Família

A birra também tem um lado bom, acredita?

Mas tem limites, existe diferença entre birra e falta de educação

Ana Beatriz Alves

Ana Beatriz Alves ,Filha de Maria de Fátima

(Foto: iStock)

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Nunca é fácil lidar com a birra, ainda mais quando estamos no meio do mercado e a criança se joga no chão chorando. Quem nunca passou por isso? Mas temos que manter a calma e saber que coisas boas virão dessa gritaria toda.

Antes de tudo, Luciana Brites, psicopedagoga, uma das fundadoras do Instituto NeuroSaber e mãe de Helô, Gustavo e Maurício, explica que a birra é quando a criança quer algo em determinado momento e, por não conseguir, acaba demonstrando o descontentamento na maneira de agir e falar.

“É comum a criança fazer birra até os 4, 5 anos de idade porque está passando pela fase do egocentrismo.” Ela achar que o mundo gira em torno dela por um tempo faz parte do desenvolvimento infantil. Tanto que é nesse período que pensa que a maioria das coisas é culpa dela, e também é quando ela desenvolve a empatia. Umas são mais chorosas e outras mais birrentas mesmo.

Se é difícil para nós, adultos, lidar com os sentimentos e falar sobre o que se passa aqui dentro, imagina para as crianças? “Elas não têm discernimentos para entender as próprias emoções.”

Não são más ou ruins, é simplesmente uma manifestação desse período infantil.

Seu papel como pai e mãe

É preciso entender o porquê de o seu filho estar fazendo aquela birra e deixar que ele expresse as emoções. “Depois que passar, precisa retomar o acontecido com a criança e mostrar que ela não conseguiu nada com aquilo e que tem coisas que devem ser levadas de determinadas maneiras.”

A criança precisa entender que ela perdeu o tempo brigando e fazer disso, um diálogo construtivo.

E quando começa a ser falta de educação?

Existe a fase do egocentrismo que você precisa trabalhar com seu filho e fazer com que ele entenda, através da conversa, que a birra é errada e que ele nunca vai conseguir nada com aquilo. Mas, passando essa fase, se ele continuar agindo dessa forma quando não tiver o que quer, gritando, corando e desobedecendo, usando a birra como instrumentos para conseguir o que quer, já é falta de educação.

E o que tem de bom nisso tudo?

A primeira coisa boa para as crianças é começar a manifestar os sentimentos negativos como tristeza e raiva. E, para os pais, é abrir este diálogo com o filho. Através da conversa, mostrar o caminho certo, guiando para um comportamento adequado. Luciana dá dicas de como trabalhar a birra com os filhos: brincadeira, teatrinho e histórias de livros como:  “Rita, não grita!”

Autora: Flávia Muniz

Sinopse: Rita é uma garota magrela que vivia fazendo birra e gritando por qualquer coisa e tudo era motivo para reclamações e berros. Os amigos cansaram e desapareceram. Ninguém mais convidava Rita para brincar.

“Marcelo, marmelo, martelo”

Autora: Ruth Rocha

São três contos que mostram situações reais do cotidiano de um jeito que procura ser simples e de modo colorido. Caloca era o garoto era o “mais enjoado da rua”, pois era o dono da bola e achava que podia manipular as pessoas (e suas decisões) de acordo com o poder que tinha. Afinal de contas, Caloca conseguia dar início, sequência e fim às peladas com os amigos.

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