Afegã fingiu ser o irmão por dez anos para poder sustentar família durante governo do Talibã

Nadia Ghulam contou sua história no livro ‘O segredo do meu turbante’ e, ao Fantástico, falou sobre as expectativas para mulheres que estão enfrentando a segunda tomada de poder pelo grupo terrorista

Resumo da Notícia

  • Uma afegã passou 10 anos fingindo ser o irmão para sobreviver e sustentar a família durante a primeira tomada de poder do Talibã no Afeganistão
  • Nadia Ghulam contou sua história no livro "O segredo do meu turbante"
  • A ativista contou ao Fantástico um pouco das expectativas para mulheres na segunda tomada de poder do grupo terrorista

Nadia Ghulam teve de fingir ser o irmão durante 10 anos para poder estudar e trabalhar em meio ao governo do Talibã, de 1996 à 2001. A casa de sua família foi bombardeada e, após o falecimento do rapaz, ela se vestiu com roupas de homem para poder frequentar a escola e o trabalho – que foram proibidos durante o mandado do grupo terrorista. Nadia contou sua história no livro ‘O segredo do meu turbante’ e, ao Fantástico, falou sobre as expectativas para as mulheres na segunda tomada de poder do Talibã.

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Nadia viveu como um menino (Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal/ Fantástico)

“Quando eu vivi como um menino, entendi como os homens enxergam as mulheres no Afeganistão”, desabafou Nadia. “Tudo era proibido, e eu questionava: ‘o Alcorão diz que todos devem estudar, homens e mulheres’. E eles respondiam, ‘Elas podem estudar – mas só o Livro Sagrado'”.

Mesmo com um regime que durou apenas 5 anos, Nadia conta que manteve o personagem a fim de evitar preconceitos e julgamentos. “Não dava para chegar e dizer, ‘Desculpa, eu menti para vocês, na verdade sou uma mulher’. Era impossível”. Ela só desfez o “disfarce” quando saiu do Afeganistão.

Agora, Nadia mora na Espanha, e está profundamente aflita com a nova tomada de poder. “Eles ficaram mais agressivos. Eles nasceram e cresceram lutando. Nas imagens dentro do palácio presidencial, eles não sabem nem sentar em uma cadeira – imagina quando virem uma mulher!”, desabafa. Mesmo assim, acredita que as mulheres afegãs sempre encontraram caminhos para sobreviver no meio da guerra.

A ativista falou das expectativas para mulheres no governo do Talibã (Foto: Reprodução/ Fantástico)

“Não será a primeira vez. As afegãs são muito resilientes. Elas trabalharam duro durante o regime do Talibã. Tinham suas próprias escolas escondidas. Eu mesma ia ao cinema escondida – e, mesmo na escuridão, nós soubemos resistir”, concorda, enfim.