A gente vai morrer de saudades da mãe que Fernanda Young foi

Recebemos a notícia de que a atriz faleceu neste domingo e esta matéria é uma grande homenagem ao que ela significa para a Pais&Filhos

(Foto: reprodução / Instagram)

Recebemos a notícia do falecimento de Fernanda Young com grande aperto no coração. A atriz faleceu aos 49 anos na manhã deste domingo, no hospital de Gonçalves, Minas Gerais, onde sua família tem um sítio. Ela foi vítima de uma crise de asma e teve em sequência uma parada cardíaca, de acordo com uma fonte da família.

Fernanda era atriz, escritora, roteirista, apresentadora de TV, mas seu maior papel, para nós da Pais&Filhos, era ser mãe de Cecília, Estela, Catarina e John. Ela foi parte do nosso desafio de formar famílias mais felizes e nos ajudou a passar uma mensagem superimportante: tudo isso só é possível juntos.

Ela esteve no nosso Seminário Internacional Pais&Filhos em 2018 para compartilhar sua experiência com a adoção e defender que a maternidade é um exercício constante de aperfeiçoamento. Não existem mães perfeitas, entender isso alivia um pouco da culpa que você e outras mulheres sentem. Fernanda sabia bem disso.

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“Quando casei com Alexandre, falei que não queria engravidar, mas que ia adotar uma criança. Me inscrevi na fila de adoção e passei por todos os trâmites legais para a chegada de Catarina”, contou a atriz durante um bate-papo no evento. Com John, o processo foi diferente. Depois que a última filha chegou, Fernanda estava programando viajar para Paris. Ela, inclusive, tinha tirado seu nome da fila de adoção, porque já tinha concluído seu desejo com Catarina.

Mãe do abraço

Mas um dia, ela contou para a gente que chegou em casa e “tinha um bilhete do meu assistente falando de uma criança que precisava de ajuda. Resolvi visitar”. Ela completa: “Não vou dizer que foi amor à primeira vista, mas quando cheguei, ele estava chorando muito. Eu peguei ele no colo e o choro parou. Olhei e disse: vou levar. Assim, do nada”.

Fernanda costumava contar suas histórias com muito bom humor, mas sempre fez seus ouvintes refletir muito sobre o que estava dizendo. Embora a escritora tenha dito que levou uma bronca por levar John para casa daquela maneira (e é claro que tudo ficou certinho depois com os trâmites legais), Fernanda defendeu que “amor é isso”.

Em 2011, durante entrevista para Mônica Figueiredo, mãe de Antônia, nossa correspondente em Portugal e melhor amiga da atriz, ela deixou claro que embora os filhos, Cecília e Estela, concebidas com ajuda das técnicas de reprodução assistida, e Catarina e John, adotados, tenham chegado na família de formas diferentes, o amor é exatamente igual. “Olho para todos eles e sei que não podiam ser outras pessoas. Às vezes ficamos mais grudados em um, às vezes outro requer mais atenção, ou fica mais chato. Mas a intensidade do amor é sempre a mesma”, explicou.

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Como reforçamos no início do texto, para Fernanda, ser mãe era a melhor meditação, o melhor jeito de descer do pedestal. “Você coloca o problema no lugar dele e nota que obstáculo é degrau”, defendia a atriz. É por isso que a maternidade mudou a vida de Fernanda. “Aos meus 30 anos, as gêmeas nasceram. E pela primeira vez na minha vida, dei-me conta de que era bicho. Não fui uma pessoa criada na natureza, o meu exercício mental era maior do que o instinto animal”, contou.

Fernanda lembrou que quando as meninas nasceram ela percebeu a ligação indescritível de não poder viver mais sem aquelas pessoas. “Já eram as coisas mais sagradas da minha vida. Mas isso tudo foi tão novo e forte, que senti como se um raio tivesse me atingido. Era tanta vida que pensar na morte também virou uma obsessão, e sei que sofri uma forte depressão”, compartilhou.

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Durante o bate-papo, Fernanda falou mais sobre o medo, medo de faltar. A gente sabe que todas as mães têm esse medo, por isso é importante contar com a rede de apoio. A atriz era cercada por pessoas que a amavam muito e que, com certeza, vão fazer a memória dela permanecer viva entre a família. Dando continuidade aos ensinamentos que Fernanda deixou para os filhos e para o mundo.

Mônica Figueiredo e Fernanda durante as muitas conversas que elas tinham e atriz dizia que ficava admirando enquanto a jornalista falava (Foto: reprodução / Instagram)

Luta para engravidar

Fernanda contou para a gente que fez quatro fertilizações para tentar engravidar. “No primeiro, fui abençoada pelas gêmeas. No segundo, não consegui. No terceiro, engravidei e perdi. No quarto, muito difícil, liberei muito óvulos, mas a minha médica me recomendou não continuar. Insisti, mas não engravidei. Soube que não estava grávida no dia 31 de dezembro de 2007. Chorava como uma criança”, lembrou.

Mas logo depois das gêmeas vieram duas adoções para completar a família, Catarina e John. “Olha, confesso que vivo exausta. Mas sou tão afortunada! A casa é uma empresa, tenho cinco funcionários. Trabalho para isso: manter a casa, a saúde e a educação deles. Tudo muito disciplinado”, contou.

Como dissemos, a rede de apoio da atriz era forte. O marido Alexandre Machado, casados desde 1993, sempre foi impressionante na parceria na educação dos filhos com a atriz. “Graças a ele, posso me dar ao luxo de trabalhar fora, viajar. Ele é impressionante. A vida dele é a família e o trabalho. Rimos muito em casa, brigamos como todo mundo, mas na mesma hora passa”, comentou durante uma entrevista.

Fernanda durante palestra no Seminário Internacional Pais&Filhos (Foto: reprodução / Instagram)

“Os filhos ensinam muito”

Essa foi uma das frases da atriz durante a entrevista de 2011. Ela disse que Catarina, John, Cecília e Estela aliviavam a sua alma. “Um sorriso, um elogio deles é maior do que qualquer coisa. Nada pode me aborrecer, se todos estão felizes. Então parei – dentro do possível – de sofrer à toa”.

E completou que a educação é uma troca entre pais e filhos. “Além disso, é também troca entre amigos, irmãos, maridos e mulheres. Tudo é”. A atriz defendia que a mãe é a fonte da família e pai a segurança. E sempre desejou que os filhos fossem honestos, saudáveis e com autoestima.

Nós da Pais&Filhos desejamos muita força para Cecília, Estela, John, Catarina, Alexandre, também aos familiares e amigos de Fernanda. Nosso coração está com vocês. Vamos morrer de saudades da mãe que Fernanda foi!

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