A real da amamentação: cada mãe tem uma experiência e está tudo bem

Nesta quarta-feira, 6 de abril, a Pais&Filhos realizou mais uma live em parceria com a Mynd. Desta vez, o papo foi sobre a verdade por trás da amamentação, e contou com a presença de Geovanna Tominaga, Milena Jenckel e Gabi Ribeiro)

Resumo da Notícia

  • Nesta quarta-feira, 6 de abril, rolou mais uma live da Pais&Filhos em parceria com a Mynd
  • Desta vez, o papo foi sobre a realidade por trás da amamentação
  • A conversa teve as palavras de Geovanna Tominaga, Milena Jenckel e Gabi Ribeiro

Nesta quarta-feira, 6 de abril, a Pais&Filhos abriu mais uma live em parceria com a live. Dessa vez, a reflexão foi sobre a realidade por trás da maternidade – sem firula, nem romantização. O papo foi comandado por Yulia Serra, filha de Suzimar e Leopoldo, e contou com a presença de Milena Jenckel, influenciadora digital e mãe de Guilherme; Gabriela Ribeiro, também influenciadora digital e mãe de Elis e de Geovanna Tominaga, jornalista, apresentadora, celebrante de casamento e mãe de Gabriel.

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Como pontapé inicial, Geovanna começou contando a própria experiência na amamentação: “Eu fiz curso, li vários livros, me preparei, e achava que era só colocar o filho no peito que ele ia mamar. Eu imaginava que seria difícil, mas não tanto. Pensei que eu seria “vaca leiteira”, e teria muito leite e queria até doar! Mas depois daquele primeiro contato que não é o leito, mas o colostro, foi muito difícil. A gente não se entendia, aí vinha enfermeira e tentava mudar a posição e nada dava certo. Resumindo: eu e Gabriel só fomos nos entender na madrugada, depois que não tinha opinião de ninguém na madrugada, e a enfermeira noturna me deu meu bebê e aí eu tive a paz de entender o nosso ritmo e ele conseguiu pegar o peito, foi tranquilo. Aí fomos para casa, e começou meu pesadelo. Porque amamentação não é fácil, né? Porque são várias vezes ao dia, e o Gabriel mamava de duas em duas horas e eu não tinha leite suficiente. Bateu uma culpa enorme, o leite ia diminuindo a cada mês e eu fiz de tudo para produzir leite. Teria sido muito pior sem rede de apoio, mas eu tive ajuda do meu marido e da minha família e mesmo assim não funcionou muito bem não. Eu até comi tudo de crença popular, e não rolou! Aí perto dos três meses eu cedi à fórmula. Não foi nada do que eu imaginava que seria: foi difícil, foi duro, foi dolorido”.

Gabriela também continuou: “Eu sou mãe da Elis, ela tem 2 anos e eu ainda amamento. Primeiro que a gravidez dela foi um susto para mim, porque eu engravidei mesmo com o uso do anticoncepcional. Então comecei a pesquisar sobre parto, enxoval, e li algumas coisas sobre amamentação. Mas, mesmo assim, eu pensava que era algo natural. O primeiro contato com a Elis foi assim também, porque ela não pegava direito. No hospital mesmo eu me machuquei, e eu chorava na cama toda vez que ela chorava para eu amamentar. E eu chamei a enfermeira e falei para ela que estava errado, e ela me disse que não. Só que estava errado sim! Então eu pedi para o meu marido o meu celular e pesquisei sozinha como funcionava. Aí eu concertei a pega e consegui, mas meu peito já estava todo machucado. E fui para casa e foi ainda pior, porque começou aquilo da madrugada e fiz de tudo. E você ver que não está conseguindo amamentar o seu filho é muito doloroso”.

Milena aproveitou o espaço para falar sobre a amamentação de Guilherme, e mandou a real. “Eu me preparei muito para o parto, mas para a amamentação não. Nós três falamos coisas muito parecidas: primeiro de achar super instintivo, e segundo de ter uma assistência que foi muito boa no hospital. A primeira vez que ele chorou no meu colo a enfermeira disse ‘Coloca ele aí’, e no primeiro dia começou. Saí da maternidade com o peito sangrando. Eu não tinha um norte, porque cada médico falava uma coisa. Aí eu cheguei em casa e chamei uma consultora de amamentação. Aí me ajudou, mas eu estava num estado que estava insuportável, então eu interrompi a amamentação com uma semana de vida. Só que eu sempre tive muita vontade de amamentar, e eu achava que ia parar uma semana de amamentar e depois ia voltar. Então eu parei essa uma semana e minha produção de leite caiu muito, e começou outra novela: meu peito estava cicatrizado mas eu não tinha leite. Eu fui atrás de alimentação, li muita coisa na internet, e nada funcionava. Aí paguei um curso para mulheres que queriam restabelecer a amamentação – fiz de tudo, e foi indo. A gente conseguiu chegar nos seis meses, e eu sempre complementei. Mas foi um milagre! Porque ele tem 2 anos e 6 meses, e até hoje eu amamento e tenho pouco leite”.

