu filho de 4 anos arrume toda a bagunça e pergunta: “Você pode guardar seus brinquedos?”. E continua com, “Agora, tudo bem?”.

Como isso afeta seus filhos

Quando você dá uma ordem e usa a estratégia de fazer isso em forma de uma pergunta, no final das contas, as crianças podem pensar que tem a opção de não fazer nada do que pediram. “Você abre mão de sua autoridade e atrasa o processo de fazer com que seu filho faça o que você precisa que ele faça”, diz Fran Walfish, Psy.D., psicoterapeuta infantil e autora de The Self-Aware Parent: Resolving Conflict and Building a Better. Quando seu filho ignorar seu “pedido”, você perderá a paciência. Então ninguém está feliz.

Mude o hábito

Clareza é a chave quando você espera uma atitude imediata. Então, faça o seguinte: coloque um ponto final no final da frase: “Vista-se para o parque, por favor.” Ou “Desligue a TV agora”. É isso! “Se seu filho não ouvir imediatamente, diga o seguinte apenas uma vez: ‘Mostre como você pode desligar a TV, ou eu vou ajudá-lo’”, aconselha o Dr. Walfish. “Espere por uma contagem silenciosa de dois, então pegue o controle remoto.” É claro que dar instruções claras ainda requer prática e persistência. Mas ser claro recuperará o controle e o impedirá de perder a paciência; enquanto isso, seu filho aprende como seguir as instruções.

4. Você age como um crítico, não como um treinador

(Foto: Getty Images)

Você examina cada erro do seu filho. Quando o boletim dele estiver preenchido com 10 e 9, você aponta para o único 6 e diz: “O que aconteceu?”. Quando ele arruma a cama, mas deixa alguns lençóis pendurados sobre o colchão, você diz: “Por que não consegue fazer a cama direito?”.

Como isso afeta seus filhos

Se as críticas superarem os elogios, seu filho pode escolher entre ignorar o que foi dito e ficar na defensiva. Em ambos os casos, a criança perderá qualquer coisa construtiva que você tenha a dizer. Pior ainda, coisas pequenas podem atrapalhar sua autoconfiança a ponto de ela parar de fazer algumas coisas por medo de falhar ou desapontar você. Também pode ser que ela se torne uma perfeccionista, pensando que qualquer coisa menos que o esperado possa custar o seu amor. “Se você constantemente dá feedback negativo ou se fixa nas fraquezas de seu filho em vez de em seus pontos fortes, ele pode acreditar que não terá sucesso”, diz Cathy Cassani Adams, psicoterapeuta infantil e familiar e autora de The Self-Aware Parent: 19 Lições para crescer com seus filhos.

Mude o hábito

Você deve sempre dar a seu filho mais elogios do que críticas. Isso não significa que você precisa evitar mencionar erros – mas, primeiro, você deve reconhecer as realizações de seu filho: “Uau, olhe para todos os 10 e 9. Isso é ótimo!” Em seguida, gentilmente ofereça ajuda na área em que ela falhou: “Matemática é um assunto difícil. Gostaria de ajudá-lo a estudar para o próximo teste.”

Em geral, resista ao impulso de apontar todos os erros e, em vez disso, tente mencionar as coisas boas que seu filho faz diariamente, aconselha Adams. Você pode dizer: “Obrigado por trazer seus pratos. Isso me ajuda a limpar depois do jantar” em vez de “Por que você deixou o ketchup na mesa?” Outro benefício de aumentar os elogios: seu filho estará mais disposto a levar as críticas a sério porque sabe que você vê o que ele faz certo.

-Publicidade-