A amamentação não é um mar de rosas (Foto: GettyImage)

E a pressão da sociedade? Geovanna, sobre isso, comentou: “Eu parei de amamentar porque não tinha condições. Foi diminuindo o tempo da mamada, e quando chegou 2 minutos ele mamava e abria o berreiro. Aí conversei com uma amiga e ela me contou que isso tinha acontecido com ela. Ela ainda me mandou fotos da filha, disse que não queria dar fórmula de jeito nenhum, até que a médica falou ‘Ou você dá fórmula, ou sua filha vai desnutrir’. Aí eu percebi que eu estava prejudicando a minha filha por não abrir mão de uma idealização da amamentação. Concordo que temos que nos informar, e na prática – mesmo depois de muita leitura – as coisas mudam. E a gente coloca essas metas na cabeça e esquece de ver seu filho como pessoa. Então eu via meu filho sofrendo, e percebi que a gente tem que saber o que quer fazer sim, mas tem o limite do que é o saudável dessa criança”.

Milena ainda completou: “Ninguém pode ter esse lugar do julgamento, porque só a gente que é mãe sabe o quanto a gente tentou, e cada realidade é uma. Amamentação diz respeito à mãe e bebê e pronto”.

A gente muda de opinião o tempo todo, e não seria diferente na maternidade e nem na amamentação. Gabriela, sobre isso, ainda completou: “Meu direct é lotado de gente reclamando que eu estou amamentando uma criança grande, que está na hora de desmamar. É aquilo: as pessoas criam uma idealização de que tem que amamentar por seis meses exclusivo, e se você não consegue tem algo errado. A gente recebe julgamento demais, mãe parece que nasceu para ser julgada”.

“Julgamento na maternidade não cabe: tem o ideal, e o que a gente consegue fazer”, disse ainda Geovanna.

E esses tais julgamentos, como funcionam? “Eu tento comprovar com dados e estudos científicos! Porque eu acho que falta muita informação mesmo, então não é minha opinião que eu estou dando. Então OMS, Sociedade Brasileira de Pediatria, tudo para mostrar para as pessoas”, começou Geovanna.

Milena ainda completou: “Presencialmente, graças à Deus eu nunca passei por muita coisa. E eu respondo normal os comentários que recebo. Mas eu recebo bastante coisa pela internet, de um público grande que comenta muita coisa. Eu uso muito as estratégias de mostrar dados, mas se é uma crítica que não me acrescenta em nada eu apago o comentário mesmo. Porque tem gente que comenta por não saber mesmo! Mas tem gente que vem na ruindade”.

Gabriela também mandou a real: “Dá para perceber o que é maldade e o que não é. Se a pessoa precisa de informação, eu mando um link ali às vezes e acabou. Agora, se é uma coisa ruim eu bloqueio e é isso”.

E ainda completa, “O momento mais especial foi quando eu consegui amamentar sem dor, e ela olhou no meu olho e senti aquela conexão real de mãe e filha”. Geovanna, sobre isso, acrescenta: “Todos os momentos da amamentação, quando dá certo, são especiais. Porque é uma verdadeira conexão com o filho. Mas a primeira noite foi a mais especial para mim. Então me deram meu filho após o parto, e foi muita emoção mas foi super rápido! E essa madrugada que eu fiquei sozinha com ele, que ele pegou e eu consegui, foi o primeiro momento que eu me senti mãe”.

Milena ainda completou, “Acho que um dos mais emocionantes foi quando ele começou a mamar e fazer carinho no meu rosto. E foi bem na época que viralizou um texto falando que o bebê faz carinho na mãe para retribuir a atenção”.

E a parte mais desafiadora? Geovanna se emocionou ao contar que o mais difícil foi deixar de amamentar o filho. “Para mim foram três principais: quando eu parei de amamentar porque era um choro a cada mamada; depois a frustração de querer amamentar e não ter leite, e agora foi quando ele estava com 1 ano e 7 meses com uma perturbação muito intensa na amamentação, que ele mexia no meu seio e me machucava muito”.

Gabriela disse que foi o momento em que percebeu que a filha estava mamando e caía sangue. “Eu pensava, ‘será que vou conseguir continuar?’ e foi quando eu recebi um suporte do meu marido e comecei a me atentar”.

E o que passar para outras mães? “Acho que é se informar, porque a gente fica muito preocupada com o parto. A maternidade vem em partes, e a gente vai se preocupando em fases. Mas para as mães que estão chegando agora, eu indico que elas se informem, sim, sobre a amamentação. Por que a amamentação não é natural, é aprendizado: para a mãe e para o bebê. O início é doloroso, mas não desistam, peçam ajuda, se informem. Veja o que você e seu filho precisam, e cheguem em um acordo”.

Gabriela ainda comentou, “É entender que nada é como a gente lê. Não tem fórmula mágica, porque vai ser uma experiência nova para você e o bebê. Se deixe viver. No começo é doloroso, porque não é instintivo. Então é sobre se informar e entender que cada um tem a própria experiência”.

Milena completa: “O que eu sempre falo para mães é: contrate um profissional que te acompanhe ainda na maternidade. E mais do que um recado para as mães, é um recado para a sociedade: a gente precisa de um clã de muito apoio para amamentar!”. Foi demais! Para ver a live completa, clique AQUI.